quinta-feira, 30 de julho de 2009

21:00 - Hallelujah, dance me to the end of time



Finalmente

"Field Commander Cohen(...)
(...)be your sweetest self awhile until I ask for more, my child."


O que é que estes conseguem fazer juntos?

Posters, certamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Edite Soeiro

Quando a conheci já a voz lhe tremia. Dizia que sentia falta da mãe, que a acompanhara toda a vida. Nunca lhe ouvi um auto-elogio, pois não tinha, decididamente, qualquer queda para o egocentrismo. Sabia-se pioneira, mas não lhe saía qualquer palavra denunciadora do seu papel no jornalismo português. Há muito que estava presa a um mundo mais pequeno que as redacções que ocupou toda a vida.
A morte levou-a hoje, aos 75 anos.
foto de David Clifford, in publico.pt

As Democracias Querem-se Sossegadinhas (pelo menos por estas bandas)

Não tenho qualquer simpatia pelas iniciativas do PND. Não acho que se deva responder na mesma moeda e lá porque o discurso oficial na Região se pauta pela arrogância, despotismo e má educação, não significa que a resposta deva ser similar. Considero que Manuel Coelho não passa de um debochado, que não respeita os votos que lhe foram ingenuamente concedidos. No entanto, é inadmissível o que se passou no passado domingo e consequência que agora se lê. Muito mais digno seria coexistir saudavelmente com a crítica, ao invés do recurso sistemático à coerção descarada (nos últimos tempos veja-se o caso Dossier de Imprensa). Que mania irritante de almejar uma só voz.

domingo, 26 de julho de 2009

"Fazer Já"

Não podia deixar de estar de acordo com AJJ neste desafio a Sócrates. Mas também seria bom que AJJ se prontificasse a "fazer já" o que ameaça/promete há anos: a apoteótica saída.

(Da Busca de ) Principados Renovados

"(...)a natureza dos povos é mutável e, se é fácil persuadi-los de uma coisa, torna-se difícil mantê-los nessa persuasão. Assim, há que proceder de tal sorte que, quando deixarem de acreditar, se possa obrigá-los a crer pela força."

Nicolau Maquiavel, O Príncipe

Começa a festa, que se quer de arromba. O festeiro bisa a experiência e acredita que a memória de todos nós é curta relativamente às promessas de há quatro anos. Também na altura, foram prometidos empregos para um ror de jovens; depois, a justificação do desconhecimento do real estado do País contrariou a euforia da campanha eleitoral. Agora, estamos em tempos que nenhuma justificação é já necessária: um Primeiro com o currículo do nosso julga não precisar cumprir (até agora tem funcionado). Na mente simplista da criatura que se vê todos os dias à borda d'água, apenas precisa de as debitar, crente que a imagem que vê é a imagem que todos os outros vêem também. Erroneamente, esperamos. E se durante a legislatura que agora finda se conseguiu muito pela força, aproxima-se agora o momento de colocarmos o principezinho no devido lugar. Felizmente.

Benesses da Gripe

A gripe providencial que atacou Manuela Ferreira Leite livrou-a da tarefa decadente de aparecer no arraial circense que anualmente por cá se realiza. Acredito que a líder do PSD deve sentir o corpo doente, mas a mente (minimamente) sã. E agora digam que a gripe não faz milagres.

Lullaby de Domingo



Lullaby com dedicatória ao Pêssego aka Repolho aka Gato de Schrodinger aka Tangerina: "hoje é dia de coisas simples." Al Berto

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Telegrama musical

Já ouviram A Mãe de Rodrigo Leão? Ide e que Staples e Hannon vos acompanhe.

Reza a estória...

... que no último jantar de bloggers, fizemos um périplo por vários lugares, desde a Índia até Londres, a passar por um sítio muito kool. Como me instigaram a aqui deixar as fotografias para a posteridade(zinha), cá ficam. E como diz o Jorge C (em outro contexto), porque não há tempo, por hora posta-se assim: em jeito de telegrama.


domingo, 19 de julho de 2009

Agradeço a boleia, Táxi. Adorei.

E tem razão! Mais casas, mais violência doméstica!

Lullaby de Domingo



Did you ever think you lived inside the belly of the beast?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

!

Comentário de um jovem num exame:

"Eu acho muito importante falar da violência doméstica porque há cada vez mais mulheres a bater nos homens".

Com responsáveis assim...

Há dias assim, em que tropeçamos na idiotice alheia e só apetece desatar ao estalo. Obviamente que após a leitura deste apontamento (não será uma notícia sequer desenvolvida, pois não?), assaltam-me duas questões: mas então não são feitas despistagens e reza-se para que o sangue recolhido seja coincidente com os bonitos olhos do/a dador/a? A heterossexualidade é agora sinónimo de monogamia? Que a Deusa me livre de alguma vez necessitar de uma transfusão regida por este tipo de critérios.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Um alfabeto inteiro

Frente a frente, infância e velhice. Ambos do sexo masculino, o miúdo com os caracóis juvenis em jeito de auréola, o homem de cabelos brancos a atestar quem seria o adulto da mesa.Pelos gestos, não parece: O miúdo muito mais desenvolto, rápido, à vontade com os talheres e pratos; O homem, mais cauteloso,os gestos desenhados na lentidão das mãos mais trémulas. Conversam, o mote geralmente lançado pelo miúdo com a expressão "Ó Avô...", o almoço que avança lenta e rapidamente, consoante o comensal observado. A determinada altura, a criança lança para cima da mesa o assunto de todos nós, que histericamente consumimos imagens e palavras que nos permitam ter a ilusão que controlamos alguma coisa:
-Ó avô, o meu Pai tem a Gripe B.
-O quê?
-O meu Pai tem a gripe B. B! - e desenha no ar um enorme e gordo B, caso a audição do interlocutor não permita perceber a letra a que se refere. - E tu? Qual é a tua gripe?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

1992-2009


Para que conste em algum sítio e não apenas na minha memória.

Isto é mesmo real!


A lei islâmica prevê 40 chicotadas para quem se veste de forma “indecente” mas não se aplica a não muçulmanos, mesmo em regiões de maioria islâmica.

Lubna Ahmed al-Hussein, jornalista sudanesa, poderá ser condenada a uma pena de 40 chicotadas por se vestir de forma “indecente”. Lubna encontrava-se num restaurante na capital sudanesa, Cartum, quando as forças policiais prenderam todas as mulheres que usavam calças.

Acusadas do crime de ofensa à ordem moral e pública, dez das 13 mulheres detidas declaram ser culpadas e submeteram-se à pena de dez chicotadas, executada no momento.

(…)

In Público 14/7/2009

Se coincidir com a realidade, peço desculpas


Na reprografia:
- É impressionante como as mulheres conseguem trabalhar e manter uma conversa simultaneamente! As mulheres podem fazer várias coisas ao mesmo tempo… Já os homens só conseguem fazer uma coisa de cada vez. Isso até está provado cientificamente, sabias?
- Olha, não, não sabia, mas falamos depois; agora estou concentrada a organizar estas folhas.
No gabinete:
- É inadmissível! Com um compromisso e andar sempre a tentar seduzir e a enganar outras pessoas!
- Eu sei… mas… Mas isso é uma espécie de paradoxo! Do género: eu não quero, mas, ao mesmo tempo , eu também quero!
No café:
- Que engraçado… nas fotografias que exibes, apareces sempre rodeado de mulheres, não tens amigos homens?
- Claro que tenho, mas, assim, atraio outras mulheres. Elas têm preferência por homens que se fazem acompanhar por muitas mulheres e, se possível, bonitas. Está provado cientificamente!
Numa esplanada:
- Acho que vou esperar pelos saldos para comprar umas calças.
- Há uma marca de calças que eu gosto muito, chama-se Tomates; espera, é Toumatus. Sei que é uma marca estrangeira...
- Uaaauu! Très chic! Chique a valer!
Numa esplanada:
- Bem… O julgamento não correu lá muito bem. Dói-me a garganta, acho que é por causa da obstipação.
- What???!!!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Epístola de Kiara às/aos Bloggers


Ora muito boa noite, caras amigas e amigos, ansiosos por notícias minhas.
Como muito bem sabeis, esfalfa-se a Woab diariamente por me dar cama, comida e pêlo lavado, o que não é fácil. É certo que sou adorável e de olhos que lembram os olhos dos S. Bernardo, mas com muito mais piada; afio as unhas sempre que posso (em locais menos próprios, é certo) a fim de cumprir com as minhas obrigações; trinco todas as ervas possíveis a fim de expulsar os pêlos que inadvertidamente engulo; percorro a casa com pezinhos de lá para não perturbar em demasia e tenho outros cuidados similares. Enfim, sou uma gata (quase) exemplar. Mas a verdade é que a minha conta bancária é inexistente e quando tenho que me deslocar ao meu médico de família, a Woab arca com as despesas da brincadeira que nunca é de pouca monta. Vai daí que eu, gata letrada e informaticamente activa, topei esta bonita e muito pertinente petição na caixa de correio da Woab - deixemos o pequeno pormenor de lhe andar a ler os mails para outra altura, que não estou com orelhas para admoestações - que solicita que despesas como as referidas (ida ao médico) sejam dedutíveis. Parece-me da mais elementar justiça. É assinar, caras/os amigas/os, é assinar!

Dedução de despesas com saude animal em IRS

Com gratidão,
Esta gata que vos adora.

domingo, 12 de julho de 2009

"A fabricação de subjectividades obedientes"

É angustiante trabalhar num sistema que nos castra, que nos tolhe e que nos ameaça de uma forma tão incompreensível...

Nos intervalos da existência, resta-me fazer algumas leituras para realmente perceber o que está a acontecer... para "nortear" o meu pensamento.


" (...) No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz «a desactivação da acção». É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política à maneira de certos processos psicóticos.
Começou, entretanto, outro processo de avaliação, desta vez da classe médica. Estamos ainda no começo, e nada se pode dizer de definitivo, mas esta nova iniciativa mostra bem que o programa de gestão da sociedade, pelo Estado, não quer deixar ninguém de fora. (...)"

José Gil, Em Busca da Identidade - o desnorte, Relógio D´Água, 2009

Vede bem esta nossa pouca vergonha e ide dar os parabéns à menina


Marakoka, aniversariante camuflada no jantar de ontem, não conseguiu safar-se a ter que soprar as velas de um soberbo bolo de chocolate especialmente dedicado a ela. O Baby agraciou-a com um título assaz pertinente que certamente colocou a nossa menina a ler compulsivamente assim que chegou a casa, lá para as 4 da matina.

Lullaby de Domingo


Não faço ideia que signifique (se é que significa algo) Lunnaya Pogonka. Mas parece-me um excelente acompanhamento para o V jantar de bloggers que por cá se realiza. Da conversa, tratamos nós.

sábado, 11 de julho de 2009

Ó Zé, ninguém está a perceber isto!!




Os requisitos exigidos para concorrer às escolas da Região Autónoma da Madeira foram os mesmos, quer para continentais quer para madeirenses. Não houve distinção. Conheço colegas madeirenses que não obtiveram colocação. Contudo, ninguém ainda apontou o dedo aos continentais que eventualmente estão a “tirar” lugares aos naturais da região.
A Secretaria Regional da Madeira opta apenas por uma lista onde constam os nomes, as habitações e as graduações dos profissionais e estes são chamados mediante às necessidades dos organismos. Nunca ninguém foi retirado do concurso devido à sua origem ou região ou “nacionalidade”.
Agora vêm-me dizer que não posso dar continuidade à minha candidatura no continente porque lecciono num quadro de zona da Madeira! É estranho, é muito esquisito… Não percebo.
A Sr.ª Ministra inicialmente disse que as Regiões dos Açores não eram Portugal. Pensei que tinha sido uma distracção, cansaço e errar é humano, mas constato que ela realmente acredita nisso! E já deu provas que a Madeira também não é Portugal!
O Pior, pior, pior é ter que aturar isto!
O melhor é a senhora Ministra vir de férias. Neste “estrangeiro” as pessoas falam português e conhecem alguma coisa da língua gestual portuguesa, isto no caso do Dr. Pinho também tirar férias e quiser vir, constou-se que também anda cansado.
O famoso navegador Colombo também quando chegou ao continente americano, em 1492, convenceu-se que estava nas costas do Extremo Oriente. Acreditou nesse feito até ao leito da sua morte.

Ai, Portugal, Portugal... Portugal profundo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"A Ensinança de (bem) Cavalgar Toda a Sela"

(clicar na tira para conseguir ler alguma coisa)

Parece que, segundo a nossa Ministra da Educação, os maus resultados nos exames nacionais de matemática são da responsabilidade da comunicação social.

* Título roubado a D. Duarte, reminiscências das aulas de Filosofia em Portugal.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

"As Asas"

Andava por aí a voar e alguém falou da Né Ladeiras. Que saudade tenho eu desta bela Voz:

"Voilá mes gestes, voilá mon essence"


“(…) Montaigne escreveu de si: ce ne sont pas mes gestes que j´escris; c´est moi, c´est mon essence. Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo. Por exemplo, agora que contei um pecado, diria com muito gosto alguma bela ação contemporânea, se me lembrasse, mas não me lembra; fica transferida a melhor oportunidade.

Nem perderás em esperar; meu amigo; ao contrário, acode-me agora que... Não só as belas ações são belas em qualquer ocasião, como são também possíveis e prováveis, pela teoria que tenho dos pecados e das virtudes, não menos simples que clara. Reduz a isto que cada pessoa nasce com certo número deles e delas. Aliados por matrimônio para se compensarem na vida. Quando um de tais conjûges é mais forte que o outro, ele só guia o indivíduo, sem que este, por não haver praticado tal virtude ou cometido tal pecado, se possa dizer isento de um ou de outro; mas a regra é dar-se a prática simultânea dos dois, com vantagem do portador de ambos, e alguma vez com resplendor maior da terra e do céu. É pena que eu não possa fundamentar isto com um ou mais casos estranhos; falta-me tempo.

Pelo que me toca, é certo que nasci com alguns daqueles casais, e naturalmente ainda os possuo. Já me sucedeu, aqui no Engenho Novo, por estar uma noite com muita dor de cabeça, desejar que o trem da Central estourasse longe dos meus ouvidos e interrompesse a linha por muitas horas, ainda que morresse alguém; e no dia seguinte perdi o trem da mesma estrada, por ter ido dar a minha bengala a um cego que não trazia bordão, Voilá mes gestes, voilá mon essence.”


Machado de Assis, Dom Casmurro

terça-feira, 7 de julho de 2009

"Vós que aqui entrais, abandonai todas as esperanças"

O Atendimento dos Recursos Humanos do Ministério da Educação é sem dúvida o pior de todos os tempos... Esclarecimentos?! Só depois de horas a fio a ouvir Vivaldi e olha lá!


Há coisas mesmo porreiras, pá!

Nota: não se atrevam a clicar no título, pois terão uma VISÃO muito... porreira, pá!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Rendição total

Este post teve início aqui e por hoje continua do seguinte modo:

(...) e esta sou eu, Sebastiana Maria de Jesus, um quarto de cristã-nova, que tenho visões e revelações, mas disseram-me no tribunal que era fingimento, (...)aqui vou blasfema, herética, temerária, amordaçada para que não me ouçam as temeridades, as heresias e as blasfémias, condenada a ser açoitada em público e a oito anos de degredo no reino de Angola, e tendo ouvido as sentenças, as minhas e mais de quem comigo vai nesta procissão, não ouvi que se falasse da minha filha, é seu nome Blimunda, onde estará, onde estás Blimunda, se não foste presa depois de mim, aqui hás-de vir saber da tua mãe, e eu te verei se no meio dessa multidão estiveres, que só para te ver quero agora os olhos, a boca me amordaçaram, não os olhos, olhos que não te viram, coração que sente e sentiu, ó coração meu, salta-me no peito se Blimunda aí estiver, entre aquela gente que está cuspindo para mim e atirando cascas de melancia e imundícies, ai como estão enganados, só eu sei que todos poderiam ser santos, assim o quisessem, e não posso gritá-lo, enfim o peito me deu sinal, gemeu profundamente o coração, vou ver Blimunda, filha minha, e já me viu, e não pode falar, tem de fingir que me não conhece ou me despreza, mãe feiticeira e marrana ainda que apenas um quarto, já me viu, e ao lado dela está o padre Bartolomeu Lourenço, não fales, Blimunda, olha só, olha com esses teus olhos que tudo são capazes de ver, (...).
José Saramago, Memorial do Convento


Amanhã parto com as minhas crianças para um capricho que só uma directora de turma acarreta e levo comigo este livro. Sim, este. À terceira tentativa, estou agarrada, que é como quem diz, perdida.

Boa Semana

domingo, 5 de julho de 2009

Acabou em três dias


(Fotografia tirada por Alix, que aqui a esperta não levou máquina)

Por compromissos profissionais, não consegui estar na noite de sexta no Funchal Jazz (e perdi o Ron Carter, que dizem as boas línguas que foi imperdível). Ontem lá consegui comparecer e se gostei dos concertos no Parque de Santa Catarina, amei mesmo a jam session no O'briens, noite dentro. Darryl Hall, contrabaixista de Benny Golson/Cedar Walton Quintet foi absolutamente incansável. Resta esperar pelo próximo ano.

Sem pau nem pedra

Ainda não me refiz do choque em relação à capa da Visão desta semana. Ao passar pelas bancas, desdenhosamente ri-me da capa da Sábado, com o óbvio MJ. O susto que apanhei quando cheguei a casa é indescritível: MST como tema de capa. Castigo óbvio da Deusa.

PS: Não, ainda não li a entrevista, um susto de cada vez.

Lullaby de Domingo



1001 nights - Lhasa

O que roda comigo nas viagens:

A thousand and one nights of this
And then the change will come
And then I will be free


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sim, assumo, sou uma pessoa triste...

Naturalmente triste. Irremediavelmente triste. Tão triste, tristemente, que nem sei bem o que é tristeza...

Já tinha saudades de ouvir Chico Buarque...

Cantemos esta bela canção!
(basta clicar)

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Para uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais
Revirando a noite
Revelando o dia
Noite e dia, noite e dia
Canta a canção do homem
Canta a canção da vida
Canta mais
Trabalhando a terra
Entornando o vinho
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção do gozo
Canta a canção da graça
Canta mais
Preparando a tinta
Enfeitando a praça
Canta, canta, canta, canta
Canta a canção de glória
Canta a santa melodia
Canta mais
Revirando a noite
Revirando o dia
Noite e dia, noite e dia

"Fantasia" de Chico Buarque



Memória selectiva (e ainda bem)

No dia em que toda a gente fala disto apenas recordo este outro acontecimento do dia (ou melhor, da noite). Bem mais aprazível. Nas ilhas, por vezes, a magia também acontece.

PS: Eu gosto da voz da Vânia Fernandes. Mas perdeu-me assim que percebi que estava a cantar I Loves you Porgy, com um arranjo que só me permitiu reconhecê-la já a música ia no apogeu - e tal reconhecimento deu-se apenas pela letra. Há coisas em que não se mexe, e esta intemporal ainda ressoa ao meu ouvido pela genial Nina Simone.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Send a whale!

A greenpeace lançou uma campanha para pedir (apenas mais uma vez...) ao governo do Japão que pare com a caça à baleia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Waiting for another miracle

Acerca de nós repita-se, antes, o dito do profeta Asaph: «Sois Deuses e todos filhos do Altíssimo.» De tal modo que, abusando da indulgentíssima liberalidade do Pai, não tornemos nociva, em vez de salutar, a livre escolha que ele nos concedeu. Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível.
Giovanni Pico Della Mirandola, Discurso Sobre a Dignidade do Homem

Óculos, para que vos quero?

Ontem, no final do dia, fui ao oftalmologista. Entretanto, quando ia a sair do consultório, encontrei uma amiga que me convidou para ir com ela às compras.
Doía-me a cabeça, não me sentia nada bem e, com um ar um pouco enjoado, disse-lhe:
- Compras? Não, obrigada. Olha, acabei de comprar uns óculos que me custaram os olhos da cara, acreditas? Estou escandalizada!! Até fiquei cega!
Ficámos durante algum tempo em silêncio, a moer o que tinha dito.
Por fim, desatámo-nos a rir.

Saúde, passa bem


“(…) Saudar vem do latim: salutem dare (dar, desejar saúde). Ainda se diz nas aldeias: ‘negar a salvação a alguém’, com o sentido de recusar-se a cumprimentar uma pessoa. Saudade tem aqui igualmente o seu étimo. Veja-se, por exemplo, a expressão: mandar muitas saudades. A saudade é aquele sentimento de solidão que tem na sua base a falta da pessoa querida. Ter saudades e enviar saudades é aquele desejo de que quem partiu e anda longe, esteja onde estiver, passe bem…
(…) os santos com os quais habitualmente contactamos julgamos que são aquelas figuras geralmente muito feias, torcidas e até por vezes ridículas que vemos em muitos altares das igrejas e que são levadas a passear pelas ruas uma vez por ano nas romarias. Mesmo quando nos reportamos àqueles homens e àquelas mulheres reais de carne e osso, que aquelas figuras quereriam representar, vemo-los a maior parte das vezes como beatos, tristes, a bichanar orações, desagradados com a vida, deprimidos, de relações cortadas com o sexo oposto, ascetas a quem não é permitido apreciar as coisas boas da vida…”
In Religião - opressão ou Libertação?, Anselmo Borges

terça-feira, 30 de junho de 2009


Waiting for the miracle



Em contagem decrescente para 30 de Julho de 2009:

There's nothing left to do
I haven't been this happy
since the end of World War II

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Serviço Público: 1974 - "Revolução Aberta / Arte Liberta"

In Memoriam


(Imagem: algures da net)

Com a Dr. ª Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, jazem as minhas esperanças de um futuro melhor para o país.

Ofereço material didáctico (manuais e CD...) de Português

Livros (do 3.º Ciclo e Secundário) que fui obtendo e que nunca usei...

Deixem aqui endereços e solicitações, pois eu terei muito gosto em enviar o referido material. Obrigada.

Boa Semana


V Jantar de Bloggers na Região


Uma vez mais, o Madeira, Minha vida organiza o evento. Dia 11 de Julho, pelas 20h e 30min (o organizador deixa o local por enquanto por divulgar, mas a atestar pelos locais anteriores, não estaremos nada mal servidas/os).
Inscrições para o correio electrónico do Baby Boy Swim ou na caixa de comentários do blog do nosso amigo.

domingo, 28 de junho de 2009

Massagens

As redes sociais têm várias utilidades. Há quem as use para aumentar o seu círculo social, para melhorar o seu relacionamento interpessoal (também já ouvi falar em casos em que se tenta melhorar o relacionamento intrapessoal, contudo, ainda não compreendi bem o alcance da coisa). Há quem não as use. Isto é, usam-nas para manifestar a diferença. O direito a não pertencer a essas coisas tão superficiais.

Eu uso-as para massajar o ego. Na mesma semana, o facebook diz-me que sou a Greta Garbo, a mexicana María Félix (a devoradora de homens - como se ninguém soubesse...) e quando lhe pergunto que músico português seria, o raio do bicho devolve-me o Manuel Cruz. Portanto, aquela parte do resultado do quiz que refere que eu sou uma amiba está fora de validade e o que vigora é a minha semelhança com o genial M.C. (e volto a dizer: saudosos Ornatos).

Lullaby de Domingo

Será a nossa pista privada, sussurrou-me ao ouvido e a primeira que passou foi mesmo Iggy Pop. Complicado mesmo foi andar aos saltos, de saltos. Whatever. A coisa faz-se, o dia seguinte é que é um bocadinho mais complicado...



sábado, 27 de junho de 2009

Eleições Autárquicas - o voto dos estudantes deslocados

Em ano de eleições legislativas e autárquicas, cá vai alguma informação útil, via Madeira, minha Vida:

Em relação às eleições autárquicas, uma achega aos estudantes deslocados, a fim de que possam exercer o seu direito de voto, ainda que antecipadamente:
Deverão solicitar, no estabelecimento de ensino que frequentam, o comprovativo de matrícula e entregá-lo na Câmara Municipal da sua área de residência na Região Autónoma da Madeira, juntamente com fotocópias do BI (autenticada nos serviços camarários) e do cartão do eleitor, mediante requerimento para exercer o seu direito de voto.
Assim, urge que antes do regresso para férias, tratem do referido documento por forma a conseguirem participar neste acto eleitoral.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Guardadora de Rebanhos

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.

Nos longos 150 min+30min de tolerância da prova de Matemática B, lembrei-me inúmeras vezes do Caeiro Guardador de Rebanhos. Porque ali estava eu, guardadora, sem lobo mau à vista que fizesse com que o tempo fosse menos lento.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.

Mas não são. Os meus pensamentos desesperam e concentram-se sem querer no tempo que numa manhã se faz sempre o mesmo e o ponteiro não passa (por onde?) e os segundos não andam. Tento ignorá-lo, mas é como a insónia na noite que precede a vigia em que o sono é substituído por um malicioso é preciso ter sono. Nada. Nem sono à noite, nem vigília ligeira de dia, nem ruído de chocalhos para além da curva da estrada em que os meus pensamentos sejam contentes.

Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim

Nem versos escrevo num papel escondido no meu pensamento, porque não sou poeta, nem sou Caeiro, nem tampouco sinto um cajado nas mãos.
Eu nunca guardei rebanhos, mas nesta altura do ano é como se os guardasse, andarilha de quatros paredes, sem outro objectivo que não contar o tempo enquanto os/as miúdas suam, tremem, lêem, escrevem, hesitam, desesperam, rascunham, riscam... e eu nada, apenas andar sem norte, sem olhá-los/las em demasia para não os/as desconcentrar, enervar, perturbar. Ansiosa por um pedido de folha renovada, ou de mais uma folha de rascunho, ao menos uma assinatura que ocupe 5 segundos dos 150 min+30 de tolerância.

E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Hoje fui guardadora sem rebanho, porque nem olho as minhas ideias, é terreno estéril. E quero fingir que compreendo o sentido de tudo isto, mas não consigo. Apenas bocejo e espero que ao menos os miúdos tenham sorte. Mesmo sem manga do bibe riscado, apenas o suor da testa quente.

domingo, 21 de junho de 2009

"O mundo de Sophia"

" Vida é uma ópera e uma grande ópera"

de Eugène Delacroix
"(...)
Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do Céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que mais valia que os outros, - e acaso para reconciliar-se com céu - compôs a partitura, e logo que acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
- Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
- Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
- Mas, Senhor...
- Nada! Nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do Céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
- Ouvi agora os ensaios!
- Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades, o maestro abusa das massas corais, encobrindo muitas vezes o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícias. Tal é a opinião dos imparciais.
(....)"

In Dom Casmurro, Machado de Assis

"Il y a longtemps que je t´aime..."



Como é hábito, vejo sempre um filme à sexta. Continuei com o hábito, mas vi o filme ao sábado.

Lullaby de Domingo



Giulia y Los Tellarini como banda sonora de um final de aulas sempre dramático. Desde as súplicas, promessas, juras de amor eterno - e ódio visceral - há de tudo. O choro é uma constante e são dias intensos no interior de uma escola em que - dizem muitas línguas - está já tudo de férias há um ror de tempo. Se isto são férias, quero regressar ao trabalho.

sábado, 20 de junho de 2009

Biografia

excêntrica*



*Euromilhões

"Não faça isso, querida!"


Capítulo CXIX

"A leitora, que é minha amiga e abriu este livro com o fim de descansar da cavatina para a valsa de hoje, quer fechá-lo às pressas, ao ver que abeiramos um abismo. Não faça isso, querida; eu mudo de rumo."

in Dom Casmurro de Machado de Assis

Perante este original pedido, dispensei a valsa e passei a noite a "ouvir" o Dom Casmurro.



quarta-feira, 17 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

Passar o dia a trautear:





Irra!

Caro Vítor

Então a gente não entende? Claro que entende o teu ponto de vista, não é preciso fazer beicinho.
Vá, temos pena que tenhas sido ingénuo, mas o que interessa é que aprendeste a lição. Para a próxima fazes melhor. Não há problema, que o pessoal não se chateia.
Sinceramente,
Woab, uma contribuinte.

domingo, 14 de junho de 2009

Irritações dominicais

Mas quando é que este idiota da Confap é metido no lugar? Quando é que este senhor é avaliado pelas enormidades que tem vindo a vomitar cá para fora? Ou será que a criatura ainda não percebeu que os/as amiguinhos/as do ME não estarão lá por muito mais tempo?
Em todo o tempo de serviço que tenho (que não será muito, mas ainda assim não é risível) que conheço professora/es que preparam os/as alunos/as para além das aulas obrigatórias, quando estes serão submetidos/as a exames. Eu própria já o fiz quando ainda havia exame em Psicologia. As aulas não são obrigatórias e inclusive temos alunos/as que não as frequentam - geralmente os que delas mais necessitam, curiosamente. E tenho para mim que a maioria dos /as professoras/es não as dá porque acha que está a ser avaliada/o.

Oração da noite




A partir de uma twittada (???) com a Maria Velho (que neste momento suspira por um País Dançante), a partir de hoje encerrarei os meus dias com uma prece:
My Private Lord, permita que tenha uma noite descansada, todinha a sonhar consigo.

Adenda: Isto promete. O Senhor afirma que só cá está pela minha alma. Eu acredito, claro.

Lullaby de Domingo




Uma das mais bonitas faixas que conheço e cuja lírica convida a cortar os pulsos.

sábado, 13 de junho de 2009

Interrupções

Hoje nasceu-me o Verão*. Uma tarde magnífica assinalada pela limpidez das águas, convidou a que voltasse às memórias de infância no local do costume. Fui a banhos e há anos que não tinha esta sensação de regresso a casa, sem que os homens de (calção) vermelho me incomodassem. As espreguiçadeiras conspurcam o lugar que já foi livre, mas bastou-me fechar os olhos para que o passado regresse por instantes. Os sons ainda são os mesmos e as braçadas até ao limite aparentemente também. Parece-me que o segredo está em começar quando os outros (quase) terminam...

*Apenas um pequeno assomo, que voltei já à usura das avaliações tão características deste período.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Nada que a Naomi Wolf já não tenha dito...

Disciplina musical

Nunca fui adepta do ouvido à escuta dons sons emitidos por um aparelho radiofónico. No carro, ouço as minhas escolhas musicais e em casa, quando trabalho, acontece o mesmo. Isto significa que sou uma ignorante radiofónica, em relação às várias estações e a eventuais programas interessantes.
Há sensivelmente dois anos que Pêssego aka Tangerina aka Couve e não me lembro que mais (ou melhor, para mim será também o gato de Schrödinger) me recomenda a audição da rádio Radar. Eu ouço uma, duas ou três vezes e depois regresso à rotina da mutez radiofónica. Esqueço-me do ritual de procurar na net e colocar a tocar a transmissão online. Há uns meses, Pêssego (etc, etc) recomendou-me um programa em específico da referida estação: o Vidro Azul, da responsabilidade de Ricardo Mariano. O programa é transmitido ao passar dos domingos para as segundas e repete às quartas, também em horário carregado de insónia. Tentei ouvir uma vez, esqueci todas as outras, mas de vez em quando passo pelo blog, a ler pelo menos as novidades. Muitas vezes, o Pêssego, previdente, mostra-me novidades musicais com as quais me entusiasmo e repete a fonte: Vidro Azul, Vidro Azul.
Hoje tentei adicionar o blog ao desenrolar de papiros, mas de alguma forma não é reconhecido. Assim, tem honras em grupo de links à parte ali ao lado e tentarei actualizar os podcasts semanalmente. É da forma que educo esta minha memória débil mental.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Etc.

"(...)
porque em toda a palavra está o silêncio dessa palavra
e cada silêncio fulgura no centro da ameaça
da sua palavra -
como um buraco dentro de um buraco no ouro dentro do ouro"

Herberto Helder

em noite de calor e como desculpa para adiar o início de mais uma rodada de trabalho.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Da minha parte é mesmo vermelho, obrigadinha

A leitura de João Cravinho é interessante, muito embora algumas considerações escapem totalmente ao meu entendimento. Por exemplo, o "efeito Sócrates" teria que ser esmiuçado para perceber que efeito (miraculoso?) é esse.
Cravinho é um optimista. Considera que é preciso "mudar, alterar, ajustar" para que nas legislativas o resultado não seja desastroso; a esta altura do campeonato, nem que o Partido Socialista fizesse o pino, eu (e tant@s outr@s) mudaria de ideias. Porque se Sócrates foi (é e será) autista, isso não iliba @s restantes de o terem permitido. Portanto, nem só de Sócrates foi feita esta legislatura e poucas foram as vozes dissonantes dentro do Partido. No que me diz respeito, o assunto está resolvido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

M Generation

Descobri-o no blog da Alice

Conversas da treta

"A escola deve assentar não no aluno imaginário, mas naquele que existe. Não é o ensino centrado no programa, mas no aluno, porque o programa é pouco útil se os alunos não aprenderem. Essa mudança de paradigma é muito importante: pôr os alunos a trabalhar sozinhos, a corrigir os seus trabalhos, enquanto os professores ajudam os que têm mais dificuldades."

Este é o discurso direccionado para a opinião pública. Porque depois, se/quando o programa não é cumprido, para além das justificações em tudo o que é reunião, estatísticas, grelhas, avaliações e quejandos deste género, a conversa é outra.
Quanto ao quadro idílico dos alunos a trabalhar sozinhos e a corrigir os seus trabalhos - vê-se por aqui quem assenta o seu paradigma em alunos imaginários.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Boa Semana


(dead Kennedys)

Alheamento

Na esplanada. As urnas a fechar. E eu e ele a constatarmos o passar dos anos. Os sonhos - tão longínquos quanto as nossas adolescências. Nenhum de nós festeja. Nada há a celebrar. O dia em que a família Vitória se absteve de ir votar. No Altis desmontam o palanque que serviria para cantar mais uns votos. A abstenção não os envergonha. Apenas os votos nos outros. Surgiu-me um breve sorriso nos lábios enquanto lia o rodapé. Mas quando ouvi a sr.ª PSD, não consegui evitar o asco.

domingo, 7 de junho de 2009

Hoje

Quis falar-te como nunca te falei,
antes de me calar para sempre.
Antes de o silêncio se impor como (um)a cortina de ferro que separa o mundo que foi do que é.
(azar ser dia santo)
Picture by Horst

Neutra, mas pouco (parte II)

Em contrapartida, e para não se se afastar do rival-mor, a líder do maior partido da oposição dirigiu-se ao país com um redondo e eloquente: "Boa noite a todOs". Já o senhor dos centristas, manteve o politicamente correcto: "portuguesas e portugueses".

Neutro, mas pouco

Sócrates cumprimentou OS senhorES jornalistas, parabenizou OS deputados eleitOS e informou OS portuguesES que não ficou muito satisfeito com a brincadeira. Eu, como portugueSA nada mais tenho a acrescentar sobre a personagem.
"I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul"

creep - radiohead


Creio que poucas músicas espelham com tal exactidão o desejo de perfeição (aparentemente) intrínseco ao Ser Humano. Na história da Humanidade proliferam os exemplos de celebridades e génios atormentad@s pela insuficiência do Ser. É nesta altura que me surge a questão acerca do círculo social destas pessoas. Não teriam el@s amig@s que @s amassem tal e qual como el@s eram/são? Será que est@s lhes atiravam com comparações desgostosas manifestando a vontade de que fossem outr@s que não el@s própri@s? E que diriam a um amig@ que vos dissesse "gostaria tanto que fosses mais parecid@ com o Frank ou com a Sally?"
"(...) porque a obsessão masculina de silenciar, esquecer ou denegrir a actuação feminina (também noutros contextos: Eduardo Lourenço, 1989) faz supor um enorme medo pela força feminina, que a todo o tempo parece ameaçar o seu pólo oposto, que a si próprio assim se auto-define no discurso. Sabemos pelo menos desde Foucault que não há poder sem resistência, e pelo menos desde Derrida que o equilíbrio textual entre os contrários está sempre à beira da subversão, é um equilíbrio eminentemente (e iminentemente) instável."

Teresa Beleza, In Mulheres, Crime, Direito ou a Perplexidade de Cassandra.

Lullaby de Domingo




Há algum tempo que ouço esta senhora. Se escolhi esta faixa, é porque tem uma colaboração de N.C.
Sempre há gente com muita sorte. Primeiro foi a outra para quem My Private Lord escreveu uma música. Com esta colabora assim, por dá cá a tua voz...

sábado, 6 de junho de 2009

A Onda





Para ver e reflectir

Os Monstros da Fé

Esta semana foi profícua em situações de agastamento (vide aprender por ouvir dizer). É o que acontece a quem se põe a jeito (e eu ponho-me). Pois entre outras, uma das pérolas que me ficou no ouvido da minha tarde de ontem foi a seguinte:
A questão da recusa da IVG é uma questão de sobrevivência social; País onde não nascem bebés, é País que necessita de receber imigrantes e é preciso travar a vinda (principalmente) dos muçulmanos para a Europa, com a sua religião bélica.
E quem mo afirmou, fechou a argumentação com um "eu sei, acredite, que tenho muitos mais anos que você." Eu, que precisava sair do local para um outro compromisso, e já estava fartinha de insistir no meu ponto de vista) considerei ser hábil da minha parte deixá-lo carregar a bicicleta (e a idade, já agora) todinha.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aprender por ouvir dizer

Em relação à violência doméstica, se se praticasse mais exercício físico, haveria menos agressividade latente em casa.
(a afirmação, de um Sr. Doutor de Medicina Desportiva - não posso jurar que as palavras escolhidas foram exactamente estas).

Em três tempos está resolvido o problema da violência doméstica. Em vez de apostarmos na educação para a prevenção, em linhas de aconselhamento, em acompanhamento psicológico às vítimas e aos/às agressores/agressoras, em casas de abrigo e em processos judiciais, a coisa resolve-se com uma inscrição no ginásio ou um simples saco de boxe distribuído porta a porta.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Evangelho Segundo Clarice

"Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. (...). Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. (...). Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. (em silêncio)* . E a tudo isso consideramos a vitória de cada dia."
in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

*Não porque tenha apetecido a Clarice, mas porque me apetece a mim.

Boa Semana

domingo, 31 de maio de 2009

Movimento Pela Igualdade - Para Todas as Pequenas e Todos os Pequenos

"O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade."


A Madeira está conotada como sendo uma das zonas mais homofóbicas do País, situação que é justamente apontada como sendo também reflexo do tipo de discurso oficial que por cá se pratica.
Não fiquei surpreendida com estas informações, até porque ouvi as declarações de AJJ sobre a questão: por cá não gostamos de coisas esquisitas (a generalização do não gostamos matou-me logo na manhã de segunda-feira em que ouvi a pérola), rematado com um eu gosto é destas pequenas lindas que estão aqui (apontando para as miúdas que ouviam o discurso).
Pois aqui este pequeno quintal - um blog que seja seu - considera que, tal como o texto da petição acima divulgada denuncia, o acesso ao casamento civil (sublinho o civil, para as alminhas mais confusas) por parte de casais do mesmo sexo é mesmo uma questão que dignificará a nossa democracia. Ou seja, este blog à beira mar plantado defende que todas as pequenas que se relacionam com outras pequenas e todos os pequenos que se relacionam com outros pequenos têm o direito a celebrar um contrato civil que ateste o seu relacionamento, se assim o entenderem.

Da comensurabilidade do prazer e da dor

Entre a pilha de testes na minha secretária e o sol abrasador a namorar a água azul do Atlântico, nem hesito*: escolho a belíssima pilha de testes. Não que não fique a imaginar o toque da água na pele, ou a sensação agradável de ser lagartixa por umas horas. Mas para além dos nervos que me causam a secretária desta forma ocupada, também me preocupam os olhares inquisidores d@s alun@s, que reclamam que um teste de 90 minutos é demasiado tempo, mas que consideram que corrigir 24 ou 25 de enfiada é coisa que se faz em três tempos.
Na verdade, recorro a um princípiosbásico da filosofia utilitarista clássica: abdico de 3 horas de pura felicidade ao sol a fim de evitar um massacre durante toda a manhã de segunda.

*Esta falta de hesitação é manifestamente exagerada. Custa-me horrores estar para aqui enfiada, abandonada à sombra dos dias solarengos.

Extra, extra - another lullaby - de domingo



É Domingo (já) e a senhora é a minha senhora.

sábado, 30 de maio de 2009

Lullaby de Domingo (antecipa-se e é Sábado - again)



Em contagem decrescente para 30 de Julho de 2009, uma lullaby recitada:

"A riddle in the book of love
Obscure and obsolete
And witnessed here in time and blood
A thousand kisses deep."

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quem tem medo do(s) feminismo(s)?


A partir de 05:50

Parte do trabalho que a UMAR tem vindo a desenvolver é abordado ao longo da reportagem.

A Política dos Sexos*

Ateste-se ao seguinte comentário, extraído da caixa de comentários do JN, em resposta à notícia sobre os dados relativos ao assassinato de mulheres:

"atencao?ha mulheres que meresem?entao vejamos?quantas nao traiem maridos,quantas alem de nao trabalhar andam no sarrote pelos cafes a comer e beber,enquanto desgrasado maridos trabalham,e e aquelas que so veem novelas dia e noite nem comer pronto teem quando maridos veem trabalhar? acham justo iso?portanto ha algumas que meresem ate demais?esta tudo dito cada cabesa sua sentenca..."

Algumas considerações sobre o comentário (para além do facto de se notar que o autor - a atestar pela assinatura - tem especial predilecção pelo ponto de interrogação, muito embora não saiba onde o empregar): para quem ciranda por aí, este tipo de "argumentação" não é tão rara. Tenho alunos que a veicularam, aquando do 25 de Novembro. Daí que toda esta questão necessite de um combate mais profundo e frontal. Primeiro, a admissão que este tipo de violência é muito específico e decorre de cristalizações de papéis sociais que conferem à mulher, ainda hoje, um estatuto menor. Desde a imagem veiculada pela publicidade, às piadas brejeiras, à distribuição martelada de papéis - isto para o menino e isto para a menina - continuamos a educar os nossos filhos e filhas a partir de uma dicotomia homicida: eduquemos pessoas, que mulheres e homens mais saudáveis surgirão.

Surprise, surprise, os dados são veiculados, pasme-se por uma organização feminista. Umas doidas burguesas que não têm que fazer.

*Título de Sylviane Agacinsky

Post d'ama


"Não sou mulher-mãe
nem sou musa de ninguém."


Há sensivelmente dois anos no alfinete d'ama. Entretanto, perdi-lhe o rasto, no meio de tantos links e mudanças no computador. Reencontro-a novamente nos arquivos e apeteceu-me saber dela. Continua onde sempre esteve - eu é que me perdi algures a caminho. Volta para a lista ali ao lado.

Back to Basics

Hábitos que se esbatem, mas não desaparecem.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ministério da Propaganda

Revejo posts antigos, de há dois ou três anos, e o discurso oficial é sempre o mesmo; repetem-se fórmulas sobre rigor e excelência, competência(s) e seriedade. Tudo isto fica apenas pelo que é vomitado para a comunicação social. Porque o que é vomitado para as escolas é outra fruta (para não lhe chamar outra coisa). O que parece é e o que interessa é que as pautas atestem que as criancinhas e adolescentes sabem ler. Não interessa nada colocar em prática tal coisa, ai jaaaasuuuus (quando os resultados são maus, é preferivel não avaliar, ou melhor, colocar o peso em critérios que são um sucesso, tal como a assiduidade ou a pontualidade).
Os pais que podem, pagam pela educação dos seus filhos; todos os outros ouvem estes discursozinhos "da fruta" e compram-na todinha. É uma emoção, ter gente assim, na política portuguesa.