sábado, 13 de fevereiro de 2010
Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico
Soneto da Separação
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Por falar em polvo...
Relembremos o "Imperador" da Língua Portuguesa - Padre António Vieira
“Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que S. Basílio e Santo Ambrósio. O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega, que o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor! Oh que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta por encarecimento, que "nas nuvens do ar até a água é escura": Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento, e não à água; a qual em seu próprio elemento é sempre clara, diáfana e transparente, em que nada se pode ocultar, encobrir nem dissimular. E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor!
Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo, que também nelas há falsidades, enganos, fingimentos, embustes, ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também podereis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois não o posso negar. Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento ou engano. E sabei também que para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser português, não era necessário ser santo.”
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Contributos Para Um Novo Acordo Ortográfico
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Boa Semana
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Lullaby de Domingo
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O Cabo das Tormentas *
*doces, que é sempre um prazer vasculhar por entre a obra do Senhor**.
**Como vês Sancho***, eu até sou uma crente.
Hoje apeteceu-me assim a modos que meter-me contigo.
Hieronymus Bosch (1450 - 1516)
Terceira Margem
Este projecto, idealizado pela APF, concilia o trabalho de seis escritores/as - a saber, Ana Luísa Amaral, Nuno Júdice, Isabel Mendes Ferreira, Fernando Pinto do Amaral, Helga Moreira e Porfírio Al Brandão - com o trabalho de seis artistas plásticos/as - Pedro Proença, Regina Chulem, Agostinho Santos, Teresa Gonçalves Lobo, Avelino Rocha e Lúcia David - sobre a temática da bissexualidade.
Post Scriptum
Lamentável é que o meu dinheiro também sirva para isto.
(nem me importo que parte vá para a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas: seria bom que investissem em formação sobre planeamento familiar).
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
"O Elogio da Loucura"*
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
"Mau Tempo no Canal"*
O Outro Cabo*
A minha Coimbra é a Universidade e recordo a primeira aula, em que o professor de Epistemologia Geral nos recebeu com um excerto de As Cidades Invisíveis de Italo Calvino e a exortação para que levássemos a Universidade para além das paredes seculares daqueles edifícios. Pediu-nos exactamente o que o professor seguinte, um homem pequenino que pouca (ou má) memória deixou, tanto se esforçava para manter.
A minha Universidade prosseguiu com as aulas de Antropologia Filosófica, que me permitiram desenvolver mais consistentemente a minha consciência feminista, e com essa paixão avassaladora pelas aulas de Filosofia Contemporânea, difíceis, fascinantes, de que ainda hoje sou nostálgica e a que sempre volto (o título e a citação assim as evocam).
A minha Coimbra é a dos Encontros de Fotografia, onde descobri a paixão pelo olhar demorado que os outros depositam nas coisas e nas pessoas e nos lugares; portanto, a minha Coimbra é o Museu Machado de Castro onde estive com Pierre Verger ou o Pátio da Inquisição onde me perdi de amores por Joel-Peter Witkin, ou o edifício das Caldeiras onde ia ter com B. e onde estava a instalação de Nozolino.
É a Coimbra da Travessa de Montarroio, da casa com postigo e cogumelos a nascer atrás do sofá. É a Coimbra do Diligência Bar e das músicas PREC regadas a bom vinho e histórias do Sr. Vítor. É a do Académico, do Clube de Rugby, da States ou do Buraco Negro, lugares onde descobri David Bowie e Pixies, Cake e Toy Dolls, Prodigy e Rammstein (e todos os outros que injustamente ficam por enunciar).
É também a Coimbra onde organizamos Por Levadas e Arraiais na Casa da Madeira; trabalhamos que nem doidos/as, suamos as estopinhas e fizemos juras de que enquanto houvesse memória nunca mais nos meteríamos em nada do género (e a memória é sempre demasiado curta). É a Casa da Madeira da D. Natália, funcionária incansável que nos aligeirava os queixumes e a documentação oficial.
A minha Coimbra nunca foi a do traje académico, com a história pesada da polícia académica; também nunca foi a das trupes da tesoura e da colher de pau, que alegremente perpetuam tradições cuja origem ignoram. A minha Coimbra nunca foi a Coimbra dos “Gang’s de Capa e Batina” (título de uma reportagem que saiu na altura sobre a praxe na revista do DN, assinada pela minha grande amiga Isabel Ventura).
É sede de quase todos os afectos que maior importância tiveram/têm para mim.
A minha Coimbra – que desdenhosa e ingenuamente afirmava não ser minha - foi-me estranha até (quase) ao momento em que soube que tinha que regressar. Aí dei lugar à Coimbra que ainda hoje há em mim.





