segunda-feira, 10 de maio de 2010

Peregrinações

Ser andarilho pode ser uma questão de design.

E como estamos num estado laico que até tem tolerância de ponto de cada vez que um chefe de estado/religioso nos visita, este blog não poderia deixar de fazer rev(f)erência a esta visita.

Boa Semana

domingo, 9 de maio de 2010

Lullaby de Domingo


A mim só me interessa o verso do refrão: 
há duas semanas às voltas com textos impossíveis estou a modos que fartinha de inacreditáveis associações de palavras. Preciso desapalavrar (não, não existe, mas apeteceu-me. Também sou filha desta Língua).
 
Assunção de (ir)responsabilidade: eu tinha escolhido uma muito pior que esta. Mas o Jools, que não gosta de me ver fazer má figura, sugeriu antes esta.  Muito melhor, mesmo.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Divino - mas Pouco

A visita dessa imagem peregrina (e já discorremos sobre a ocupação no avião: é carga ou passageira?) trouxe ao de cima uma ilha que ainda se verga perante imagens como se de gente se tratasse. Não seria mau, se as mesmas gentes que acenam de lágrima no olho ao barro moldado por mãos humanas, tivessem o mesmo desvelo pelas mãos. Humanas. Mas a imagem percorre as terras com honras que pouca gente teve e depois da passagem fica tudo exactamente na mesma. Como a reza que se desfia, mas da qual fazemos ausentar qualquer significado.
O desvelamento do significado de uma imagem destas revela-se também nas pequenas coisas. Instrumentalizada na perpetuação de uma fé genuína - mas cega, revela-se, também ela, instrumento da política (no pior sentido que o termo pode ter).
Continua o Carnaval que arrancou com um Bispo de orgulho ferido. Depois da excomunhão do padre que fazia política na facção errada (nunca fez espécie à igreja Madeirense meter-se na política, desde que fosse em consonância com o poder estabelecido), a festa continua, passados quase 30 anos. A vinda de um novo Bispo acalentou algumas esperanças; às primeiras movimentações, percebeu-se que mudava a forma, mas não o conteúdo. A renovação mostrou-se, uma vez mais, bafienta e sujeita aos interesses do beija-mão (e de quem beijar-a-mão). A imagem peregrina assim o vem atestar, escolhendo fiéis mais iguais que os outros. Temos uma igreja interdita à imagem, uma igreja desde há muito na margem, à margem, deliberadamente excluída dos altos interesses (com letra minúscula) de uma diocese que deixa o culto para estar presente em inaugurações. E portanto, não é de espantar que esta igreja recuse entrar na Igreja da Ribeira Seca e que venha um dos (quase) grandes desta igreja cada vez mais pequenina alegar que não é hora de justificações sérias, quando estas não convêm.

E com tudo isto, só me lembro da cena emblemática de um Cristo que há sensivelmente dois mil anos expulsou os vendilhões do templo. Pois o templo está novamente pejado deles. Quem os expulsa?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

"(...) Sempre achei algo de muito estranho o facto de eu escrever em português, mas foi nessa língua que eu nasci, e só nas palavras dessa língua irrompem os meus textos. É estranho porque, no interior dessa língua, não havia uma cultura para os receber. Certamente havia, e há ainda, um passado por acabar, soterrado, que os chamava para que um ciclo, por fim, atinja o seu termo. Faço votos para que a minha língua alcance o alto mar, o largo. Ela fala de um povo que é singularmente outro, sem saber em quê, e porquê. Faço votos ardentes para que esse sentimento profundo, e por exprimir, se possa manifestar finalmente. Por este motivo me pareceu que eu renegaria tudo isso - esse povo, essa história, essa área geográfica, esse sentimento, essa língua - se não tivesse aceite estar aqui presente.
É também por este motivo que posso agora voltar a entrar no meu silêncio. Silêncio para que nasci."
Maria Gabriela Llansol Paris, Sorbonne, 24 de Outubro de 1988, Les Belles Etrangères.

domingo, 25 de abril de 2010

Um Abril que seja seu

Uma homenagem às Mulheres de Abril - mais concretamente, uma homenagem à Conceição Pereira - pela UMAR Madeira, com a presença da maravilhosa Manuela Tavares. Abril também foi assim para muitas mulheres.

Lullaby de Domingo de Abril


Abril também é agora.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

No dia Mundial do Livro, permitam-me o umbiguismo 2

O que o DN Madeira não noticia (e mesmo assim teria falhado o nome - vide Manuela Tavares citada no corpo da notícia quando é na realidade a Maria José Magalhães que cá vem) mas devia, é que por essa altura estará por cá a nossa maravilhosa Ceridwen, que vai estar presente em tudo isto. Avec moi, claro.

No dia Mundial do Livro, permitam-me o umbiguismo

Da próxima Feira do Livro do Funchal, destaque-se:
  • A vinda da Isabela Figueiredo com o seu Caderno de Memórias Coloniais - tive uma quase apoplexia ao ler que a minha blogger favorita cá estará;
  • O lançamento de uma nova editora, a Nova Delphi, com a presença de Anselmo Borges e Maria José Magalhães, para os lançamentos das primeira obras: uma reedição de A Relíquia, do genial Eça de Queirós e o lançamento das Actas do Congresso Feminista 2008 (finalmente!).
Todos os pormenores aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um gabinete que seja seu

Subscrevo a segunda parte do post. As salas de professores/as são espaços de barulho em excesso, com demasiada gente a querer fazer-se ouvir e em que temos que interagir mesmo quando não apetece nada - e acontece muito, esta vontade de nada dizer e ouvir, depois de 90 minutos dentro de uma sala. No espaço da sala de professores/as, esse recolhimento é impossível, essa paz de espírito uma quimera. Por isso, repito, subscrevo parte do post da Isabela. Um gabinete, como o que vemos nos filmes seria um espaço de sonho - desconfio que para qualquer professor/a. Simplesmente, o meu gabinete não seria como o que a Isabela descreve: dificilmente teria os meus papéis arrumados. Os meus papéis são rebeldes, escapam a qualquer tentativa de arrumação que lhes queira dar; apenas no primeiro dia após uma tentativa de ordenamento do território consigo mantê-los em relativo estado de graça; depois parece que ganham vida própria. Juro que não tenho culpa; quando as minhas mãos invadem revolvem aleatoriamente a sua agradável disposição certamente não estou em mim. E tenho a certeza que nem o divã escaparia a essa fúria.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ausência

(desculpem-me, mas desconheço a autoria, porque simplesmente não estava referenciada).

Esta semana não há mini-bridge.
Só o naipe de copas.

Quem atira a primeira pedra? Subsídios para uma incursão ao confessionário mais próximo (ou não)


Confesso que na infância, quando exposta a dislates destes, levava-os ao pé da letra; a minha angústia permanente não tinha que ver directamente com maus pensamentos, mas com o terror que a involuntária possibilidade da sua aparição me condenasse ao fogo castigador ou - pior - a uma penitência de vinte avé-marias prescrita pelo padre consultado no confessionário.
A questão do pecado original também era fonte de preocupação para a minha ingénua cabecinha: como, perguntava eu, posso ser culpada por algo que não pedi (no caso dos pensamentos) e que não cometi (o pecado original)? Aliás, a essa altura, nem sabia bem o que significava  o pecado original para além da descrição  muito vaga da maçã e da árvore do conhecimento. Mas "tá "bem, se diziam que também era culpada por isso, quem era eu para contestar um sistema de valores milenar?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pois não.


E a sua decadência não acontece de fora para dentro, por muito que queiras acreditar em teorias da conspiração (muito a propósito) engendradas pelos inimigos da doutrina.  Na verdade, não se trata da doutrina, mas de quem em nome dela tem assinado em local errado.

E não, esta não é a resposta.

Heranças pias - uma Igreja em estilhaços

Não será novidade; contudo, continua a surpreender a desfaçatez com que se perpetua velhos hábitos. De uma piedosa mulher que deixa a sua herança a uma instituição que acreditou dar seguimento à sua vontade resta este processo, que veicula uma tentativa de não prestar contas a ninguém em relação ao cumprimento da vontade da senhora em questão. 
A sofreguidão é mesmo um dos flagelos desta instituição que se preocupa muito mais em contabilizar os talentos em ouro que conserva do que dar largas à doutrina que prega. E não me venham com o blá blá de que consoladamente prestarão contas a Deus. As contas deviam ser apresentadas aqui mesmo, aos/às que doam, aos/às que contribuem, aos/àsque ainda se identificam com uma instituição apodrecida (e mesmo os/as que não se identificam mas são obrigados/as a responder). São o mesmo tipo de gente que supostamente foi varrida há dois mil anos atrás. Quantos vendilhões expulsaria Jesus Cristo ao pontapé dos templos erigidos em seu nome? 

Boa Semana

Le scaphandre et le papillon

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Contributos funianos para uma jogadora de mini-bridge

Agora temos trunfo ao barulho e contamos as perdentes. Continuo a fingir-me de morta, mas vá lá que esta semana só morri mesmo quando era suposto. Nos restantes jogos, mantive-me à tona, embora tenham existido momentos em que me foi difícil continuar a respirar. A esta altura do campeonato, já percebi que a coisa não melhora...

Esta fotografia (mais uma vez, oferecida pelo Funes) exemplifica quase na perfeição a minha expressão quando tento respirar aquando da incumbência de cartear, à excepção da barba e do bigode (pronto e com cartas enfiadas na mão).