quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ausência

(desculpem-me, mas desconheço a autoria, porque simplesmente não estava referenciada).

Esta semana não há mini-bridge.
Só o naipe de copas.

Quem atira a primeira pedra? Subsídios para uma incursão ao confessionário mais próximo (ou não)


Confesso que na infância, quando exposta a dislates destes, levava-os ao pé da letra; a minha angústia permanente não tinha que ver directamente com maus pensamentos, mas com o terror que a involuntária possibilidade da sua aparição me condenasse ao fogo castigador ou - pior - a uma penitência de vinte avé-marias prescrita pelo padre consultado no confessionário.
A questão do pecado original também era fonte de preocupação para a minha ingénua cabecinha: como, perguntava eu, posso ser culpada por algo que não pedi (no caso dos pensamentos) e que não cometi (o pecado original)? Aliás, a essa altura, nem sabia bem o que significava  o pecado original para além da descrição  muito vaga da maçã e da árvore do conhecimento. Mas "tá "bem, se diziam que também era culpada por isso, quem era eu para contestar um sistema de valores milenar?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pois não.


E a sua decadência não acontece de fora para dentro, por muito que queiras acreditar em teorias da conspiração (muito a propósito) engendradas pelos inimigos da doutrina.  Na verdade, não se trata da doutrina, mas de quem em nome dela tem assinado em local errado.

E não, esta não é a resposta.

Heranças pias - uma Igreja em estilhaços

Não será novidade; contudo, continua a surpreender a desfaçatez com que se perpetua velhos hábitos. De uma piedosa mulher que deixa a sua herança a uma instituição que acreditou dar seguimento à sua vontade resta este processo, que veicula uma tentativa de não prestar contas a ninguém em relação ao cumprimento da vontade da senhora em questão. 
A sofreguidão é mesmo um dos flagelos desta instituição que se preocupa muito mais em contabilizar os talentos em ouro que conserva do que dar largas à doutrina que prega. E não me venham com o blá blá de que consoladamente prestarão contas a Deus. As contas deviam ser apresentadas aqui mesmo, aos/às que doam, aos/às que contribuem, aos/àsque ainda se identificam com uma instituição apodrecida (e mesmo os/as que não se identificam mas são obrigados/as a responder). São o mesmo tipo de gente que supostamente foi varrida há dois mil anos atrás. Quantos vendilhões expulsaria Jesus Cristo ao pontapé dos templos erigidos em seu nome? 

Boa Semana

Le scaphandre et le papillon

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Contributos funianos para uma jogadora de mini-bridge

Agora temos trunfo ao barulho e contamos as perdentes. Continuo a fingir-me de morta, mas vá lá que esta semana só morri mesmo quando era suposto. Nos restantes jogos, mantive-me à tona, embora tenham existido momentos em que me foi difícil continuar a respirar. A esta altura do campeonato, já percebi que a coisa não melhora...

Esta fotografia (mais uma vez, oferecida pelo Funes) exemplifica quase na perfeição a minha expressão quando tento respirar aquando da incumbência de cartear, à excepção da barba e do bigode (pronto e com cartas enfiadas na mão).

terça-feira, 13 de abril de 2010

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"Existe um ser que mora em mim como se fosse casa sua, e é."
Contos, Clarice Lispector

A Ler

Ora cá está uma recomendação que nos é arrancada a ferros, mas que é absolutamente necessária: este post do Funes.

Ainda sobre a capa da Visão - um comentário de Hugo Santos

 Na caixa de comentários deste post, destaque-se este comentário:

O que me choca mais não é a imagem da capa da Visão. Choca-me mais a falta de sapiência das pessoas face ao que é e deve ser o Fotojornalismo e o dever de um fotojornalista. Para os Madeirenses que viveram a tragédia consigo entender que a imagem choque e que até o facto de não gostarem de a ver publicada na capa da Visão. Chamar-lhe sensacionalista, voyeurismo e outras coisas do género é que não só não consigo admitir como me entristece profundamente, talvez por ser precisamente a minha profissão. Porque não se viram contra a ficção jornalística com que somos bombardeados diariamente em certos canais de televisão? Porque não se viram contra as revistas cor-de-rosa que atentam diariamente contra a privacidade e o bem estar das pessoas destruindo muitas das vezes famílias inteiras... Não estamos perante uma foto de paparazzi e aqui não há nem pouco de margem ao sensacionalismo!!! Cabe sempre ao fotógrafo decidir em milésimos de segundo se deve ou não fazer a foto, no entanto perante uma tragédia cabe ao fotógrafo informar e mostrar a realidade ao mundo. Posso garantir que se esta foto e outra muito semelhante, captada por um outro fotógrafo da agência AFP, em que é retirado um corpo de um carro, não tivessem chegado à comunicação social do continente e aos jornais de todo o mundo, creio que nunca ninguém que não vivesse na Madeira teria tido a real dimensão do que foi a tragédia. Chama-se a isto realidade... Chama-se a isto Fotojornalismo. Um estilo de vida que na realidade poucos conhecem mas que é digno, ético, incorruptível e solidário! Se isto é uma verdade absoluta inerente à profissão? É. Se todos os fotojornalista se regem por estes valores? Não. Mas quando assim é percebe-se e nunca lhes deveríamos chamar fotojornalistas.
Quanto ao facto do fotógrafo ter realizado a foto tenho a profunda convicção de que qualquer bom fotojornalista com valores o teria feito, sempre respeitando a família, o corpo, os madeirenses e os seus próprios princípios. Parece-me claro e indiscutível! Vivemos num país que ainda é um pequeno paraíso e quando não existe uma abertura da sociedade portuguesa aos jornais e revistas internacionais percebe-se que isto choque. No entanto as grandes agências de referência do Fotojornalismo fazem diariamente fotos de horror e tragédia bem mais marcantes do que esta. Fotos que são publicadas nos melhores e mais conceituados orgãos de comunicação social mundial. Quanto ao facto de a foto ter sido escolhida para capa da Visão é outra história ainda que com os mesmos contornos. As fotos são enviadas para uma redacção que analisa as mesmas. Os Directores e Editores têm a responsabilidade e o dever de realizar opções e escolhas complicadas. Por isso é que estão nesses cargos. Se foi para vender?! Quem disser que não foi para vender mente, porque qualquer publicação quer vender, no entanto não acredito e não quero acreditar que tenha sido a única ou a razão mor de tal decisão. Informar, passar a dimensão real da tragédia, "abanar" a consciência dos políticos e de todo o povo para que se unissem e fossem solidários teria sido a razão mor pela qual eu a teria publicado.

Mesmo não conhecendo aproveito o blog para solidarizar com a família da vítima da foto e com o povo da Madeira. Não felicito o fotógrafo ou a Visão, porque não acho que se devam laurear. Vinco porém que foram profissionais e fico feliz por terem desempenhado o seu trabalho com coragem até ao fim sem quebrar perante possíveis pressões que terão existido.

Os Madeirenses tem uma força interior invejável dentro deles e são exemplo para todos em muitas áreas. Espero que consigam ter com o passar do tempo a capacidade para ver a foto de outra maneira e que se coloquem pelo menos do outro lado. Se esta não tivesse sido feita, teriam as ajudas chegado da mesma maneira? Teria o povo de Portugal Continental e de todo o mundo percebido a real dimensão da tragédia?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Boa Semana

Ils se marièrent et eurent beaucoup d'enfants

domingo, 11 de abril de 2010

Lullaby de Domingo



No começo da Ilha, "that bridge is on fire (...) no need do leave."

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Não perguntem agora por quem os sinos dobram


O que a Igreja não quis perceber foi exactamente isto: que os pecados/crimes dos seus não seriam os Seus pecados/crimes. Perdeu-se quando, perante o medo da perda do poderio, acalentou no seu seio aqueles que cuspiam no âmago da doutrina cristã. O que há a lamentar é que neste caso, sabia perfeitamente o que fazia e porque o fazia. E é isso que torna todo este caso imperdoável.

*O escriba do costume, A.B.

Boa Semana

De battre mon cœur s'est arrêté

quarta-feira, 31 de março de 2010

Contributos funianos para uma jogadora de mini-bridge


Noite pacífica, em que fui morta muitas vezes (tenho o dom da ressurreição, o que é adequado face à época) e meti água apenas uma vez, quando a jogar no flanco. Aliás, pode-se constatar a complacência do meu parceiro (anjo de costas para a câmara).

As fotografias desta série continuam a cargo de Funes (apenas a primeira não o foi).

domingo, 28 de março de 2010

Olha, mais um que apoda o que não interessa de Conspiração

A confusão não está no que se passou indigna e repetidamente, mas sim em que se saiba; grave não será sujar a roupa, grave é lavá-la em público
Ficamos assim cada vez mais esclarecidos/as sobre um dos grandes pilares morais da humanidade.

(Re) Leituras



Eu sei que o futuro é agora mas o passado não foi assim há tanto tempo.

Lullaby de Domingo


Bom dia.
Banda sonora para um domingo a sério.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Jorge Lopes de Carvalho tem um (novo) blogue

O Jorge C / Jorge / Reaction Man está cada vez mais moderno.Velho amigo/inimigo deste blog (com aquelas coisas do mim direita tu esquerda), mudou-se para Avalon, juntou-se às Moscas do Costume e agora elabora um Manual de Maus Costumes. Para além da modernice da (quase) ubiquidade, destaque-se a finura de ter templates encomendados e de ter abandonado os aposentos dos/das remediados/as da blogosfera, que é este nosso blogspot. Agora o Jorge que voltou a ser C juntou-se aos/às intelectuais que só postam no Sapo e têm o nome completo a secundar a informação um blog de. Está fino, o moço (e nós lemos e recomendamos, apesar da elegância e tal).

quinta-feira, 25 de março de 2010

Contributos funianos para uma jogadora de mini-bridge


Na aula de hoje, só consegui dar largas ao meu talento a 20 minutos do fim. Morta por estar morta, eis o meu ar em quase duas horas.

Fotografia gentilmente oferecida pelo Funes.

quarta-feira, 24 de março de 2010

As Mulheres Que Odeiam os Homens*

Também as há e também matam. Incompreensivelmente.

*Continuo a leitura nos tempos vagos, que são escassos. Hoje, ao pequeno almoço, de livro aberto junto ao prato e à caneca de café, confesso que vacilei; apetecia-me voltar para a cama e continuar a leitura da paáina que consegui ler enquanto engolia a fatia de pão aquecido porque ontem não tive paciência para fazer fresco (as máquinas de pão são uma maravilha, mas não quando nos arrastamos para casa com vontade de dormir uma semana inteirinha). Detesto semana de avaliações, em que durmo em pé e o meu humor anda completamente alterado.

terça-feira, 23 de março de 2010

Já o primeiro teve que beber cicuta*

É comovente o diagnóstico de AJJ em relação a Sócrates (santo nome evocado tantas vezes em vão): afinal, o homem andou envenenado e AJJ, que agora percebeu-lhe o azedume, oferece-se a ficar do lado de Sócrates mesmo que seja contra o seu partido. Lua de mel, lua de fel...

*Com as devidas distâncias, que Sócrates, o genuíno, não mereceu tal ingestão. 

sexta-feira, 19 de março de 2010

J.

(Júlio Pomar)

Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nessa mansa certeza que não vens.
Maria Teresa Horta

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mini Bridge


Descubro um talento natural para, no carteio, ocupar o lugar do morto.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um caso sério 2029

A Rua da Abadia é blog lido por mim, que gosto dos temas que a Rita F. propõe e da forma como o faz. Mas hoje, o post Este Homem Compreende-me merece uma recomendação que vá para além do desenrolar de papiros ali ao lado.Eu compreendo esta mulher que já era compreendida por aquele homem (citado).

terça-feira, 16 de março de 2010

Não é preciso "andar à porrada" com a Natureza

Apenas dar cabo dela aos poucos, como quem não quer a coisa. 
Isto sim, é hipotecar o turismo regional sem mais nem menos (e não as imagens da tragédia que tanta indignação causa(ra)m.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O homem que termina as sentenças

 mas que ainda precisa de (muito)treino.


Para o Sancho, com _______________.
(vide caixa de comentários do post anterior)

El Rei Marcelo

Não sabemos ainda o eleito daquele que se diz o maior Partido da oposição. Mas a comunicação social já elegeu o seu líder, ao conferir mais tempo de antena a Rebelo de Sousa que a qualquer dos candidatos. O homem parecia um autêntico D. Sebastião com os microfones ansiosos por vislumbrá-lo por entre as brumas. E qual lenda, o anúncio esperado não aconteceu. Apenas informou que talvez não comparecesse no Domingo porque era dia de votação de estatutos. Quase se conseguiu ouvir a exclamação de decepção dos meninos e meninas dos média. Enfim, um triste domingo a partir daí.

Boa Semana

domingo, 14 de março de 2010

Lullaby de Domingo


Something deep in you touches something so deep in me...
J.E.

terça-feira, 9 de março de 2010

Olho clínico - A Passadeira Vermelha

Como este blog é um blog essencialmente de "gaijas" (excepção feita a Mr. Lekker, que é preguiçoso e tem confirmado muito do que se tem dito sobre os "gaijos"), não nos coibimos de também lançar um olhar sobre as farpelas usadas na passadeira vermelha. Escrutinamos penugens, pêlos, sovacos, cabelos, manchas de suor, folhos, laços, saltos, decotes, implantes, sorrisos, maquilhagens, acessórios (acompanhantes incluídos neste item, como não poderia deixar de ser), vestidos curtos e compridos, poses e semi-poses... enfim, não deixamos absolutamente nada para escrutinar a fim de podermos comentar as escolhas de todas/os e mais algumas/uns. 

Assim, temos a honra de vos apresentar a melhor farpela da noite:


E a pior (inadmissível que não tenha feito a depilação):


9 de Março de 2010

No dia imediatamente a seguir ao centenário da comemoração do Dia Internacional da Mulher, o Público entende que este é um trocadilho publicável. Com vinte anos, seria de esperar que já tivesse ultrapassado a "idade da parva".

quinta-feira, 4 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Longo Bocejo


ou 
da arte de anunciar o que já (quase) toda a gente sabia que aconteceria.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A multiplicação dos Milagres

Como muito bem apontou um dos meus alunos, não foi apenas a imagem da Senhora a safar-se miraculosamente da tragédia (sem um arranhão, afirmou outro). Sá Carneiro escapou incólume à passagem das águas, pelo que será expectável a sua beatificação* (no mínimo) para breve.

*Isto é um pau de dois bicos: a coisa é difícil (por causa da Snu, até porque ele não tem a desculpa do St.º Agostinho que abandonou a amante em nome da crença - este foi fiel até ao fim, o que é uma lacuna grave), mas por outro lado digam lá que não parece que o busto orienta as águas para o mar.

Boa Semana

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lullaby de Domingo - Na Ilha da gente de (a)braços

 Water is my eye
Most faithful mirror


Se na tragédia se encontra conforto, esse está certamente nas gentes que povoam por estes dias a cidade. Um Teatro enlameado, um Museu desfeito e dezenas de braços a expulsar a água e lama que insiste em parecer multiplicar-se por entre as pás e vassouras que a fustigam. Gente nova (muito nova) que tomou a cidade como sua e que contraria a expressão oficial centrada no Eu e a transforma no Nós vamos reconstruir o que foi destruido. Há inúmeros rostos enlameados, botas de água de todas as formas e feitios e braços cansados que provam que a cidade não é de um ou de poucos/as; que a reconstrução é tarefa ansiada por todos/as, que os desalojados/as são responsabilidade de todos/as, que os mortos irremediavelmente mortos são de todos/as.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sobre a Capa da Visão - uma (outra) perspectiva

A insónia está inquietada no coração da sua igualdade formal pelo Outro, que desnucleia tudo quanto, nela, se banha em repouso, em presença, em sono - tudo quanto se identifica. A insónia é o dilaceramento deste repouso no idêntico."
Emanuel Lévinas, Deus, a Morte e o Tempo

 
Vietname, 1972,  Fotografia de Nick Ut

Corre no facebook um grupo de apelo ao boicote à Visão desta semana, fundamentalmente  chocado com a fotografia duríssima que a ilustra. 
O apelo ao boicote deixou-me, num primeiro momento, perplexa. A imagem é dura? Certamente. Mas não sendo uma fotomontagem, não sendo possível identificar a vítima, não compreendo que ferida de morte à Região é essa que tem indignado, ao momento,  já 1500 membros.  De repente, o fotojornalismo passou a ser apodado de necrófago porque o flash aconteceu aqui mesmo, ao virar da esquina. 

 Sudão, fotografia de Kevin Carter, Prémio Pulitzer em 1994 

Há anos que visionamos, chocamo-nos e sentimo-nos mais humanos com fotografias pungentes vindas de outros sítios menos afortunados: em relação a Eles, dizemos  que é necessário saber da tragédia, enquanto que quando nos toca a Nós evocamos o pudor e a indignação face ao mesmo. critério. O direito à informação só é admissível quando nos glorifica ou então quando nos permite sentir uma piedade confortável em relação a outras aldeias/cidades/países. Acima de tudo, não permitamos confusões: eles não são nossos. O pudor só bate à porta quando o cadáver somos nós. Aí, levantamos as mãos aos céus e gritamos por decoro.


Leipzig, 1945, Robert Capa

Confesso que ainda que o discurso oficial aponte para a necessidade de minimizar os efeitos da tragédia que nos assolou no último fim de semana, apanhou-me de surpresa que muitos/as adoptassem avidamente o apelo. Que se note que não considero que o discurso do coitadinho deva prevalecer ou que não se deva acautelar os interesses económicos; contudo, também é manifestamente exagerado julgarmos que em função de uma tão propalada "Madeira nova" é necessário assobiar para o lado em relação ao que de facto se passou: é preciso haver espaço também para o luto e não apenas varrê-lo juntamente com a lama para debaixo da(s) ribeira(s). 


No que me diz respeito, prefiro uma Ilha dotada de equilíbrio: consciente quanto ao que se passou, esperançosa em relação ao que está por vir.
E não, não vou boicotar a Visão, até porque as reportagens que esta encerra em nada são pouco dignificantes para as pessoas (ao invés desse conceito abstracto e confortável de "povo madeirense") que viveram a tragédia .

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Trigo e o Joio - O Caso Jerónimo Martins vs Grupo Sá

A diferença de comportamento da família Jerónimo de Martins em relação ao Grupo Sá é abismal. A primeira doa um milhão de euros face à tragédia na Ilha. No que diz respeito aos segundos - o Grupo Sá -  as medidas implementadas face à catástrofe passam são o aumento da água em cerca de 30 por cento nos garrafões de 5 litros. Não terei quaisquer dúvidas na escolha da superfície onde efectuar as minhas parcas compras.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ora espeta aqui o teu corninho que eu sou homem, pá!

A defender bem o cavalo nem o metias na arena, ó corajoso de meia tigela.
(agora imagine a chateação do touro com um idiota armado a esperto a espetá-lo com ferros. E já agora, revisão do conceito de coragem que não tem propriamente que ver com tipos atrasados mentais fraquinhos do discernimento* armados em heróis numa arena - a cavalo e com espetos na mão).

*Com a devida vénia à Ana Gomes, autora desta magnífica expressão.

Vídeo visionado pela primeira vez nas moscas do costume.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ao Cuidado da Palmira Silva

 

Sim , O Jornal da Madeira fica ali numa rua que vai dar, mais ou menos, ao Mercado dos Lavradores.

A Água Tomou o Lugar de Tudo (Tolentino Mendonça)


(José Agostinho Baptista)

Lentamente a cidade acorda. Os/as caminhantes com ar sombrio apressam-se pelas ruas sobreviventes. 
Aqui onde estou, a tragédia passou quase ao lado e os estabelecimentos abrem portas (a medo). O som que sai de uma tipografia  a funcionar transmite-me estranho conforto.

*Obrigada Dirim.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Lullaby de Domingo

Miss Scout Niblett: note-se que a menina lançou novo álbum com o título 
The Calcination Of Scout Niblett


Bom Dia.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate.*

Estou aterrada. O Sancho e o Funes são agora amigos no Facebook.

*Na Divina comédia, mais concretamente na porta do Inferno.

Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico

Estes posts sobre um possível (novo) acordo ortográfico podem ser verdadeiramente tromatizantes para quem os redige.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Requiem (Chrome)


"So now you’re in the middle of someone terrible and you’re carrying a tiny crucible."

"Todos os dias 18 mulheres, 2 crianças e 3 idosos são vítimas de violência."

You said “I want you, I don’t want another, I want a girl who knows how to suffer.”

"A denúncia de situações de violência doméstica junto da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou em 2009, sobretudo as de violações e abusos sexuais."

"Every raw boy want relief."

Os maus tratos conjugais representam 90,3% dos crimes registados e que vitimaram mulheres na maioria, mas, também, idosos e crianças, (...).

"You want a girl who’s pale and bled, you want a girl who’s easily led."

"O meu marido sempre me bateu, desde o namoro. "

"Come in, copy, she doesn’t read you, she fed the hand that bit her, she doesn’t need you. "

"Há um dia em que a gente não aguenta mais e decide mudar de vida, sair, ter liberdade para ser feliz. Não foi fácil, tive de sair para uma cidade que não conhecia, ter um emprego que não era o meu (trabalho numa pastelaria); e agora já tenho uma casinha que é arrendada (...). A única coisa que lamento é não ter as coisas resolvidas no tribunal."  

"I’m done with the dark boys, through with the dark boys, done with the dark boys, 
I swear you’ll be the last one."

As vítimas de violência doméstica são mulheres, têm entre 35 e 45 anos, a mesma idade dos agressores, que são homens, em regra os seus companheiros. Existe igualmente uma grande percentagem de envolvidos entre os 25 e 35 anos. E outra semelhança são os níveis de habilitações, o curso superior ou o 9.º ano.

"It’s more than you can hide, more than you can manage. "

Muitas das situações já existiam, só que não eram reveladas. O que é notório é que as pessoas têm mais informação sobre os seus direitos. Temos vindo a constatar esse maior conhecimento quando provavelmente outros países terão feito este percurso mais cedo 

"I’m done with the dark boys, through with the dark boys, done with the dark boys, 
I swear you’ll be the last one."

Toda a informação aqui.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Façam o favor de não perder


Porque todos/as nós temos que ficar a conhecer o poder terrífico do Dim Mak.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

De amor e outros demónios*

Este post, uma conversa em viagem entre Funchal e Lx e a aula de quinta-feira passada em que um dos meus alunos anunciou que gays só pelo penhasco abaixo (bom, não utilizou o termo penhasco, mas percebi-lhe a ideia) inspiram o que eventualmente se segue (pode ser um único post ou mais, conforme o tempo e a disposição): de como a orientação sexual em nada interfere com a criatividade, talento de cada um/a, de como a humanidade de cada um /a de nós não passa por quem e como amamos. E eu não quereria ter que passar (tal como o meu companheiro de viagem o afirmou em relação a Da Vinci, a Platão e outros) sem estas pessoas e o seu talento porque simplesmente outros consideram ter algo a dizer sobre quem ama quem.


(sim, o vídeo é o que me enviaste)

*Título a lembrar um outro do Gabriel Garcia Marquez, que atribuí indevidamente a Isabel Allende(e adulterei sem querer, traída indecentemente pela minha má memória).

Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico


Queremos o hífen da segunda pessoa do singular do verbo haver reposto, midiatamente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pour toi, amie

de Marc Chagall (1887 - 1985)
Bem sabes, minha querida amiga, o quão eu gosto deste pintor... e quando um quadro dele é posto neste nosso compartimento é porque alguém que me é muito querido anda muito feliz.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

"a envenenar-se de poesia e prosa"

Eu não creio em ninguém nem em mim acredito a minha alma há muito perdeu a sua força por isso já não a tenho

Vendia-a barato a um cigano que por aqui passou bateu à porta dentes de ouro a luzir falas mansas desceram abaixo das carnes ao fundo do osso e arrancaram o último suspiro de fé

Não não acredito em nada ou coisa alguma tudo é vazio e vago para se perder na cascata dos sentidos não preciso de alma basta-me a ideia duma cama

Mas não acreditar que nada existe nem no meu nome que é representação e palavra de Deus na terra não significa que não sinta este delírio dum homem perdido a envenenar-se de poesia e prosa

de EMANUEL BENTO

(As mal-assadas e o licor tim-tam-tum foram os meus excessos durante estes dias, não estivesse eu na Madeira. Do Carnaval não consigo gostar. Deste poema: gosto muito.)

Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico


Condições exprimentais são sempre bem vindas (antes da aplicação do mesmo).

The Weight of the World

Os meus alunos (não é engano, as  alunas invariavelmente contestam as posições  dos colegas)  estão indignados com a nova campanha sobre a utilização do preservativo. Consideram decorrer directamente do direito ao casamento civil para pessoas do mesmo sexo, consideram que é uma pouca vergonha e que não nos podemos esquecer que há crianças a ver aquilo. Quando questionei o facto de ainda não lhes ter ouvido indignação quanto a cenas de sexo heterossexual na tv, responderam que isso era normal e saudável.
E pronto, é isto.

"gostar de ti"

Eu podia chamar-te pátria minha dar-te o mais lindo nome português podia dar-te um nome de rainha que este amor é de Pedro por Inês. Mas não há forma não há verso não há leito para este fogo amor para este rio. Como dizer um coração fora do peito? Meu amor transbordou. E eu sem navio. Gostar de ti é um poema que não digo que não há taça amor para este vinho não há guitarra nem cantar de amigo não há flor não há flor de verde pinho. Não há barco nem trigo não há trevo não há palavras para dizer esta canção. Gostar de ti é um poema que não escrevo. Que há um rio sem leito. E eu sem coração. MANUEL ALEGRE Excelentes escolhas, sr. Funes. Muito obrigada.

Boa Semana

domingo, 14 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico


Introespeção (des)controlada.

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama De repente não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo, distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente de Vinícius de Moraes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Por falar em polvo...

Relembremos o "Imperador" da Língua Portuguesa - Padre António Vieira

Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que S. Basílio e Santo Ambrósio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega, que o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor! Oh que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta por encarecimento, que "nas nuvens do ar até a água é escura": Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento, e não à água; a qual em seu próprio elemento é sempre clara, diáfana e transparente, em que nada se pode ocultar, encobrir nem dissimular. E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor! Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo, que também nelas há falsidades, enganos, fingimentos, embustes, ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também podereis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois não o posso negar. Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento ou engano. E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.

in Sermão de Santo António aos Peixes, Padre António Vieira

Nota: o polvo, para além do excerto que transcrevi (foi mais copy and paste), lembra-me também as excelentes sandes que faziam no Golfinho (Porto Santo). O resto é irrisório... Qual máfia, qual carapuça!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Cabo das Tormentas *

Procuro pela próxima lullaby (TEM que ser My Private Lord) e o grooveshark apresenta-me no mínimo 83 páginas. É árduo, o trabalho, quando recorremos ao divino.

*doces, que é sempre um prazer vasculhar por entre a obra do Senhor**.
**Como vês Sancho***, eu até sou uma crente.
Hoje apeteceu-me assim a modos que meter-me contigo.

Hieronymus Bosch (1450 - 1516)

("A Freira" de Bosch)
Sempre tive um certo fascínio por este pintor renascentista. Com humor e perspicácia, revelou/ilustrou, através de alegorias, o espírito das instituições católicas na sua época. Hoje, lembrei-me de Bosch... e tu sabes porquê, EB.

Terceira Margem


Este projecto, idealizado pela APF, concilia o trabalho de seis escritores/as - a saber, Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice, Isabel Mendes Ferreira, Fernando Pinto do Amaral, Helga Moreira e Porfírio Al Brandão - com o trabalho de seis artistas plásticos/as - Pedro Proença, Regina Chulem, Agostinho Santos, Teresa Gonçalves Lobo, Avelino Rocha e Lúcia David - sobre a temática da bissexualidade.

Na Região, a inauguração da exposição Terceira Margem acontece já amanhã, no Teatro Baltazar Dias, pelas 18 horas, com a presença de Teresa Gonçalves Lobo e Porfírio Al Brandão. A exposição estará patente no TBD até ao dia 29 de Fevereiro, altura em que transitará para outro ponto do País. 
Segue-se um jantar no Chega de Saudade, que tem por objectivo a angariação de fundos para a APF.
 
Terceira Margem
Onde a arte é inclusão para a bis.sexualidade.  

Post Scriptum

(ao post Terceira Margem)

Descansa, Sancho, que o teu dinheirinho está salvaguardado para financiar causas maiores, tais como a Marina do Lugar de Baixo ou um novo Estádio a encher com moscas.
Lamentável é que o meu dinheiro também sirva para isto.

(nem me importo que parte vá para a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas: seria bom que investissem em formação sobre planeamento familiar).


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"O Elogio da Loucura"*

(Narciso na Fonte de Caravaggio)
Ai, como eu gosto de ver gente deslumbrada, segura, formosa e descalça (da) a ir para a fonte. (*Título do ensaio: O Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdão)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Mau Tempo no Canal"*

Dirigentes políticos a perseguir jornalistas!? A arredar funcionários/profissionais da comunicação social só por que não agradam aqueles que governam? Ou será que a censura está outra vez na moda? (Clio anda adormecida e um pouco esquecida...) Mas quando é que o bom senso chega à política portuguesa?
(*plágio: Mau Tempo no Canal (1944), é um romance de Vitorino Nemésio)

O Outro Cabo*

O texto que agora posto foi escrito para o blog do Núcleo de Estudantes Sociais-Democratas (não, não faço parte). Partiu de um convite do Baby Boy, que tive todo o prazer em aceitar. 


A razão para o trazer só agora, prende-se com o facto de a minha Coimbra também ser a Tua, em tempos diferentes e espaços provavelmente diferentes. Não interessa, é a nossa Coimbra. E por postá-la aqui hoje, reduzo um bocadinho a distância que, por hora, há entre Nós.


Não tenho memória nítida do dia em que cheguei a Coimbra. Quando recuo, apenas consigo posicionar-me lá, sem data específica. Escrever sobre Coimbra é sempre um exercício de luto.
A minha Coimbra começa na universidade e desce ligeira até ao rio, pelas ruas de pedras redondas, gastas de tantos pés apressados para uma aula, pés cansados de regresso a casa, pés cambaleantes de uma noite por dormir, ou pés parados à conversa com outros pés.
A minha Coimbra é a Universidade e recordo a primeira aula, em que o professor de Epistemologia Geral nos recebeu com um excerto de As Cidades Invisíveis de Italo Calvino e a exortação para que levássemos a Universidade para além das paredes seculares daqueles edifícios. Pediu-nos exactamente o que o professor seguinte, um homem pequenino que pouca (ou má) memória deixou, tanto se esforçava para manter.
A minha Universidade prosseguiu com as aulas de Antropologia Filosófica, que me permitiram desenvolver mais consistentemente a minha consciência feminista, e com essa paixão avassaladora pelas aulas de Filosofia Contemporânea, difíceis, fascinantes, de que ainda hoje sou nostálgica e a que sempre volto (o título e a citação assim as evocam).
A minha Coimbra é a dos Encontros de Fotografia, onde descobri a paixão pelo olhar demorado que os outros depositam nas coisas e nas pessoas e nos lugares; portanto, a minha Coimbra é o Museu Machado de Castro onde estive com Pierre Verger ou o Pátio da Inquisição onde me perdi de amores por Joel-Peter Witkin, ou o edifício das Caldeiras onde ia ter com B. e onde estava a instalação de Nozolino.
É a Coimbra da Travessa de Montarroio, da casa com postigo e cogumelos a nascer atrás do sofá. É a Coimbra do Diligência Bar e das músicas PREC regadas a bom vinho e histórias do Sr. Vítor. É a do Académico, do Clube de Rugby, da States ou do Buraco Negro, lugares onde descobri David Bowie e Pixies, Cake e Toy Dolls, Prodigy e Rammstein (e todos os outros que injustamente ficam por enunciar).
É também a Coimbra onde organizamos Por Levadas e Arraiais na Casa da Madeira; trabalhamos que nem doidos/as, suamos as estopinhas e fizemos juras de que enquanto houvesse memória nunca mais nos meteríamos em nada do género (e a memória é sempre demasiado curta). É a Casa da Madeira da D. Natália, funcionária incansável que nos aligeirava os queixumes e a documentação oficial.
A minha Coimbra nunca foi a do traje académico, com a história pesada da polícia académica; também nunca foi a das trupes da tesoura e da colher de pau, que alegremente perpetuam tradições cuja origem ignoram. A minha Coimbra nunca foi a Coimbra dos “Gang’s de Capa e Batina” (título de uma reportagem que saiu na altura sobre a praxe na revista do DN, assinada pela minha grande amiga Isabel Ventura).
É sede de quase todos os afectos que maior importância tiveram/têm para mim.
A minha Coimbra – que desdenhosa e ingenuamente afirmava não ser minha - foi-me estranha até (quase) ao momento em que soube que tinha que regressar. Aí dei lugar à Coimbra que ainda hoje há em mim.

*Título de um livro de Jacques Derrida.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lullaby extraordinária

Para a semana inteira

Bom dia.

"a difícil arte da melancolia"



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia

Al Berto (Alberto Raposo Pidwell Tavares)
11 de Janeiro de 1948 - 13 de Junho de 1997


Boa Semana

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Apesar de não ser daqui, gosto de aqui estar

Ai que prazer ir de fim-de-semana!

O último grupo apresentou a actividade que eu propus no âmbito da matéria: "Texto Publicitário".
- Marca do serviço/produto: "Never Fat"-Ginásio - Slogan: "Nos seus tempos de lazer: muito exercício fazer, fazer, fazer, fazer.... com PRAZER! Entretanto, deu o toque de saída e lá fiquei eu sozinha.

O alcance do gesto

"O que é de facto a “escrita” senão uma imensa, imensa e insanável, melancolia pelo adeus, e consequente exílio, da coisa de que se fala, assim paradoxalmente a guardando?"
Fernanda Bernardo, Femininografia’s - Pensar-habitar-escrever o mundo no feminino, Apresentação no Congresso Feminista



De repente, numa manhã gradeada pela janela do escritório, trabalho no que adiei por demasiado tempo e descubro a doçura amarga da melancolia da separação, do adeus repetido em cada almoço fugaz, em cada papel de carta, em cada postal endereçado, ou mesmo no texto a proferir (ou proferido) numa conferência. E a minha gratidão é incomensurável. E o meu dia ainda mais feliz (se tal for possível).

Autoria da ilustração:  Egon Schiele

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pelos corredores da escola

bipi bipi bipi bipi bipi bipi (O espírito do Papa-Léguas é mais evidente à saída das aulas! E eu pergunto: De quê fogem eles?!! )

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

E se, de repente, alguém decidisse usar uma cópia do vosso BI para subscrever serviços a empresas que não confirmam os dados e os documentos? O que é que isso dá?

Penhora na certa!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"confronto"

(Imagem de Misha Gordon)
Nos meus sonhos gastos e cansados percebi nas harpas celtas e nas cítaras helénicas uma estranha voz: - a mensagem hiperbórea! Mas acordei e fiquei rosa descarnada imensa do nada e de novembros! Pardo de ironias pestilento de amarguras cegas na imensa e secular rotina em que nos perdemos. de Luiz Beira

Boa Semana


domingo, 24 de janeiro de 2010

Dit D'un Jour

Pour cerner d'un peu plus de tendresse ton nom

(Paul Éluard)

Faça-se a sua vontade

Anda tristonho, o Funes, que  rememora os tempos em que se deparava com o prazer secreto de uma frase - ou mesmo duas -  de Derrida, aqui no blog que seja seu.  É que aqui não é pecado, não precisa tocar nas bordas do livro ou sequer abri-lo. Apenas passar os olhos, como quem não quer ver ou ler, com a desculpa perfeita de eu o obrigar a deparar-se com tais textos indecifráveis. É verdade que nos últimos tempos não tenho trazido até aqui (que é como quem diz, até ao Funes) nada que (lhe) permita a degustação lenta e pouco culposa que reclama.
Assim, porque não o quero triste, ainda por cima hoje, cá vai um excertozinho com dedicatória:

"Quando me comprometo a dizer a verdade, comprometo-me a repetir a mesma coisa, um instante depois, dois instantes depois, no dia seguinte e, de certo modo, por toda a eternidade. "
O Gosto do Segredo, p. 97

Mais calminho agora?

Lullaby de Domingo


Bom dia.

Everybody knows
The dong that silence sings
And this was how it goes