Numa caixa de comentários, em fim de dia, escrevo com toda a naturalidade hás-de. E contudo, finam-se os tempos da segunda pessoa do singular do verbo haver tal como a conhecemos. É a cerimónia do adeus* (forçado).
* Título roubado a Simone de Beauvoir, que não há(-)de ficar assim tão irritada com o abuso de confiança.**
**Este é o perfeito exemplo de post idiota que me ocorre quando ando a fazer a figurinha a que a HG aludiu neste post.
O nosso belo pássaro, perdão, "pássara"?!
Veio cheio de encantos com os cantos seus e que também são nossos, vossos e de quem os apanhar.
As asas o sol queimou e logo,
Se não tiver cuidado,
As pestanas queimará
Com tantas velas que tem para soprar e apagar.
lá lá lá lá lá lá lá lá nesta data mui querida.
mas eu lembrei-me da canção da Falsa Tartaruga in Alice no País das Maravilhas, porque alguém que eu já não via há muito tempo e por quem tenho muita estima, apreço e muita amizade, no momento em que nos despedíamos, disse-me: "H., é sempre bom vermos esse teu ar sereno e calmo".
BEAUTIFUL Soup, so rich and green,
Waiting in a hot tureen!
Who for such dainties would not stoop?
Soup of the evening, beautiful Soup!
Soup of the evening, beautiful Soup!
Beau--ootiful Soo-oop!
Beau--ootiful Soo-oop!
Soo--oop of the e--e--evening,
Beautiful, beautiful Soup!
Beautiful Soup! Who cares for fish,
Game, or any other dish?
Who would not give all else for two
Pennyworth only of Beautiful Soup?
Pennyworth only of beautiful Soup?
Beau--ootiful Soo-oop!
Beau--ootiful Soo-oop!
Soo--oop of the e--e--evening,
Beautiful, beauti--FUL SOUP!
Beautiful Soup - a poem by Lewis Carroll
(Post scriptum: Daniel, se me deixares ficar na tua casa e comeres sempre tão bem a sopa como hoje, prometo contar-te uma história.)
Imbuídas/os do espírito natalício característico da época, temos o prazer de vos anunciar que o tradicional jantar de Natal/Novo Ano da blogosfera madeirense está agendado para dia 30 de Dezembro, uma espécie de final feliz para o ano 2009, onde engendraremos as principais estratégias para a época bloguística de 2010. Como tal, as/os interessadas/os devem inscrever-se nos seguintes locais: Madeira, Minha Vida, ou aqui mesmo. Poderão também enviar a inscrição para os nossos endereços virtuais.
Atempadamente o local da reunião da confraria será anunciado, assim que os últimos preparativos estejam ultimados.
Os maldispostos pululam por todo lado. Só vejo nadas contrariados a boiar no meio do nada! Sinto-me também no meio do nada.
Há quem passe o tempo a reclamar que nos fins-de-semana não faz nada, a não ser trabalhar; outros a maldizerem do tempo que estão em casa, pois não têm tempo para nada e, ainda, outros a resmungarem que os feriados não lhes valem de nada, porque trabalham muito!
STOP! Eu é que não quero ouvir mais ninguém a falar dos seus “nadas”! Estou farta desses Nadas Cinzentos, Mal Encarados e Desagradáveis! Dos Nadas que nada contribuem para os meus nadas que se chamam Nadas Felizes Revitalizantes. Decididamente, não combinam com os meus nadas.
Eu considero-me uma pessoa que precisa de fazer mesmo nada, e adquiri, com o passar dos anos, a arte de nada fazer, sem remorsos e angústias. Cultivo, quando posso, essa difícil e incompreendida arte.
Nada é um aspecto fulcral para o meu equilíbrio, para não dizer mesmo essencial. Quando me sinto muito poluída com tudo e mais alguma coisa, mergulho no nada. Resulta.
Ficar um fim-de-semana fechada em casa a ler um livro do princípio ao fim, comer, dormir, “vegetar”, ver filmes… mudar a terra à plantinha, olhar os gatos dos vizinhos, ouvir a chuva a cair, ver o pôr-do-sol, beber uma cevada na varanda, enquanto aprecio as cores do mar e do céu, tentando prever o estado do tempo para amanhã… são os meus nadas deliciosos, as minhas pausas tão desejadas, as minhas reticências, o Meu-Bem-Me-Querer.
Depois, na segunda-feira, mais rica, com muita vontade de partilhar, criar e mais serena, saio de casa e regresso a tudo que ficou para fazer ou por fazer.
Explicar porque gosto fazer mesmo nada, é-me difícil e enerva todo o meu ser que passa a fazer e a acumular contas com as provas dos "noves fora, nada!".
O importante é mesmo saber fazer nada, em alguns momentos da nossa vida.
O problema está exactamente no facto de só acordarmos quando as coisas chegam "a este ponto". Todos/as sabiam que ele lhe batia, mas até chegar a este ponto...
Quando nos convenceremos que esta é uma problemática embebida na forma como nos estruturamos enquanto sociedade? Que permitimos que a banalização da violência só nos provoque alguma reacção aquando destes casos extremos? Chegará o dia em que actuaremos na génese e não apenas na remediação do problema?
"Eu digo a palavra porque acredito que aquilo que não dizemos nós também não vemos, não reconhecemos ou lembramos. O que não dizemos transforma-se num segredo, e segredos, muitas vezes, criam vergonha, medos e mitos."
"- Professorááááááá, dê-me o número do 112, a Jéssica está mal!!!!!!"
"- Diz, aqui, no exercício da produção de escrita, que o texto deve ter, no mínimo, 110 palavras. Professora, pode ser umas palavras quaisquer?"
História da Menina Louca
Procuraram toda a casa, toda a terra,
Ninguém a achava.
Ela estava no telhado atrás da chaminé,
Olhava as estrelas e cantava.
Estava tão feliz e sossegada!
Olhava as estrelas e cantava.
Meu Deus, está louca!
Vamos levá-la.
Estava tão feliz!
Olhava as estrelas e cantava.
in Um Ritmo Perdido, de Ana Hatherly
(Obrigada, amigo, foi uma boa forma de iniciar o dia)
Argumentos pró e contra "aimer
pour la beauté du geste"
Oui j'ai déjà aimépour la beauté du gestemais la pomme était dure.Je m'y suis cassé les dents.Ces passions immatures,ces amours indigestesm'ont écoeuré souvent.(...)Mais lorsqu'on ose s'aimerpour la beauté du geste,ce ver dans la pommequi glisse entre les dents,nous embaume le coeur,le cerveau et nous laisseson parfum au dedans.
"Can I come in?"
"No."
"Why?"
"I'm getting dressed."
"Precisely."
"Don't come in, please. You're going to be horribly tired of me. All the books say I'm supposed to guard my mistery."
"I want to watch you get mysteriously dressed."
* Também gostei muito do conceito de anti-valor (em relação a homossexualidade e que coloca em perigo as famílias portuguesas - as dignas desse nome, claro, que umas são mais famílias do que outras), proferido por um dos responsáveis da Igreja em Portugal - não me recordo do senhor, eram tantos homens sentados à volta de uma mesa a decidir pelas consciências de todos os católicos e católicas (?) deste País...
Os intelectuais soen muy ben zurrar
na literatura na poesia no café
Ai how ridiculous ridiculous they are
é verdade ou não, Lord Byron, é ou não é?
Nas pastelarias nas igrejas no café
ai sobretudo sobretudo no café
é verdade ou não é, Lord Byron, é verdade ou não é?
Ai how ridiculous they are
zurrar o sabem no da fror
tempo em que as burras muito hão-de ganhar
como é de D. Dinis (com modificações) o teor
António Gancho, O Ar da Manhã
*Foi-me apresentado por um colega que me tem surpreendido. De repente, numa sala repleta de nada, há alguém que realmente nos fala.
Ao que parece, devo ser das poucas que nunca leu Isabel Alçada e só sabe vagamente em que consiste a colecção Uma Aventura; portanto, até agora, apenas sabia que a senhora tinha escrito uma catrefada de livros juvenis nos quais nunca pus olhinhos. Obviamente que li literatura juvenil; recordo-me das leituras a más horas das colecções Colégio das Quatro Torres e d Patrícia. Esta última foi decididamente a minha paixão mais violenta; era viciada na miúda ruiva e sardenta que andava com um grupo de amigos e um cão em actividades detectivescas (e que obviamente nunca tive a sorte de me acontecerem). A veneração prolongou-se até por volta dos meus 12 anos e até aí reuni todos os livros que consegui apanhar (ano após ano constavam da minha lista de presentes a pedido nos anos e no Natal). Recordo a ofensa que foi ouvir a alguém que aquela paixão haveria de passar. O ultraje foi enorme e secretamente jurei nunca trair a autora de Patrícia, nem a Patrícia, nem o Tim, nem todos os outros. Ao fim de tantos anos, não recordo quem escreveu, nem me lembro da maior parte das personagens. Relego Patrícia apenas para a minha infância e sei que é uma heroína datada.
Por tudo o que desinspiradamente expus anteriormente, não percebo o entusiasmo quase unânime com a mudança para Isabel Alçada. Não compreendo como pessoas adultas colocam esperanças numa pessoa única e exclusivamente porque fez parte do seu universo infantil; ainda que importante, o facto de ter escrito livros juvenis não lhe confere mais ou menos competências para exercer o cargo que agora inicia. Não me interpretem mal; não condeno a senhora por tê-los escrito, nem tão pouco vaticino um desempenho menos brilhante porque os escreveu. Apenas não consigo vislumbrar qualquer correspondência entre o que escreveu e o cargo que agora ocupa. Prefiro esperar para ver.
Confesso que me preocupa o facto de a saber crente em Sócrates.
sorriso foi quem abriu a porta.Era um sorriso com muita luzlá dentro, apeteciaentrar nele, tirar a roupa, ficarnu dentro daquele sorriso.Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade
Passei a semana a ver crianças a correr tresloucadamente e aos gritos nos corredores, nas salas e nos jardins do recinto da escola. Crianças a discutirem com os professores, funcionários e com tudo que se mexia...
Crianças mal-dispostas e com o dedo acusador para o colega do lado. Crianças a serem acusadas de roubos e agressões. Crianças a destruírem material. Crianças a enganar os professores e os pais. Crianças sem vontade de ouvir.
Crianças a fazer exigências, a mentir e dizer palavras feias, muito feias, feiíssimas. Gostam de gritar, mas não têm tempo nem vontade de ouvir.
Crianças que não admitem advertências... conselhos. Não têm tempo nem vontade de ouvir.
Crianças a odiarem os adultos!! Crianças sem tempo nem vontade de ouvir.
Crianças que só proferem e percebem frases do tipo imperativo e da forma negativa; e que acreditam que o seu futuro passa por aguentar o máximo de tempo na escola. Crianças sem tempo nem vontade de ouvir.
O parâmetro mais importante na avaliação de desempenho dos alunos é o tempo, não importa em que nível, nem o conhecimento que possam adquirir. Aprender a aperfeiçoar o fazer mal sem olhar a quem, a quê e nunca perceber o porquê.
A avaliação do professor passa pela resistência psicológica, pela resistência dos ouvidos e da garganta.
Vamos ver quem e que vai ter as melhores notas: os professores ou os alunos?
Eu cá choro por todo este leite derramado... Que desperdício!
Inicio a leitura de um post que mistura Coimbra, Faculdade, cabelos longos e utopias de início de percurso. Imediata e inadvertidamente, redesenho a leitura como se da minha Coimbra e do(s) meu (s)ano se tratasse(m). As minhas personagens povoam o texto até ao momento em que uma data lhes rouba existência; a autora do texto refere-se a 2002 e nessa data já não havia Coimbra para mim (apenas Coimbra em mim).
É verdade que as coisas tendem a melhorar; se há uns anos atrás o fenómeno nem era considerado, hoje há um esforço para que a realidade não continue tão cruel. É uma boa notícia, a existência de um Plano Regional Contra a Violência Doméstica, é uma boa notícia a existência de 3 casas abrigo, é uma boa notícia a sensibilização e especialização de agentes da autoridade para este tipo de crime. É excelente o trabalho desenvolvido pela equipa do Centro de Segurança Social da Madeira e de todas as associações que se dedicam a este flagelo. Mas, como muito bem aponta André Escórcio, não bastam as medidas de remediação e de apoio à vítima, ainda que essenciais. E certo é que essas medidas, pela natureza difícil deste tipo de crime, penalizam ainda mais a vítima, que é quem se esconde e modifica toda a sua vida em função da intolerância de outrem. É preciso ir mais longe no combate a este tipo de crime e apostar na sua prevenção; parece-me essencial que a problemática seja trabalhada nas Escolas, na formação das nossas crianças que convivem com esta realidade e estruturam desde cedo os relacionamentos a dois a partir do princípio de propriedade. É preocupante constatar que em muitos casais adolescentes existam já casos de intolerância em relação ao comportamento do outro; que se valorize a questão do ciúme - que em última análise conduz a comportamentos mais violentos. É preciso apostar na educação dos afectos, na medida em que muitos dos/das nossos/as jovens nunca tiveram exemplo de uma relação saudável em casa e tendem a repetir comportamentos.
(Helena Almeida)
É absolutamente necessário apostar no esbatimento dos preconceitos de género ainda tão arreigados na RAM, em que muitos homens consideram que o comportamento de galo da capoeira ainda está muito bem cotado e em que muitas mulheres consideram que quem deve mandar lá em casa é o elemento do sexo masculino e que ainda precisam de quem delas tome conta.O mais trágico é que este tipo de crença não se verifica somente nas franjas mais empobrecidas; estes princípios são repetidos um pouco por todo o lado, por pessoas que tiveram a oportunidade de crescer e não a aproveitaram condignamente, pessoas com responsabilidade no amanhã da Região e que continuam a perpetuar os costumes sexistas numa Madeira Nova por vir. Não basta anunciá-la, não basta desejá-la. É preciso construí-la e o trabalho começa desde cedo.
É lamentável que um projecto como o EQUAL - Projecto Agir Para a Igualdade não tenha encontrado eco na maior parte das escolas do Funchal, ainda que há algum tempo sejam convidadas para as sessões de sensibilização. Neste ano lectivo, apenas uma escola do Funchal aderiu ao projecto (e curiosamente é o Concelho onde se regista maior número de queixas). Todas as outras escolas integrantes do projecto são de outros concelhos. (o que é, obviamente, uma mais valia para as regiões a que pertencem). Mas não deixa de ser curioso que seja no dito centro da Região, onde a intelectualidade regional tende estar concentrada, que não haja suficiente sensibilização para estas questões. Esclarecedor, não é?
Desafia-me o Sancho a responder a uma das suas muitas provocações; percebo-lhe o horizonte e a finura. Poderia deixar passar em claro, já que o silêncio também escapa radicalmente a caracterizações de conveniência, mas concedo ao Sancho a dádiva da dúvida e assumo a sua pergunta como sendo questionamento genuíno e isento de malícia.
Comecemos (que já não é um começo, dado que este género de diálogo entre nós tem sido, ao longo dos anos, ininterrupto).
Começas por apresentar o Feminist Philosophers como sendo uma associação (concedendo o facto de ignorares se legalmente constituída). Foste muito mais longe do que sou capaz de ir. Nunca vi Este Blog Que Seja Seu como uma associação (ainda que legalmente por constituir), nem o Conspiração às Sete como espaço promotor de uma associação conspiradora (por natureza fora da legalidade).
Na senda deste primeiro ponto, questionas a possibilidade de uma filosofia feminista e apresentas generosamente como contraponto não acreditares igualmente na possibilidade de uma filosofia machista. Começo pelo fim, dado que é conceptualização há muito debatida entre nós, julgando-a eu mais do que debelada: não percebo porque insistes em contrapor feminismo com machismo. Machismo reflecte um posicionamento que procurou e procura inferiorizar as mulheres, ao passo que o feminismo reflecte um pensamento (com múltiplas correntes, sublinho) que pretende um estatuto para as mueres que não as inferiorize em relação aos homens. Falamos, portanto, de conceitos muito diferentes, na medida em que o primeiro procura subjugar as mulheres, enquanto que o segundo pretende libertá-las (o que não significa inferiorizar os homens, note-se). Logo, colocas-me perante um oxímoro quando formulas a questão em tais termos, o que não deixa de ser irónico.
Perguntas, retoricamente, como pode a filosofia ser machista. Não é, respondo-te. Mas não prossigo tão rapidamente para outro ponto como se a questão estivesse resolvida com esta negação. Basta atentar na História da Filosofia para perceber que, em muitos casos, os filósofos representaram as mulheres a partir de um ponto de vista profundamente depreciativo; isto significa que não sendo a Filosofia machista, os seus intervenientes podem efectivamente veicular horizontes falocentricos. Leia-se Platão e Aristóteles, Tertuliano, Santo Agostinho, Rousseau e Nietszche (que exemplarmente citas), entre muitos outros. Obviamente (e é um obviamente devidamente sublinhado) que há que ter em conta os contextos em que os mesmos desenvolveram concepções de inferiorização do feminino - é difícil estar acima da sua época.
À pergunta (que considero outra por tudo o que foi explanado anteriormente - e anteriormente não me refiro apenas a este post), de como pode a filosofia ser feminista, respondo de igual modo. Mas sublinho novamente que não sendo a Filosofia feminista, as questões feministas podem ser pensadas a partir de um discurso filosófico, como de resto foi feito e continua a ser feito; atente-se no trabalho de Santo Anselmo, de Stuart Mill, de Lévinas ou de uma Cixous, para nomear muito poucos/as.
Extrapolando bastante o que me é possibilitado responder (não detenho conhecimento de causa suficiente para acreditar que as/os autoras/es do blog subscrevam tudo o que aqui escrevi) não considero escandalosa a existência de um blog em que se assume uma correlação entre o discurso filosófico e o feminismo.
(Nicholas Stael)
Não tem havido uma neutralidade sexual nos textos filosóficos, nem por parte de quem os escreve nem por parte de quem os lê. Mas é a partir da assunção lúcida e corajosa desta dissimetria que podemos aspirar a pensar um Pensamento anterior e para além da diferença sexual.
Pedem-me o e-mail para, durante o fim-de-semana, enviarem carregadas de T.P.C.´s!! É grelhas e mais grelhas para preencher!! Devem julgar que um professor não tem vida pessoal e que não precisa de descansar!! Apetece-me dizer: “Apaz!!!! N´há pachorra!”*
Tradução: Ó rapaz!!! Não há pachorra!
Quem quiser ter uma ideia em relação ao novo trabalho de Tom Waits, pode passar por aqui, deixar o endereço electrónico e esperar que lhe seja enviado o link para download de algumas faixas do novo trabalho. Enjoy it.
Em vez de estarmos com soluções intermédias, de quem viu, gostou, recomendou, acha que sim, propõe assado... em vez destas soluções intermédias que nos levam a lado nenhum (muito menos à Finlândia), tenho para mim que o Sócrates devia ir à fonte dos milagres: propor ao ministro da educação Finlandês que venha assumir o cargo e ponha a casa em ordem. Para quê rezar aos santos quando se pode pedir a Deus?
E já agora, substituir o nosso primeiro pelo primeiro finlandês. Era capaz de ser coisa para resultar. Sendo que deve ficar bem claro que não aceitamos devoluções.
Em terra que raramente se utiliza os conceitos de forma fidedigna e rigorosa - o facismo e o comunismo estão na boca de todos e serve para apodar a todo/a e qualquer um/a que não alinhe - mais uma demonstração ridícula da intolerância manchou as primeiras páginas: ao que parece AJJ diz só admitir polícias naturais da Região nas múltiplas inaugurações realizadas em vésperas das autárquicas (mas que obviamente não visam "fazer campanha"). Grave é já não estranharmos este tipo de vociferações absurdas e que em nada dignificam as gentes que, apesar de tudo, não se identificam com esta postura. E pergunto-me quantos das fileiras do PSD regional coram de vergonha ao ouvir tais desmandos.
Ainda assim, relembro: pode parecer estranho, mas na Região, nem toda a gente alinha por este diapasão.
"- Então, Excelência - inquire o velho Sozinho - tão cedo e já a chatear as moscas?
- Que se passa, Suacelência? - pergunta o português, emendando a indelicadeza do seu paciente.
- A rapaziada da banda eleitoral - suspira, contendo uma emergente onda de fúria- a rapaziada fugiu com os instrumentos.
- Mas isso é um bambúrrio de azar. Então os bandos roubaram-lhe a banda?
Ignorando o tom irónico da pergunta, o Administrador acena com gravidade. Não se tratava, segundo ele, de um simples furto. Aquilo era uma cabala política, manobra dos inimigos da Pátria.
- Um feiticeiro conhece todos os feiticeiros...- ironiza o velho Sozinho.
- Por que não me respeita, Bartolomeu? A mim que fiz tanto pelo país?
- O país preferia que o senhor não tivesse feito nada.- Por que não gosta de mim?
- Eu gosto da minha terra, da minha gente. E o senhor gosta de quem?
Contudo, o Administrador já desandou, estrada a fora, coxeando levemente. Bartolomeu e Sidónio ficam olhando a figura do dirigente desvanecer-se como se assistissem ao seu ocaso político.
- Sinto pena dele - admite o português.
- Pois eu estou-me merdando para o gajo - remata Bartolomeu.
(...)
- Posso fazer-lhe uma pergunta íntima?
- Depende - respondeu o português.
- O senhor já alguma vez desmaiou, Doutor?- Sim.
- Eu gostava muito de desmaiar. Não queria morrer sem desmaiar.
O desmaio é uma morte preguiçosa, um falecimento de duração temporária. O português, que era um guarda-fronteiras da Vida, que facilitasse uma escapadela dessas, uma breve perda de sentidos.
- Me receite um remédio para eu desmaiar.
O português ri-se. Também a ele lhe apetecia uma intermitente ilucidez, uma pausa na obrigação de existir.
- Uma marretada na cabeça é a única coisa que me ocorre.
Riem-se. Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso."
Em dia de campanha autárquica (so boring!) misturada com as celebrações da implantação da República, descubro isto: "(...) the world's first finest digital news archive" (or at least, that's what they say...)
"Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois factos existe um facto, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir – nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio."
Já antes havia escrito por cá: o problema do Ministério da Educação não estava somente na figura de Maria de Lurdes, e por isso sempre me fez confusão que se clamasse pelo seu, vá, despedimento. É aquela velha história de se mudarem as moscas, mas o restante não. Ora, aqui o restante é mesmo Sócrates. E os rumores que por aí andam são realmente risíveis, mas a verdade é que são irrelevantes. Venha quem vier, com este homem a ***** é sempre a mesma.
Confesso que fiquei deliciada com a ideia de a pasta ser entregue a Margarida Moreira. Por um lado, era para esta gente aprender a não colocar os ovos debaixo da mesma galinha (se bem que a galinha do vizinho também não fosse grande chocadeira).
Não será porque passaram 30 anos que o acto de Polanski se torna mais desculpável. Não serão esses 30 anos que tornarão o facto de ter fugido às autoridades (aquando da consciencialização de que efectivamente iria ser punido) mais ligeiro, mais leve, menos memorável. Mas acresce a tudo isto que não deverá ser por estar ligado às artes, com renome no campo do cinema, que a violação de uma criança de 13 anos (o eufemismo de prática de actos sexuais com uma menor é, no mínimo, curioso) possa passar em branco.Uma violação é uma violação, seja perpetrada por um pobre diabo ao virar da esquina, quer ocorra numa mansão em que se joga com os sonhos adolescentes de uma aspirante a actriz.
Um homem é sempre um homem, responsável pelos seus actos, quer seja um génio ou alguém de muito pouco talento. Foi um acto criminoso. Sem punição. Até agora. Chega tarde, mas que não se apague.
Na forma activa:Esposa traída dá uma valente tareia na amante do esposo.
ou
Na forma passiva: Uma valente tareia é dada pela esposa traída na amante do esposo.
Uma das diferenças é a "esposa traída" que, na forma activa, é o sujeito e, na forma passiva, passa a agente da passiva.
A frase coincide com um facto que me foi relatado há poucos minutos!
E pronto's, mude-se novamente isto, que já pesava, caramba.
É verdade que ainda faltam as autárquicas. Whatever. Certinho, certinho, é que já está (mais ou MENOS) servidinho (por hora).
Para além de continuarmos a carregar com o tipo homónimo de Sócrates, para além de por cá continuarmos com a mesma cantilhena, ainda tivemos a grandessíssima lata de eleger um deputado pelo PP. Só mesmo de negro integral.
Ao longo dos últimos meses, a UMAR reuniu pelo País fora, tomando o pulso às preocupações das mulheres e homens deste Pais. O resultado desses encontros, com mulheres e homens anónimos, associadas da UMAR, simpatizantes, organizações várias que acederam participar na iniciativa, está traduzido no Manifesto Feminista, lançado com o objectivo de confrontar os Partidos Políticos que se propõem a decidir sobre o País. Aqui está o resultado desse trabalho, que elegeu dez áreas fundamentais para esta reflexão:
1 - Violência de Género e nas relações de intimidade.
2 - Mulheres, trabalho e poder.
3 - Educação e formação.
4 - Mulheres imigrantes.
5 - Mutilação genital feminina e outras práticas tradicionais.
6 - Direitos sociais para quem presta serviços sexuais.
7 - Tráfico de mulheres - tráfico de seres humanos.
8 - Saúde e direitos sexuais e reprodutivos.
9 - Direitos LGBT.
10 - Participação política.
São 87, as medidas resultantes destas áreas fundamentais e podem ser lidas aqui (com a devida vénia ao blog Rua do Patrocínio) .
* citação de Florence Thomas e que inaugura o Manifesto.
...em função dos comentários na caixa do post anterior. Saúde, El Memorioso.
*e de caminho para Sócrates e para MFL, no que diz respeito a:
Everybody knows that the boat is leaking
Everybody knows that the captain lied
Esclarecimento prévio a qualquer tentativa de apedrejamento:
Qualquer relação entre Funes e os restantes é inexistente, tendo os três sido referenciados no mesmo post por mera comodidade. Simplesmente na escolha da obra-prima a ofertar, pareceu certeiro o asterisco graças ao teor de parte da lírica.
A autora está perfeitamente ciente de que apesar deste esclarecimento, o apedrejamento seguirá dentro de momentos, pelo simples facto de ter associado Funes a Leonard Cohen.
Espectante, em plena praça pública, ainda assim retorque que Funes tem muita sorte por ter sido associado a LC, terminando a sua defesa com um singelo "povo ingrato".
Num tom bem mais agressivo que a anterior, perfeita para campanhas eleitorais (passe o excesso linguístico, que não propriamente a que dá título ao post).
Em pré-início de ano lectivo, os escaparates das livrarias e editoras anunciam orgulhosamente os instrumentos que melhorarão a vida à classe docente: são cadernetas dO professoR, dO directoR de turma, dO educadoR de infância... sempre assim, masculino neutro, em profissões que são exercidas maioritariamente por mulheres.
Acordo às 2 da manhã, sento-me na cama e avisto a minha camisola castanha que está em cima da cómoda.
Levanto-me, agarro na camisola e dirijo-me à cozinha.
Abro a porta do frigorífico, tiro de lá um iogurte e coloco lá a camisola previamente bem dobrada.
Enquanto bebo o iogurte, olho para os ímanes que estão na porta do frigorífico, com uma péssima sensação.
Num sobressalto, retiro a camisola do frigorífico e ponho-a dentro da máquina de lavar que está mesmo ao lado.
Vou para cama um bocado enervada e a pensar “Esta não percebi!”.
Nota: durante o dia tinham-me avisado várias vezes para não me esquecer de pôr a roupa de cor na máquina de lavar.