domingo, 30 de agosto de 2009
As tradições também se abatem
Lullaby de Domingo
"Diz-me se ainda esperas
Encontrar o sentido
Mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido."
(Mas há alguma coisa que o Manel Cruz faça e que eu não goste?)
sábado, 29 de agosto de 2009
J.S. Bach - Air on the G String, Sarah Chang
Uma mãe à beir(ã) de um ataque de nervos
Calçada de Carriche
Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.
Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga,
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.
Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.
António Gedeão
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Considerações várias sobre caroços

O RPS (do Fado Falado e agora também companheiro nesse outro blog de que somos fãs, Funes, El Memorioso) lançou desafio para concurso de lançamento de caroços, o Henrique propôs tabaibos com casca (vide fotografia que ilustra o presente post, proveniente deste espaço). Mas quero destacar as considerações tecidas pelo JR dos Ponteiros Parados (blog recomendadíssimo por nós):
"Uma verdadeira socratina no seu melhor. Um espelho do líder. Os caroços das cerejas estão para a garota como os manuais para os estudantes: dá muito trabalho, não vale a pena. Até porque, no fim, comem-se as mesmas. A diferença é que os estudantes não vão ter empregadas para trabalhar por eles. A não ser que façam batota como a socratina de serviço. E o seu pastor."
E já que estamos com a mão na massa, propomos a leitura, entre outros, deste post do referido blog.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Das mãos à boca
Subsídios para os últimos dias de Agosto
terça-feira, 25 de agosto de 2009
O Evangelho Segundo Clarice
Só que ele não descortinou nada. E se, no seu entopercimento, grosseiramente reconheceu aquele instante na montanha, foi apenas porque uma pessoa reconhece o que deseja."
Os caroços das cerejas são um problema sério!
Prioridades
Deus Nos Livre
Ámen! Graças a Deus!
*Vide caixa de comentários.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
"Razões de uma escolha" - título usurpado ao Entre as Brumas da Memória
domingo, 23 de agosto de 2009
Lullaby de Domingo
"No one said
Make something with what's in your head
And the dreams are gone (?)
And the dreams are gone (?)"
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Cogitações avulsas e inconsequentes
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Eu não tenho senão um País e o pior é que é deles/as também
Numéros sans noms
(jusqu'un numéro?)
Caixa de Correio
Não será assim tanto, mas a miúda até apresenta algumas ideias pertinentes.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Objecto de Desejo
Boa Semana
there's those thinking more or less less is more
but if less is more how you're keeping score?
Means for every point you make
your level drops
kinda like its starting from the top
you can't do that...
domingo, 16 de agosto de 2009
Na Quinta do Orwell

Que me recorde, quer o caso do desafio do blog Rua da Judiaria (Nuno Guerreiro Josué), quer o incidente da cadeira com a blogger (Dina Soares) do Escola de Lavores, quer ainda o pedido feito, via Twitter, por Ana Martins ao deputado Jorge Seguro, para que os deputados se abstivessem de usar a palavra autista como forma de insulto, quer o episódio do 31 da Armada só tiveram eco nacional a partir do momento em que saltaram para os media ditos tradicionais. A médio prazo, será possível que um político português escolha o youtube como ferramenta privilegiada de comunicar algo ao país, mas por enquanto, parece que o formato das conferências de imprensa [tradicionais] continuam a ganhar face às novas tecnologias.
No entando, o que me causa estranheza, são alguns argumentos de defesa à acção dos ditos jovens. Ora, façamos o seguinte exercício: alteremos a identidade das pessoas em questão e pensemos neles como uns jovens candidatos a delinquentes, que usam e abusam de substâncias menos recomendáveis, que não escrevem em blogues, e que não têm apelidos sonantes; mas que decidem trepar (sem recurso a escadarias - sim, há gente que consegue estas coisas, acreditem) pelo mesmo edifício para trocar as bandeiras, não porque sejam monárquicos, mas porque estavam para ali virados (aliás, segundo o blog em questão um dos envolvidos - Henrique Burnay - nem tão pouco é monárquico). Será que esta acção suscitaria tais reacções de defesa baseadas no facto de: "a polícia ter mais que fazer do que perseguir bandos de jovens que não fizeram mal a ninguém?"
Deixando de parte a questão da defesa da monarquia, os comentários de apoio baseados no facto de os rapazes não terem feito nada de mal (de resto, também não via nada de mal em apanhar laranjas ou pêssegos do quintal do lado - teria é que me aguentar se o vizinho não achasse piada e decidisse apresentar queixa), ou que a polícia não tem mais que fazer [que, aliás, é sempre o que me vem à cabeça sempre que sou parada pela (ex) Brigada de Trânsito], ou há crimes muito piores (o que não dizer de alguém que é detido por estar a urinar na via pública, obviamente, que a argumentação a usar será: ouça lá, sr. polícia, não tem mais que fazer? Acha que estou a fazer mal a alguém?) são, no mínimo, singulares.
É que, ainda não consegui entender esta argumentação. Sugerem exactamente o quê? Que se mude o Código Penal para que o acto dos bloggers do 31 da Armada não esteja contemplado no mesmo ou que os mesmos crimes sejam somente aplicados quando os agentes sejam aqueles jovens considerados escumulha? Sim, esses que não têm nomes de bem, nem blogues, ou Internet.
Ilustração de Ralph Steadman
Book Of Longing - Diário de um Concerto já com fotografia* (LC)

How sweet time feels
When it's too late
and you don't have to follow
her swinging lips
all the way into
your dying imagination.
Leonard Cohen
Lullaby de Domingo
(Tinhas razão, a música na viagem foi muito melhor que a que passava no local de destino)
sábado, 15 de agosto de 2009
Um caso sério (1235)
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
My Dear Nefertiti:
It is shimmering, has it breasts, has it edges?
I am sure it is unique, I am sure it is what I want.
When I am quiet at my cooking I feel it looking, I feel it thinking
Is this the one I am too appear for,
Is this the elect one, the one with black eye-pits and a scar?
Measuring the flour, cutting off the surplus,
Adhering to rules, to rules, to rules.
Is this the one for the annunciation?
My god, what a laugh!
But it shimmers, it does not stop, and I think it wants me.
I would not mind if it were bones, or a pearl button.
I will only take it and go aside quietly.
You will not even hear me opening it, no paper crackle,
(...)
No falling ribbons, no scream at the end.
I do not think you credit me with this discretion. "
Sylvia Plath
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Esto no puede ser no mas que una cancion*
Esta Coimbra que revisito já não é a minha e não tenho coragem para procurar novamente pelo Diligência(s). O Diligência(s) era o sítio no meu tempo que ainda resistia à sua passagem. Foi lá que descobri as benesses de uma sangria e de um cigarro fumado ao som das canções de Zeca Afonso. Primeiramente, timidamente, sentávamo-nos nas mesas mais próximas à porta, com receio de quebrar o encanto dos amigos que lá dentro se reuniam, que cantavam ou dedilhavam as cordas à vez. Com o passar das noites atrevemo-nos e aproximamo-nos cada vez mais (e levavamos outros amigos também). Lá, pela primeira vez, ouvimos o Hasta Siempre ou Yolanda (e aquela praia de gente madura punha-nos a pensar). E voltavamos. Sempre que o bolso nos permitia, ou a vontade apertava (e para nós eram trovas e cantigas de embalar). Tornamo-nos familiares e atrevemo-nos a lançar música pedida, a bater palmas, a trautear refrões a plenos pulmões (afirmamos dente por dente assim) e a pedir estórias e música e vinho.
Desde que saí de Coimbra e a revisito nunca mais voltei ao Diligência(s); pelo medo do que possa (não) encontrar, porque é espaço que ficará eternamente tal como foi naquela altura, como continuo a rememoriar. Voltar a Coimbra é voltar ao Diligência(s) sem lá ir.
Não é necessariamente preciso: Mi soledad se siente acompañada.
*O título e a última frase foram retirados de Yolanda.
**As frases em parêntesis pertencem a Zeca Afonso (ou decorrem de algumas líricas de Zeca Afonso).
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Lullaby de Domingo
Camané
Claro que fui. Não sou apreciadora de fado, mas fado cantado por este senhor...
Ouvi embevecida, atenta e comovida, entre muitos, este canto:
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
No Continente, nada de novo (parte 2)

No Continente, nada de novo (parte 1)
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Diário de um concerto (ainda) sem fotografias - LC
Diário de um concerto (ainda) sem fotografias - LC
domingo, 2 de agosto de 2009
Boa Semana
So let me tell you somethin' sister Remember your name No twister gonna steal your stuff away
Lullaby de Domingo
quinta-feira, 30 de julho de 2009
21:00 - Hallelujah, dance me to the end of time
Finalmente
"Field Commander Cohen(...)
(...)be your sweetest self awhile until I ask for more, my child."
O que é que estes conseguem fazer juntos?
terça-feira, 28 de julho de 2009
Edite Soeiro
As Democracias Querem-se Sossegadinhas (pelo menos por estas bandas)
segunda-feira, 27 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
"Fazer Já"
(Da Busca de ) Principados Renovados
Benesses da Gripe
Lullaby de Domingo
Lullaby com dedicatória ao Pêssego aka Repolho aka Gato de Schrodinger aka Tangerina: "hoje é dia de coisas simples." Al Berto
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Reza a estória...


segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Agradeço a boleia, Táxi. Adorei.
Lullaby de Domingo
Did you ever think you lived inside the belly of the beast?
sexta-feira, 17 de julho de 2009
!
"Eu acho muito importante falar da violência doméstica porque há cada vez mais mulheres a bater nos homens".
Com responsáveis assim...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Um alfabeto inteiro
-Ó avô, o meu Pai tem a Gripe B.
-O quê?
-O meu Pai tem a gripe B. B! - e desenha no ar um enorme e gordo B, caso a audição do interlocutor não permita perceber a letra a que se refere. - E tu? Qual é a tua gripe?
quarta-feira, 15 de julho de 2009
1992-2009
Para que conste em algum sítio e não apenas na minha memória.
Isto é mesmo real!
A lei islâmica prevê 40 chicotadas para quem se veste de forma “indecente” mas não se aplica a não muçulmanos, mesmo em regiões de maioria islâmica.
Lubna Ahmed al-Hussein, jornalista sudanesa, poderá ser condenada a uma pena de 40 chicotadas por se vestir de forma “indecente”. Lubna encontrava-se num restaurante na capital sudanesa, Cartum, quando as forças policiais prenderam todas as mulheres que usavam calças.
Acusadas do crime de ofensa à ordem moral e pública, dez das 13 mulheres detidas declaram ser culpadas e submeteram-se à pena de dez chicotadas, executada no momento.
(…)
In Público 14/7/2009
Se coincidir com a realidade, peço desculpas
terça-feira, 14 de julho de 2009
Epístola de Kiara às/aos Bloggers
Como muito bem sabeis, esfalfa-se a Woab diariamente por me dar cama, comida e pêlo lavado, o que não é fácil. É certo que sou adorável e de olhos que lembram os olhos dos S. Bernardo, mas com muito mais piada; afio as unhas sempre que posso (em locais menos próprios, é certo) a fim de cumprir com as minhas obrigações; trinco todas as ervas possíveis a fim de expulsar os pêlos que inadvertidamente engulo; percorro a casa com pezinhos de lá para não perturbar em demasia e tenho outros cuidados similares. Enfim, sou uma gata (quase) exemplar. Mas a verdade é que a minha conta bancária é inexistente e quando tenho que me deslocar ao meu médico de família, a Woab arca com as despesas da brincadeira que nunca é de pouca monta. Vai daí que eu, gata letrada e informaticamente activa, topei esta bonita e muito pertinente petição na caixa de correio da Woab - deixemos o pequeno pormenor de lhe andar a ler os mails para outra altura, que não estou com orelhas para admoestações - que solicita que despesas como as referidas (ida ao médico) sejam dedutíveis. Parece-me da mais elementar justiça. É assinar, caras/os amigas/os, é assinar!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
"A fabricação de subjectividades obedientes"
Nos intervalos da existência, resta-me fazer algumas leituras para realmente perceber o que está a acontecer... para "nortear" o meu pensamento.
" (...) No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz «a desactivação da acção». É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política à maneira de certos processos psicóticos.
Começou, entretanto, outro processo de avaliação, desta vez da classe médica. Estamos ainda no começo, e nada se pode dizer de definitivo, mas esta nova iniciativa mostra bem que o programa de gestão da sociedade, pelo Estado, não quer deixar ninguém de fora. (...)"
Vede bem esta nossa pouca vergonha e ide dar os parabéns à menina
Lullaby de Domingo
Não faço ideia que signifique (se é que significa algo) Lunnaya Pogonka. Mas parece-me um excelente acompanhamento para o V jantar de bloggers que por cá se realiza. Da conversa, tratamos nós.
sábado, 11 de julho de 2009
Ó Zé, ninguém está a perceber isto!!

Os requisitos exigidos para concorrer às escolas da Região Autónoma da Madeira foram os mesmos, quer para continentais quer para madeirenses. Não houve distinção. Conheço colegas madeirenses que não obtiveram colocação. Contudo, ninguém ainda apontou o dedo aos continentais que eventualmente estão a “tirar” lugares aos naturais da região.
A Secretaria Regional da Madeira opta apenas por uma lista onde constam os nomes, as habitações e as graduações dos profissionais e estes são chamados mediante às necessidades dos organismos. Nunca ninguém foi retirado do concurso devido à sua origem ou região ou “nacionalidade”.
Agora vêm-me dizer que não posso dar continuidade à minha candidatura no continente porque lecciono num quadro de zona da Madeira! É estranho, é muito esquisito… Não percebo.
A Sr.ª Ministra inicialmente disse que as Regiões dos Açores não eram Portugal. Pensei que tinha sido uma distracção, cansaço e errar é humano, mas constato que ela realmente acredita nisso! E já deu provas que a Madeira também não é Portugal!
O Pior, pior, pior é ter que aturar isto!
O melhor é a senhora Ministra vir de férias. Neste “estrangeiro” as pessoas falam português e conhecem alguma coisa da língua gestual portuguesa, isto no caso do Dr. Pinho também tirar férias e quiser vir, constou-se que também anda cansado.
O famoso navegador Colombo também quando chegou ao continente americano, em 1492, convenceu-se que estava nas costas do Extremo Oriente. Acreditou nesse feito até ao leito da sua morte.
Ai, Portugal, Portugal... Portugal profundo.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
"A Ensinança de (bem) Cavalgar Toda a Sela"
Parece que, segundo a nossa Ministra da Educação, os maus resultados nos exames nacionais de matemática são da responsabilidade da comunicação social.
* Título roubado a D. Duarte, reminiscências das aulas de Filosofia em Portugal.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
"As Asas"
"Voilá mes gestes, voilá mon essence"
“(…) Montaigne escreveu de si: ce ne sont pas mes gestes que j´escris; c´est moi, c´est mon essence. Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo. Por exemplo, agora que contei um pecado, diria com muito gosto alguma bela ação contemporânea, se me lembrasse, mas não me lembra; fica transferida a melhor oportunidade.
Nem perderás em esperar; meu amigo; ao contrário, acode-me agora que... Não só as belas ações são belas em qualquer ocasião, como são também possíveis e prováveis, pela teoria que tenho dos pecados e das virtudes, não menos simples que clara. Reduz a isto que cada pessoa nasce com certo número deles e delas. Aliados por matrimônio para se compensarem na vida. Quando um de tais conjûges é mais forte que o outro, ele só guia o indivíduo, sem que este, por não haver praticado tal virtude ou cometido tal pecado, se possa dizer isento de um ou de outro; mas a regra é dar-se a prática simultânea dos dois, com vantagem do portador de ambos, e alguma vez com resplendor maior da terra e do céu. É pena que eu não possa fundamentar isto com um ou mais casos estranhos; falta-me tempo.
Pelo que me toca, é certo que nasci com alguns daqueles casais, e naturalmente ainda os possuo. Já me sucedeu, aqui no Engenho Novo, por estar uma noite com muita dor de cabeça, desejar que o trem da Central estourasse longe dos meus ouvidos e interrompesse a linha por muitas horas, ainda que morresse alguém; e no dia seguinte perdi o trem da mesma estrada, por ter ido dar a minha bengala a um cego que não trazia bordão, Voilá mes gestes, voilá mon essence.”
Machado de Assis, Dom Casmurro
terça-feira, 7 de julho de 2009
"Vós que aqui entrais, abandonai todas as esperanças"
Há coisas mesmo porreiras, pá!
Nota: não se atrevam a clicar no título, pois terão uma VISÃO muito... porreira, pá!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Rendição total
domingo, 5 de julho de 2009
Acabou em três dias
Sem pau nem pedra
PS: Não, ainda não li a entrevista, um susto de cada vez.
Lullaby de Domingo
1001 nights - Lhasa
A thousand and one nights of this
And then the change will come
And then I will be free
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Sim, assumo, sou uma pessoa triste...
Já tinha saudades de ouvir Chico Buarque...
Cantemos esta bela canção!
(basta clicar)
E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Para uma fantasia
Do meu violão
Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revirando o dia
Noite e dia, noite e dia
"Fantasia" de Chico Buarque
Memória selectiva (e ainda bem)
PS: Eu gosto da voz da Vânia Fernandes. Mas perdeu-me assim que percebi que estava a cantar I Loves you Porgy, com um arranjo que só me permitiu reconhecê-la já a música ia no apogeu - e tal reconhecimento deu-se apenas pela letra. Há coisas em que não se mexe, e esta intemporal ainda ressoa ao meu ouvido pela genial Nina Simone.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Send a whale!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Waiting for another miracle
Óculos, para que vos quero?
Doía-me a cabeça, não me sentia nada bem e, com um ar um pouco enjoado, disse-lhe:
- Compras? Não, obrigada. Olha, acabei de comprar uns óculos que me custaram os olhos da cara, acreditas? Estou escandalizada!! Até fiquei cega!
Ficámos durante algum tempo em silêncio, a moer o que tinha dito.
Por fim, desatámo-nos a rir.
Saúde, passa bem
terça-feira, 30 de junho de 2009
Waiting for the miracle
Em contagem decrescente para 30 de Julho de 2009:
There's nothing left to do
I haven't been this happy
since the end of World War II
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Serviço Público: 1974 - "Revolução Aberta / Arte Liberta"
O filme é da autoria de Manuel Costa e Silva.
In Memoriam

Com a Dr. ª Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, jazem as minhas esperanças de um futuro melhor para o país.
Ofereço material didáctico (manuais e CD...) de Português
Deixem aqui endereços e solicitações, pois eu terei muito gosto em enviar o referido material. Obrigada.
V Jantar de Bloggers na Região
Inscrições para o correio electrónico do Baby Boy Swim ou na caixa de comentários do blog do nosso amigo.
domingo, 28 de junho de 2009
Massagens
Eu uso-as para massajar o ego. Na mesma semana, o facebook diz-me que sou a Greta Garbo, a mexicana María Félix (a devoradora de homens - como se ninguém soubesse...) e quando lhe pergunto que músico português seria, o raio do bicho devolve-me o Manuel Cruz. Portanto, aquela parte do resultado do quiz que refere que eu sou uma amiba está fora de validade e o que vigora é a minha semelhança com o genial M.C. (e volto a dizer: saudosos Ornatos).
Lullaby de Domingo
sábado, 27 de junho de 2009
Eleições Autárquicas - o voto dos estudantes deslocados
Em relação às eleições autárquicas, uma achega aos estudantes deslocados, a fim de que possam exercer o seu direito de voto, ainda que antecipadamente:
Deverão solicitar, no estabelecimento de ensino que frequentam, o comprovativo de matrícula e entregá-lo na Câmara Municipal da sua área de residência na Região Autónoma da Madeira, juntamente com fotocópias do BI (autenticada nos serviços camarários) e do cartão do eleitor, mediante requerimento para exercer o seu direito de voto.
Assim, urge que antes do regresso para férias, tratem do referido documento por forma a conseguirem participar neste acto eleitoral.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Guardadora de Rebanhos
Mas é como se os guardasse.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Mas não são. Os meus pensamentos desesperam e concentram-se sem querer no tempo que numa manhã se faz sempre o mesmo e o ponteiro não passa (por onde?) e os segundos não andam. Tento ignorá-lo, mas é como a insónia na noite que precede a vigia em que o sono é substituído por um malicioso é preciso ter sono. Nada. Nem sono à noite, nem vigília ligeira de dia, nem ruído de chocalhos para além da curva da estrada em que os meus pensamentos sejam contentes.
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
Nem versos escrevo num papel escondido no meu pensamento, porque não sou poeta, nem sou Caeiro, nem tampouco sinto um cajado nas mãos.
Eu nunca guardei rebanhos, mas nesta altura do ano é como se os guardasse, andarilha de quatros paredes, sem outro objectivo que não contar o tempo enquanto os/as miúdas suam, tremem, lêem, escrevem, hesitam, desesperam, rascunham, riscam... e eu nada, apenas andar sem norte, sem olhá-los/las em demasia para não os/as desconcentrar, enervar, perturbar. Ansiosa por um pedido de folha renovada, ou de mais uma folha de rascunho, ao menos uma assinatura que ocupe 5 segundos dos 150 min+30 de tolerância.
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
Hoje fui guardadora sem rebanho, porque nem olho as minhas ideias, é terreno estéril. E quero fingir que compreendo o sentido de tudo isto, mas não consigo. Apenas bocejo e espero que ao menos os miúdos tenham sorte. Mesmo sem manga do bibe riscado, apenas o suor da testa quente.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
" Vida é uma ópera e uma grande ópera"
- Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
- Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
- Mas, Senhor...
- Nada! Nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do Céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
- Ouvi agora os ensaios!
- Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades, o maestro abusa das massas corais, encobrindo muitas vezes o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícias. Tal é a opinião dos imparciais.
In Dom Casmurro, Machado de Assis
"Il y a longtemps que je t´aime..."
Como é hábito, vejo sempre um filme à sexta. Continuei com o hábito, mas vi o filme ao sábado.
Lullaby de Domingo
sábado, 20 de junho de 2009
Biografia
"Não faça isso, querida!"
Capítulo CXIX
in Dom Casmurro de Machado de Assis





