domingo, 30 de agosto de 2009

As tradições também se abatem

Hoje, uma tradição atravessou-se-me no vestido de dragão bordado e borboleta vermelha. É uma tradição feia, sonoramente insuportável, que tenta elevar pateticamente aos céus o que há muito é meramente profano. Levanta-se deus e com ele girandolas de canas que depois atravessam dragões, borboletas, cores que placidamente apenas tomam banhos de sol. Morreu-se-me um vestido, mártir de um deus profano, que responde apenas com ornatos de plástico a barrar o céu e com flores moribundas em tapete para que o homem que diz carregar deus nelas passe. E com o corpo do meu vestido inanimado nos braços, enquanto continuam a invadir-me as paredes com a torrente de orações altifaladas mesmo para quem não quer ouvir, repito, as tradições também se abatem.

Lullaby de Domingo



"Diz-me se ainda esperas
Encontrar o sentido
Mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido."

(Mas há alguma coisa que o Manel Cruz faça e que eu não goste?)

sábado, 29 de agosto de 2009

J.S. Bach - Air on the G String, Sarah Chang

Uma mãe à beir(ã) de um ataque de nervos


Na minha direcção, vinham duas mulheres que aparentavam ter os seus trinta e poucos anos, e um rapazinho sorridente de mais ou menos cinco anos, que ia um pouco mais à frente. A mulher que puxava o carrinho com o bebé proferia, muito enervada, tais palavras:
- Vem já par´aqui! Tás a ouvir?! Ai! ainda te vais a rir?!! Ri-te, ri-te! Raios! Com o teu pai tavas era a moer!

Calçada de Carriche

Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga,
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
António Gedeão

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Considerações várias sobre caroços


A caixa de comentários sobre a problemática do caroço tem sido profícua:
O RPS (do Fado Falado e agora também companheiro nesse outro blog de que somos fãs, Funes, El Memorioso) lançou desafio para concurso de lançamento de caroços, o Henrique propôs tabaibos com casca (vide fotografia que ilustra o presente post, proveniente deste espaço). Mas quero destacar as considerações tecidas pelo JR dos Ponteiros Parados (blog recomendadíssimo por nós):
"Uma verdadeira socratina no seu melhor. Um espelho do líder. Os caroços das cerejas estão para a garota como os manuais para os estudantes: dá muito trabalho, não vale a pena. Até porque, no fim, comem-se as mesmas. A diferença é que os estudantes não vão ter empregadas para trabalhar por eles. A não ser que façam batota como a socratina de serviço. E o seu pastor."

E já que estamos com a mão na massa, propomos a leitura, entre outros, deste post do referido blog.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Das mãos à boca

As mãos eram pequeninas e finas, com unhas minúsculas, frágeis, redondas, que coroavam a ponta carnuda dos dedos. As mãos pareciam sair-lhe dos braços de forma desajeitada, demasiado curtas para o resto do corpo, para os braços rechonchudos. Gesticulava muito e os trejeitos de boca ao balbuciar a torrente de assuntos em que se queria especializar confirmavam aquilo que as mãos desde logo tinham dito: um desejo cego de validação incondicional do discurso. Mas este, tal como as mãos, apenas era pequenino.

Subsídios para os últimos dias de Agosto

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Evangelho Segundo Clarice

"Talvez o que houvesse nele fossem apenas ecos de que ouvira dizer: «que no alto de uma montanha a gente descortina.»
Só que ele não descortinou nada. E se, no seu entopercimento, grosseiramente reconheceu aquele instante na montanha, foi apenas porque uma pessoa reconhece o que deseja."
Clarice Lispector, A Maçã no Escuro


Os caroços das cerejas são um problema sério!

Prioridades

Ainda estou emocionada com o tema de capa da Pública de domingo: "O Meu Mundo Encolheu Numa Semana", uma experiência radical levada a cabo por Isabel Coutinho e que nos explica na primeira pessoa como é horroroso viver sem internet e telemóvel e que relegou para segundo plano o texto de Ana Cristina Pereira e Pedro Cunha "A Tensão é a rotina na Bela Vista" que aborda, por sua vez, a dificuldade em sobreviver num bairro com contornos de gueto.

Deus Nos Livre

Desta nova lei das uniões de facto, que nos reduz a escolha pessoal e a liberdade de escolha. Deus nos livre que sem um contrato assinado numa Conservatória* ou num altar, o/a nosso/a companheiro/a tenha direito sobre o que foi nosso. Deus nos livre que essa sacra instituição, civil ou religiosa, não seja a única a conceder direitos aos cidadãos e cidadãs que partilham vida. E principalmente, Deus nos livre de falhar o momento político, ainda por cima quando as coisas parecem correr mais ou menos de feição para o partido de todos/as nós.
Ámen! Graças a Deus!

*Vide caixa de comentários.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Boa Semana

"Razões de uma escolha" - título usurpado ao Entre as Brumas da Memória

Há um passo na entrevista à Carolina Patrocínio que para mim foi muito esclarecedor quando às razões da escolha da moça para mandatária do PS para a Juventude: a menina não gosta de perder, mesmo que para que tal não aconteça tenha que fazer batota. Parece-me em perfeita harmonia com a actuação deste Executivo e respectivos proponentes a mais 4 anos (a confissão bem que podia ter saído do Ministério da Educação, né?).

domingo, 23 de agosto de 2009

Lullaby de Domingo

Algo para refrescar estes últimos dias (quentes) de Agosto:



"No one said
Make something with what's in your head
And the dreams are gone (?)
And the dreams are gone (?)"


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Enquanto a SIC repete reportagens... no canal 1, uma Ferreira Leite rejuvenescida (e quase loira) responde (por vezes) às perguntas de Judite de Sousa.
Haverá mesmo necessidade de a reportagem da SIC sobre o 'massacre de Fortaleza' (há oito anos) revelar (de forma ostentatória) a residência dos pais do condenado? A que é que acresce para a informação (e melhor compreensão do caso) para um telespectador, saber que os pais do Militão moram no número 52 da Praceta X (dito em off), e com direito a planos da varanda, da porta e do prédio da residência das pessoas?

Cogitações avulsas e inconsequentes

De há uns tempos para cá, a maioria da população deste País anda contentíssima com a descoberta de um novo verbo: ressabiar (há uns anos atrás era o empreendedorismo). Vai daí que agora anda tudo feliz e contente a utilizar o termo e seus derivados: em cada esquina um/a ressabiado/a é posto a descoberto pelos bem falantes. Tanto entusiasmo por uma palavra nada tem de mal e faz-me acreditar que o pessoal ainda se deixa fascinar pela língua portuguesa, mas confesso que já me causa melindre vê-la em todo o lado, colada a toda a gente, lançada como se de um trunfo se tratasse. E que tal fazermos uma outra ronda no dicionário e descobrirmos uma outra tão gira quanto esta?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Eu não tenho senão um País e o pior é que é deles/as também

Como bem sabemos, o pior da crise já passou (e graças às medidas espectaculares do executivo, que não teve culpa nenhuma em relação à crise - Global, Global - mas que reclama os débeis sinais de recuperação para si). E portanto, eles não comem tudo, mas comem muito.

Numéros sans noms

Plaisir Partager
(jusqu'un numéro?)

Caixa de Correio



Não será assim tanto, mas a miúda até apresenta algumas ideias pertinentes.
(razão tinha o outro quando afirmava que o saber está em nós, o problema está em esquecermos)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Objecto de Desejo


Suspiro prolongado, a adivinhar o compasso (longo) de espera.


Boa Semana



there's those thinking more or less less is more
but if less is more how you're keeping score?
Means for every point you make
your level drops
kinda like its starting from the top
you can't do that...

domingo, 16 de agosto de 2009

Na Quinta do Orwell


O episódio da troca da bandeira por alguns bloggers do 31 da Armada não me suscita reacção apaixonada. Sugere-me, porém, a reflexão de, em Portugal, os factos se tornarem notícia apenas quando um meio de comunicação tradicional deles se ocupa.
Que me recorde, quer o caso do desafio do blog Rua da Judiaria (Nuno Guerreiro Josué), quer o incidente da cadeira com a blogger (Dina Soares) do Escola de Lavores, quer ainda o pedido feito, via Twitter, por Ana Martins ao deputado Jorge Seguro, para que os deputados se abstivessem de usar a palavra autista como forma de insulto, quer o episódio do 31 da Armada só tiveram eco nacional a partir do momento em que saltaram para os media ditos tradicionais. A médio prazo, será possível que um político português escolha o youtube como ferramenta privilegiada de comunicar algo ao país, mas por enquanto, parece que o formato das conferências de imprensa [tradicionais] continuam a ganhar face às novas tecnologias.

No entando, o que me causa estranheza, são alguns argumentos de defesa à acção dos ditos jovens. Ora, façamos o seguinte exercício: alteremos a identidade das pessoas em questão e pensemos neles como uns jovens candidatos a delinquentes, que usam e abusam de substâncias menos recomendáveis, que não escrevem em blogues, e que não têm apelidos sonantes; mas que decidem trepar (sem recurso a escadarias - sim, há gente que consegue estas coisas, acreditem) pelo mesmo edifício para trocar as bandeiras, não porque sejam monárquicos, mas porque estavam para ali virados (aliás, segundo o blog em questão um dos envolvidos - Henrique Burnay - nem tão pouco é monárquico). Será que esta acção suscitaria tais reacções de defesa baseadas no facto de: "a polícia ter mais que fazer do que perseguir bandos de jovens que não fizeram mal a ninguém?"

Deixando de parte a questão da defesa da monarquia, os comentários de apoio baseados no facto de os rapazes não terem feito nada de mal (de resto, também não via nada de mal em apanhar laranjas ou pêssegos do quintal do lado - teria é que me aguentar se o vizinho não achasse piada e decidisse apresentar queixa), ou que a polícia não tem mais que fazer [que, aliás, é sempre o que me vem à cabeça sempre que sou parada pela (ex) Brigada de Trânsito], ou há crimes muito piores (o que não dizer de alguém que é detido por estar a urinar na via pública, obviamente, que a argumentação a usar será: ouça lá, sr. polícia, não tem mais que fazer? Acha que estou a fazer mal a alguém?) são, no mínimo, singulares.

É que, ainda não consegui entender esta argumentação. Sugerem exactamente o quê? Que se mude o Código Penal para que o acto dos bloggers do 31 da Armada não esteja contemplado no mesmo ou que os mesmos crimes sejam somente aplicados quando os agentes sejam aqueles jovens considerados escumulha? Sim, esses que não têm nomes de bem, nem blogues, ou Internet.
Ilustração de Ralph Steadman

Book Of Longing - Diário de um Concerto já com fotografia* (LC)

Na estranha fila porque queria chegar até isto:

How sweet time feels
When it's too late

and you don't have to follow
her swinging lips

all the way into
your dying imagination.
Leonard Cohen

*via telemóvel

Lullaby de Domingo



(Tinhas razão, a música na viagem foi muito melhor que a que passava no local de destino)
Repescada do baú das memórias, cantámo-la novamente e voltamos à época em que ainda acreditavamos que teríamos tudo.

sábado, 15 de agosto de 2009

Um caso sério (1235)

Ler a Isabela é um ritual que pratico já há alguns anos. Raramente comento, porque tenho sempre muito pouco a acrescentar e é ridículo (parece-me) estar sempre a reescrever o mesmo: belo post/grande post/magnífico post (a Isabela deixa-me sempre com muito poucas palavras). Mas este post é obrigatório e não poderia deixar de o recomendar a quem o quiser apanhar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

My Dear Nefertiti:

"What is this, behind this veil, is it ugly, is it beautiful?
It is shimmering, has it breasts, has it edges?

I am sure it is unique, I am sure it is what I want.
When I am quiet at my cooking I feel it looking, I feel it thinking

Is this the one I am too appear for,
Is this the elect one, the one with black eye-pits and a scar?

Measuring the flour, cutting off the surplus,
Adhering to rules, to rules, to rules.

Is this the one for the annunciation?
My god, what a laugh!

But it shimmers, it does not stop, and I think it wants me.
I would not mind if it were bones, or a pearl button.

I will only take it and go aside quietly.
You will not even hear me opening it, no paper crackle,

(...)

No falling ribbons, no scream at the end.
I do not think you credit me with this discretion. "

Sylvia Plath

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Esto no puede ser no mas que una cancion*

Esta Coimbra que revisito já não é a minha (seja bem vindo quem vier por bem)**. É uma outra, com outras gentes, outros lugares e outros cheiros. É uma cidade que não se permitiu cristalizar. A ponte D. Pedro e D. Inês que pode ser percorrida a pé, a ponte desencontrada em memória dos amores contrariados não pertencia à minha Coimbra. A minha Coimbra é velha, apenas povoadas pelas ruas antigas, pela calçada difícil, pela Sé Velha mais velha com andaimes a conspurcar-lhe as paredes (quando a luz se apaga nas janelas). Na minha Coimbra, de vez em quando, houve o Pinto e o Pratas, houve um rasganço registado em cassete desaparecida na memória, sempre evocada, ainda por achar. Na minha Coimbra nós, mulheres, desenhamos bigodes e prendemos cabelos como forma de furar essa tradição de que mulheres não rasgam homens, nem homens mulheres (O que faz falta é animar a malta). Já não somos nós que calcorreamos a calçada com a impressão de que é nossa, para sempre nossa.

Esta Coimbra que revisito já não é a minha e não tenho coragem para procurar novamente pelo Diligência(s). O Diligência(s) era o sítio no meu tempo que ainda resistia à sua passagem. Foi lá que descobri as benesses de uma sangria e de um cigarro fumado ao som das canções de Zeca Afonso. Primeiramente, timidamente, sentávamo-nos nas mesas mais próximas à porta, com receio de quebrar o encanto dos amigos que lá dentro se reuniam, que cantavam ou dedilhavam as cordas à vez. Com o passar das noites atrevemo-nos e aproximamo-nos cada vez mais (e levavamos outros amigos também). Lá, pela primeira vez, ouvimos o Hasta Siempre ou Yolanda (e aquela praia de gente madura punha-nos a pensar). E voltavamos. Sempre que o bolso nos permitia, ou a vontade apertava (e para nós eram trovas e cantigas de embalar). Tornamo-nos familiares e atrevemo-nos a lançar música pedida, a bater palmas, a trautear refrões a plenos pulmões (afirmamos dente por dente assim) e a pedir estórias e música e vinho.
Desde que saí de Coimbra e a revisito nunca mais voltei ao Diligência(s); pelo medo do que possa (não) encontrar, porque é espaço que ficará eternamente tal como foi naquela altura, como continuo a rememoriar. Voltar a Coimbra é voltar ao Diligência(s) sem lá ir.
Não é necessariamente preciso: Mi soledad se siente acompañada.

*O título e a última frase foram retirados de Yolanda.
**As frases em parêntesis pertencem a Zeca Afonso (ou decorrem de algumas líricas de Zeca Afonso).



domingo, 9 de agosto de 2009

Lullaby de Domingo

Hoje, não poderia ser outra: por ele e por mim, que por cá cirando e revisito esta Coimbra que já foi minha sem nunca realmente o ser, esta Coimbra que deixou de ser minha, mas da qual nunca realmente saí.

Camané

Convite inesperado: "Camané em Vouzela, queres vir?"
Claro que fui. Não sou apreciadora de fado, mas fado cantado por este senhor...
Ouvi embevecida, atenta e comovida, entre muitos, este canto:

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

No Continente, nada de novo (parte 2)


Em contrapartida, os cartazes da campanha da MFL não são muito melhores: apesar do ar manifestamente mais jovial e simpático, ainda assim parece-me sempre que a senhora está numa qualquer repartição pública à espera de utentes; e não me parece que a simpatia se prolongue por muito mais tempo.

No Continente, nada de novo (parte 1)

Aterrar em Lisboa significa dar de caras com o cartaz que a Nefertiti aqui deixou: em cada esquina um Sócrates Narcísico, como bem exemplifica a orientação da campanha. Sócrates em pose de salvador (até tenho pudor em usar a palavra) da Pátria, no meio de um grupo de mulheres (what else) que o olham de forma embevecida, ainda que completamente esbatidas* apenas tem o efeito oposto ao pretendido no meu espírito**.
*Na busca pela imagem referente ao cartaz, encontrei o site Sócrates 2009 e descobri que há um Movimento Sócrates e até tem um ícone. Em meu entender, apenas há um movimento a dedicar ao Sócrates: um chuto daqui para fora.
**Em função do exposto, não consegui efectivar uma reedição da exposição do dito cartaz por aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Diário de um concerto (ainda) sem fotografias - LC

No final do concerto, enquanto me esforçava por me manter em estranha fila, Ceridwen estabelecia contacto com duas norueguesas, que apesar de considerarem o público português muito empático, não hesitaram em apontar a principal falha: o atraso. 21:15 e ainda entrava gente aos magotes no Atlântico, pelo que o concerto teve que começar ainda com as pessoas a aceder calmamente à sala. E concordo com uma das norueguesas na sua afirmação: "you don't do that to an old man."

Diário de um concerto (ainda) sem fotografias - LC

Aqui a esperta viajou sem máquina fotográfica e nem se lembrou de pedir a Ceridwen para levar a máquina guardadora de momentos. Resultado: restou-lhe o telemóvel multi-usos e uma enorme vontade de se autoflagelar com a profusão de flashes disparados no Atlântico. As parcas fotografias tiradas, sem qualidade, permanecem no telemóvel e aguardam regresso a casa para poderem passar para o computador e aí se saber se valem algo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Boa Semana

So let me tell you somethin' sister
Remember your name
No twister
gonna steal your stuff away

Lullaby de Domingo








Uma das faixas de Dark Was The Night.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

21:00 - Hallelujah, dance me to the end of time



Finalmente

"Field Commander Cohen(...)
(...)be your sweetest self awhile until I ask for more, my child."


O que é que estes conseguem fazer juntos?

Posters, certamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Edite Soeiro

Quando a conheci já a voz lhe tremia. Dizia que sentia falta da mãe, que a acompanhara toda a vida. Nunca lhe ouvi um auto-elogio, pois não tinha, decididamente, qualquer queda para o egocentrismo. Sabia-se pioneira, mas não lhe saía qualquer palavra denunciadora do seu papel no jornalismo português. Há muito que estava presa a um mundo mais pequeno que as redacções que ocupou toda a vida.
A morte levou-a hoje, aos 75 anos.
foto de David Clifford, in publico.pt

As Democracias Querem-se Sossegadinhas (pelo menos por estas bandas)

Não tenho qualquer simpatia pelas iniciativas do PND. Não acho que se deva responder na mesma moeda e lá porque o discurso oficial na Região se pauta pela arrogância, despotismo e má educação, não significa que a resposta deva ser similar. Considero que Manuel Coelho não passa de um debochado, que não respeita os votos que lhe foram ingenuamente concedidos. No entanto, é inadmissível o que se passou no passado domingo e consequência que agora se lê. Muito mais digno seria coexistir saudavelmente com a crítica, ao invés do recurso sistemático à coerção descarada (nos últimos tempos veja-se o caso Dossier de Imprensa). Que mania irritante de almejar uma só voz.

domingo, 26 de julho de 2009

"Fazer Já"

Não podia deixar de estar de acordo com AJJ neste desafio a Sócrates. Mas também seria bom que AJJ se prontificasse a "fazer já" o que ameaça/promete há anos: a apoteótica saída.

(Da Busca de ) Principados Renovados

"(...)a natureza dos povos é mutável e, se é fácil persuadi-los de uma coisa, torna-se difícil mantê-los nessa persuasão. Assim, há que proceder de tal sorte que, quando deixarem de acreditar, se possa obrigá-los a crer pela força."

Nicolau Maquiavel, O Príncipe

Começa a festa, que se quer de arromba. O festeiro bisa a experiência e acredita que a memória de todos nós é curta relativamente às promessas de há quatro anos. Também na altura, foram prometidos empregos para um ror de jovens; depois, a justificação do desconhecimento do real estado do País contrariou a euforia da campanha eleitoral. Agora, estamos em tempos que nenhuma justificação é já necessária: um Primeiro com o currículo do nosso julga não precisar cumprir (até agora tem funcionado). Na mente simplista da criatura que se vê todos os dias à borda d'água, apenas precisa de as debitar, crente que a imagem que vê é a imagem que todos os outros vêem também. Erroneamente, esperamos. E se durante a legislatura que agora finda se conseguiu muito pela força, aproxima-se agora o momento de colocarmos o principezinho no devido lugar. Felizmente.

Benesses da Gripe

A gripe providencial que atacou Manuela Ferreira Leite livrou-a da tarefa decadente de aparecer no arraial circense que anualmente por cá se realiza. Acredito que a líder do PSD deve sentir o corpo doente, mas a mente (minimamente) sã. E agora digam que a gripe não faz milagres.

Lullaby de Domingo



Lullaby com dedicatória ao Pêssego aka Repolho aka Gato de Schrodinger aka Tangerina: "hoje é dia de coisas simples." Al Berto

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Telegrama musical

Já ouviram A Mãe de Rodrigo Leão? Ide e que Staples e Hannon vos acompanhe.

Reza a estória...

... que no último jantar de bloggers, fizemos um périplo por vários lugares, desde a Índia até Londres, a passar por um sítio muito kool. Como me instigaram a aqui deixar as fotografias para a posteridade(zinha), cá ficam. E como diz o Jorge C (em outro contexto), porque não há tempo, por hora posta-se assim: em jeito de telegrama.


domingo, 19 de julho de 2009

Agradeço a boleia, Táxi. Adorei.

E tem razão! Mais casas, mais violência doméstica!

Lullaby de Domingo



Did you ever think you lived inside the belly of the beast?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

!

Comentário de um jovem num exame:

"Eu acho muito importante falar da violência doméstica porque há cada vez mais mulheres a bater nos homens".

Com responsáveis assim...

Há dias assim, em que tropeçamos na idiotice alheia e só apetece desatar ao estalo. Obviamente que após a leitura deste apontamento (não será uma notícia sequer desenvolvida, pois não?), assaltam-me duas questões: mas então não são feitas despistagens e reza-se para que o sangue recolhido seja coincidente com os bonitos olhos do/a dador/a? A heterossexualidade é agora sinónimo de monogamia? Que a Deusa me livre de alguma vez necessitar de uma transfusão regida por este tipo de critérios.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Um alfabeto inteiro

Frente a frente, infância e velhice. Ambos do sexo masculino, o miúdo com os caracóis juvenis em jeito de auréola, o homem de cabelos brancos a atestar quem seria o adulto da mesa.Pelos gestos, não parece: O miúdo muito mais desenvolto, rápido, à vontade com os talheres e pratos; O homem, mais cauteloso,os gestos desenhados na lentidão das mãos mais trémulas. Conversam, o mote geralmente lançado pelo miúdo com a expressão "Ó Avô...", o almoço que avança lenta e rapidamente, consoante o comensal observado. A determinada altura, a criança lança para cima da mesa o assunto de todos nós, que histericamente consumimos imagens e palavras que nos permitam ter a ilusão que controlamos alguma coisa:
-Ó avô, o meu Pai tem a Gripe B.
-O quê?
-O meu Pai tem a gripe B. B! - e desenha no ar um enorme e gordo B, caso a audição do interlocutor não permita perceber a letra a que se refere. - E tu? Qual é a tua gripe?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

1992-2009


Para que conste em algum sítio e não apenas na minha memória.

Isto é mesmo real!


A lei islâmica prevê 40 chicotadas para quem se veste de forma “indecente” mas não se aplica a não muçulmanos, mesmo em regiões de maioria islâmica.

Lubna Ahmed al-Hussein, jornalista sudanesa, poderá ser condenada a uma pena de 40 chicotadas por se vestir de forma “indecente”. Lubna encontrava-se num restaurante na capital sudanesa, Cartum, quando as forças policiais prenderam todas as mulheres que usavam calças.

Acusadas do crime de ofensa à ordem moral e pública, dez das 13 mulheres detidas declaram ser culpadas e submeteram-se à pena de dez chicotadas, executada no momento.

(…)

In Público 14/7/2009

Se coincidir com a realidade, peço desculpas


Na reprografia:
- É impressionante como as mulheres conseguem trabalhar e manter uma conversa simultaneamente! As mulheres podem fazer várias coisas ao mesmo tempo… Já os homens só conseguem fazer uma coisa de cada vez. Isso até está provado cientificamente, sabias?
- Olha, não, não sabia, mas falamos depois; agora estou concentrada a organizar estas folhas.
No gabinete:
- É inadmissível! Com um compromisso e andar sempre a tentar seduzir e a enganar outras pessoas!
- Eu sei… mas… Mas isso é uma espécie de paradoxo! Do género: eu não quero, mas, ao mesmo tempo , eu também quero!
No café:
- Que engraçado… nas fotografias que exibes, apareces sempre rodeado de mulheres, não tens amigos homens?
- Claro que tenho, mas, assim, atraio outras mulheres. Elas têm preferência por homens que se fazem acompanhar por muitas mulheres e, se possível, bonitas. Está provado cientificamente!
Numa esplanada:
- Acho que vou esperar pelos saldos para comprar umas calças.
- Há uma marca de calças que eu gosto muito, chama-se Tomates; espera, é Toumatus. Sei que é uma marca estrangeira...
- Uaaauu! Très chic! Chique a valer!
Numa esplanada:
- Bem… O julgamento não correu lá muito bem. Dói-me a garganta, acho que é por causa da obstipação.
- What???!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Epístola de Kiara às/aos Bloggers


Ora muito boa noite, caras amigas e amigos, ansiosos por notícias minhas.
Como muito bem sabeis, esfalfa-se a Woab diariamente por me dar cama, comida e pêlo lavado, o que não é fácil. É certo que sou adorável e de olhos que lembram os olhos dos S. Bernardo, mas com muito mais piada; afio as unhas sempre que posso (em locais menos próprios, é certo) a fim de cumprir com as minhas obrigações; trinco todas as ervas possíveis a fim de expulsar os pêlos que inadvertidamente engulo; percorro a casa com pezinhos de lá para não perturbar em demasia e tenho outros cuidados similares. Enfim, sou uma gata (quase) exemplar. Mas a verdade é que a minha conta bancária é inexistente e quando tenho que me deslocar ao meu médico de família, a Woab arca com as despesas da brincadeira que nunca é de pouca monta. Vai daí que eu, gata letrada e informaticamente activa, topei esta bonita e muito pertinente petição na caixa de correio da Woab - deixemos o pequeno pormenor de lhe andar a ler os mails para outra altura, que não estou com orelhas para admoestações - que solicita que despesas como as referidas (ida ao médico) sejam dedutíveis. Parece-me da mais elementar justiça. É assinar, caras/os amigas/os, é assinar!

Dedução de despesas com saude animal em IRS

Com gratidão,
Esta gata que vos adora.

domingo, 12 de julho de 2009

"A fabricação de subjectividades obedientes"

É angustiante trabalhar num sistema que nos castra, que nos tolhe e que nos ameaça de uma forma tão incompreensível...

Nos intervalos da existência, resta-me fazer algumas leituras para realmente perceber o que está a acontecer... para "nortear" o meu pensamento.


" (...) No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz «a desactivação da acção». É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política à maneira de certos processos psicóticos.
Começou, entretanto, outro processo de avaliação, desta vez da classe médica. Estamos ainda no começo, e nada se pode dizer de definitivo, mas esta nova iniciativa mostra bem que o programa de gestão da sociedade, pelo Estado, não quer deixar ninguém de fora. (...)"

José Gil, Em Busca da Identidade - o desnorte, Relógio D´Água, 2009

Vede bem esta nossa pouca vergonha e ide dar os parabéns à menina


Marakoka, aniversariante camuflada no jantar de ontem, não conseguiu safar-se a ter que soprar as velas de um soberbo bolo de chocolate especialmente dedicado a ela. O Baby agraciou-a com um título assaz pertinente que certamente colocou a nossa menina a ler compulsivamente assim que chegou a casa, lá para as 4 da matina.

Lullaby de Domingo


Não faço ideia que signifique (se é que significa algo) Lunnaya Pogonka. Mas parece-me um excelente acompanhamento para o V jantar de bloggers que por cá se realiza. Da conversa, tratamos nós.

sábado, 11 de julho de 2009

Ó Zé, ninguém está a perceber isto!!




Os requisitos exigidos para concorrer às escolas da Região Autónoma da Madeira foram os mesmos, quer para continentais quer para madeirenses. Não houve distinção. Conheço colegas madeirenses que não obtiveram colocação. Contudo, ninguém ainda apontou o dedo aos continentais que eventualmente estão a “tirar” lugares aos naturais da região.
A Secretaria Regional da Madeira opta apenas por uma lista onde constam os nomes, as habitações e as graduações dos profissionais e estes são chamados mediante às necessidades dos organismos. Nunca ninguém foi retirado do concurso devido à sua origem ou região ou “nacionalidade”.
Agora vêm-me dizer que não posso dar continuidade à minha candidatura no continente porque lecciono num quadro de zona da Madeira! É estranho, é muito esquisito… Não percebo.
A Sr.ª Ministra inicialmente disse que as Regiões dos Açores não eram Portugal. Pensei que tinha sido uma distracção, cansaço e errar é humano, mas constato que ela realmente acredita nisso! E já deu provas que a Madeira também não é Portugal!
O Pior, pior, pior é ter que aturar isto!
O melhor é a senhora Ministra vir de férias. Neste “estrangeiro” as pessoas falam português e conhecem alguma coisa da língua gestual portuguesa, isto no caso do Dr. Pinho também tirar férias e quiser vir, constou-se que também anda cansado.
O famoso navegador Colombo também quando chegou ao continente americano, em 1492, convenceu-se que estava nas costas do Extremo Oriente. Acreditou nesse feito até ao leito da sua morte.

Ai, Portugal, Portugal... Portugal profundo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"A Ensinança de (bem) Cavalgar Toda a Sela"

(clicar na tira para conseguir ler alguma coisa)

Parece que, segundo a nossa Ministra da Educação, os maus resultados nos exames nacionais de matemática são da responsabilidade da comunicação social.

* Título roubado a D. Duarte, reminiscências das aulas de Filosofia em Portugal.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"As Asas"

Andava por aí a voar e alguém falou da Né Ladeiras. Que saudade tenho eu desta bela Voz:

"Voilá mes gestes, voilá mon essence"


“(…) Montaigne escreveu de si: ce ne sont pas mes gestes que j´escris; c´est moi, c´est mon essence. Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo. Por exemplo, agora que contei um pecado, diria com muito gosto alguma bela ação contemporânea, se me lembrasse, mas não me lembra; fica transferida a melhor oportunidade.

Nem perderás em esperar; meu amigo; ao contrário, acode-me agora que... Não só as belas ações são belas em qualquer ocasião, como são também possíveis e prováveis, pela teoria que tenho dos pecados e das virtudes, não menos simples que clara. Reduz a isto que cada pessoa nasce com certo número deles e delas. Aliados por matrimônio para se compensarem na vida. Quando um de tais conjûges é mais forte que o outro, ele só guia o indivíduo, sem que este, por não haver praticado tal virtude ou cometido tal pecado, se possa dizer isento de um ou de outro; mas a regra é dar-se a prática simultânea dos dois, com vantagem do portador de ambos, e alguma vez com resplendor maior da terra e do céu. É pena que eu não possa fundamentar isto com um ou mais casos estranhos; falta-me tempo.

Pelo que me toca, é certo que nasci com alguns daqueles casais, e naturalmente ainda os possuo. Já me sucedeu, aqui no Engenho Novo, por estar uma noite com muita dor de cabeça, desejar que o trem da Central estourasse longe dos meus ouvidos e interrompesse a linha por muitas horas, ainda que morresse alguém; e no dia seguinte perdi o trem da mesma estrada, por ter ido dar a minha bengala a um cego que não trazia bordão, Voilá mes gestes, voilá mon essence.”


Machado de Assis, Dom Casmurro

terça-feira, 7 de julho de 2009

"Vós que aqui entrais, abandonai todas as esperanças"

O Atendimento dos Recursos Humanos do Ministério da Educação é sem dúvida o pior de todos os tempos... Esclarecimentos?! Só depois de horas a fio a ouvir Vivaldi e olha lá!


Há coisas mesmo porreiras, pá!

Nota: não se atrevam a clicar no título, pois terão uma VISÃO muito... porreira, pá!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Rendição total

Este post teve início aqui e por hoje continua do seguinte modo:

(...) e esta sou eu, Sebastiana Maria de Jesus, um quarto de cristã-nova, que tenho visões e revelações, mas disseram-me no tribunal que era fingimento, (...)aqui vou blasfema, herética, temerária, amordaçada para que não me ouçam as temeridades, as heresias e as blasfémias, condenada a ser açoitada em público e a oito anos de degredo no reino de Angola, e tendo ouvido as sentenças, as minhas e mais de quem comigo vai nesta procissão, não ouvi que se falasse da minha filha, é seu nome Blimunda, onde estará, onde estás Blimunda, se não foste presa depois de mim, aqui hás-de vir saber da tua mãe, e eu te verei se no meio dessa multidão estiveres, que só para te ver quero agora os olhos, a boca me amordaçaram, não os olhos, olhos que não te viram, coração que sente e sentiu, ó coração meu, salta-me no peito se Blimunda aí estiver, entre aquela gente que está cuspindo para mim e atirando cascas de melancia e imundícies, ai como estão enganados, só eu sei que todos poderiam ser santos, assim o quisessem, e não posso gritá-lo, enfim o peito me deu sinal, gemeu profundamente o coração, vou ver Blimunda, filha minha, e já me viu, e não pode falar, tem de fingir que me não conhece ou me despreza, mãe feiticeira e marrana ainda que apenas um quarto, já me viu, e ao lado dela está o padre Bartolomeu Lourenço, não fales, Blimunda, olha só, olha com esses teus olhos que tudo são capazes de ver, (...).
José Saramago, Memorial do Convento


Amanhã parto com as minhas crianças para um capricho que só uma directora de turma acarreta e levo comigo este livro. Sim, este. À terceira tentativa, estou agarrada, que é como quem diz, perdida.

Boa Semana

domingo, 5 de julho de 2009

Acabou em três dias


(Fotografia tirada por Alix, que aqui a esperta não levou máquina)

Por compromissos profissionais, não consegui estar na noite de sexta no Funchal Jazz (e perdi o Ron Carter, que dizem as boas línguas que foi imperdível). Ontem lá consegui comparecer e se gostei dos concertos no Parque de Santa Catarina, amei mesmo a jam session no O'briens, noite dentro. Darryl Hall, contrabaixista de Benny Golson/Cedar Walton Quintet foi absolutamente incansável. Resta esperar pelo próximo ano.

Sem pau nem pedra

Ainda não me refiz do choque em relação à capa da Visão desta semana. Ao passar pelas bancas, desdenhosamente ri-me da capa da Sábado, com o óbvio MJ. O susto que apanhei quando cheguei a casa é indescritível: MST como tema de capa. Castigo óbvio da Deusa.

PS: Não, ainda não li a entrevista, um susto de cada vez.

Lullaby de Domingo



1001 nights - Lhasa

O que roda comigo nas viagens:

A thousand and one nights of this
And then the change will come
And then I will be free


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sim, assumo, sou uma pessoa triste...

Naturalmente triste. Irremediavelmente triste. Tão triste, tristemente, que nem sei bem o que é tristeza...

Já tinha saudades de ouvir Chico Buarque...

Cantemos esta bela canção!
(basta clicar)

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Para uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revirando o dia
Noite e dia, noite e dia

"Fantasia" de Chico Buarque



Memória selectiva (e ainda bem)

No dia em que toda a gente fala disto apenas recordo este outro acontecimento do dia (ou melhor, da noite). Bem mais aprazível. Nas ilhas, por vezes, a magia também acontece.

PS: Eu gosto da voz da Vânia Fernandes. Mas perdeu-me assim que percebi que estava a cantar I Loves you Porgy, com um arranjo que só me permitiu reconhecê-la já a música ia no apogeu - e tal reconhecimento deu-se apenas pela letra. Há coisas em que não se mexe, e esta intemporal ainda ressoa ao meu ouvido pela genial Nina Simone.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Send a whale!

A greenpeace lançou uma campanha para pedir (apenas mais uma vez...) ao governo do Japão que pare com a caça à baleia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Waiting for another miracle

Acerca de nós repita-se, antes, o dito do profeta Asaph: «Sois Deuses e todos filhos do Altíssimo.» De tal modo que, abusando da indulgentíssima liberalidade do Pai, não tornemos nociva, em vez de salutar, a livre escolha que ele nos concedeu. Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível.
Giovanni Pico Della Mirandola, Discurso Sobre a Dignidade do Homem

Óculos, para que vos quero?

Ontem, no final do dia, fui ao oftalmologista. Entretanto, quando ia a sair do consultório, encontrei uma amiga que me convidou para ir com ela às compras.
Doía-me a cabeça, não me sentia nada bem e, com um ar um pouco enjoado, disse-lhe:
- Compras? Não, obrigada. Olha, acabei de comprar uns óculos que me custaram os olhos da cara, acreditas? Estou escandalizada!! Até fiquei cega!
Ficámos durante algum tempo em silêncio, a moer o que tinha dito.
Por fim, desatámo-nos a rir.

Saúde, passa bem


“(…) Saudar vem do latim: salutem dare (dar, desejar saúde). Ainda se diz nas aldeias: ‘negar a salvação a alguém’, com o sentido de recusar-se a cumprimentar uma pessoa. Saudade tem aqui igualmente o seu étimo. Veja-se, por exemplo, a expressão: mandar muitas saudades. A saudade é aquele sentimento de solidão que tem na sua base a falta da pessoa querida. Ter saudades e enviar saudades é aquele desejo de que quem partiu e anda longe, esteja onde estiver, passe bem…
(…) os santos com os quais habitualmente contactamos julgamos que são aquelas figuras geralmente muito feias, torcidas e até por vezes ridículas que vemos em muitos altares das igrejas e que são levadas a passear pelas ruas uma vez por ano nas romarias. Mesmo quando nos reportamos àqueles homens e àquelas mulheres reais de carne e osso, que aquelas figuras quereriam representar, vemo-los a maior parte das vezes como beatos, tristes, a bichanar orações, desagradados com a vida, deprimidos, de relações cortadas com o sexo oposto, ascetas a quem não é permitido apreciar as coisas boas da vida…”
In Religião - opressão ou Libertação?, Anselmo Borges

terça-feira, 30 de junho de 2009


Waiting for the miracle



Em contagem decrescente para 30 de Julho de 2009:

There's nothing left to do
I haven't been this happy
since the end of World War II

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Serviço Público: 1974 - "Revolução Aberta / Arte Liberta"

In Memoriam


(Imagem: algures da net)

Com a Dr. ª Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, jazem as minhas esperanças de um futuro melhor para o país.

Ofereço material didáctico (manuais e CD...) de Português

Livros (do 3.º Ciclo e Secundário) que fui obtendo e que nunca usei...

Deixem aqui endereços e solicitações, pois eu terei muito gosto em enviar o referido material. Obrigada.

Boa Semana


V Jantar de Bloggers na Região


Uma vez mais, o Madeira, Minha vida organiza o evento. Dia 11 de Julho, pelas 20h e 30min (o organizador deixa o local por enquanto por divulgar, mas a atestar pelos locais anteriores, não estaremos nada mal servidas/os).
Inscrições para o correio electrónico do Baby Boy Swim ou na caixa de comentários do blog do nosso amigo.

domingo, 28 de junho de 2009

Massagens

As redes sociais têm várias utilidades. Há quem as use para aumentar o seu círculo social, para melhorar o seu relacionamento interpessoal (também já ouvi falar em casos em que se tenta melhorar o relacionamento intrapessoal, contudo, ainda não compreendi bem o alcance da coisa). Há quem não as use. Isto é, usam-nas para manifestar a diferença. O direito a não pertencer a essas coisas tão superficiais.

Eu uso-as para massajar o ego. Na mesma semana, o facebook diz-me que sou a Greta Garbo, a mexicana María Félix (a devoradora de homens - como se ninguém soubesse...) e quando lhe pergunto que músico português seria, o raio do bicho devolve-me o Manuel Cruz. Portanto, aquela parte do resultado do quiz que refere que eu sou uma amiba está fora de validade e o que vigora é a minha semelhança com o genial M.C. (e volto a dizer: saudosos Ornatos).

Lullaby de Domingo

Será a nossa pista privada, sussurrou-me ao ouvido e a primeira que passou foi mesmo Iggy Pop. Complicado mesmo foi andar aos saltos, de saltos. Whatever. A coisa faz-se, o dia seguinte é que é um bocadinho mais complicado...



sábado, 27 de junho de 2009

Eleições Autárquicas - o voto dos estudantes deslocados

Em ano de eleições legislativas e autárquicas, cá vai alguma informação útil, via Madeira, minha Vida:

Em relação às eleições autárquicas, uma achega aos estudantes deslocados, a fim de que possam exercer o seu direito de voto, ainda que antecipadamente:
Deverão solicitar, no estabelecimento de ensino que frequentam, o comprovativo de matrícula e entregá-lo na Câmara Municipal da sua área de residência na Região Autónoma da Madeira, juntamente com fotocópias do BI (autenticada nos serviços camarários) e do cartão do eleitor, mediante requerimento para exercer o seu direito de voto.
Assim, urge que antes do regresso para férias, tratem do referido documento por forma a conseguirem participar neste acto eleitoral.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Guardadora de Rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.

Nos longos 150 min+30min de tolerância da prova de Matemática B, lembrei-me inúmeras vezes do Caeiro Guardador de Rebanhos. Porque ali estava eu, guardadora, sem lobo mau à vista que fizesse com que o tempo fosse menos lento.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.

Mas não são. Os meus pensamentos desesperam e concentram-se sem querer no tempo que numa manhã se faz sempre o mesmo e o ponteiro não passa (por onde?) e os segundos não andam. Tento ignorá-lo, mas é como a insónia na noite que precede a vigia em que o sono é substituído por um malicioso é preciso ter sono. Nada. Nem sono à noite, nem vigília ligeira de dia, nem ruído de chocalhos para além da curva da estrada em que os meus pensamentos sejam contentes.

Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim

Nem versos escrevo num papel escondido no meu pensamento, porque não sou poeta, nem sou Caeiro, nem tampouco sinto um cajado nas mãos.
Eu nunca guardei rebanhos, mas nesta altura do ano é como se os guardasse, andarilha de quatros paredes, sem outro objectivo que não contar o tempo enquanto os/as miúdas suam, tremem, lêem, escrevem, hesitam, desesperam, rascunham, riscam... e eu nada, apenas andar sem norte, sem olhá-los/las em demasia para não os/as desconcentrar, enervar, perturbar. Ansiosa por um pedido de folha renovada, ou de mais uma folha de rascunho, ao menos uma assinatura que ocupe 5 segundos dos 150 min+30 de tolerância.

E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Hoje fui guardadora sem rebanho, porque nem olho as minhas ideias, é terreno estéril. E quero fingir que compreendo o sentido de tudo isto, mas não consigo. Apenas bocejo e espero que ao menos os miúdos tenham sorte. Mesmo sem manga do bibe riscado, apenas o suor da testa quente.

domingo, 21 de junho de 2009

"O mundo de Sophia"

" Vida é uma ópera e uma grande ópera"

de Eugène Delacroix
"(...)
Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do Céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que mais valia que os outros, - e acaso para reconciliar-se com céu - compôs a partitura, e logo que acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
- Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
- Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
- Mas, Senhor...
- Nada! Nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do Céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
- Ouvi agora os ensaios!
- Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades, o maestro abusa das massas corais, encobrindo muitas vezes o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícias. Tal é a opinião dos imparciais.
(....)"

In Dom Casmurro, Machado de Assis

"Il y a longtemps que je t´aime..."



Como é hábito, vejo sempre um filme à sexta. Continuei com o hábito, mas vi o filme ao sábado.

Lullaby de Domingo



Giulia y Los Tellarini como banda sonora de um final de aulas sempre dramático. Desde as súplicas, promessas, juras de amor eterno - e ódio visceral - há de tudo. O choro é uma constante e são dias intensos no interior de uma escola em que - dizem muitas línguas - está já tudo de férias há um ror de tempo. Se isto são férias, quero regressar ao trabalho.

sábado, 20 de junho de 2009

Biografia

excêntrica*



*Euromilhões

"Não faça isso, querida!"


Capítulo CXIX

"A leitora, que é minha amiga e abriu este livro com o fim de descansar da cavatina para a valsa de hoje, quer fechá-lo às pressas, ao ver que abeiramos um abismo. Não faça isso, querida; eu mudo de rumo."

in Dom Casmurro de Machado de Assis

Perante este original pedido, dispensei a valsa e passei a noite a "ouvir" o Dom Casmurro.



quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ao Pêssego

Pêssego, eu ponho os óculos para te ver pior!