sexta-feira, 12 de junho de 2009

Disciplina musical

Nunca fui adepta do ouvido à escuta dons sons emitidos por um aparelho radiofónico. No carro, ouço as minhas escolhas musicais e em casa, quando trabalho, acontece o mesmo. Isto significa que sou uma ignorante radiofónica, em relação às várias estações e a eventuais programas interessantes.
Há sensivelmente dois anos que Pêssego aka Tangerina aka Couve e não me lembro que mais (ou melhor, para mim será também o gato de Schrödinger) me recomenda a audição da rádio Radar. Eu ouço uma, duas ou três vezes e depois regresso à rotina da mutez radiofónica. Esqueço-me do ritual de procurar na net e colocar a tocar a transmissão online. Há uns meses, Pêssego (etc, etc) recomendou-me um programa em específico da referida estação: o Vidro Azul, da responsabilidade de Ricardo Mariano. O programa é transmitido ao passar dos domingos para as segundas e repete às quartas, também em horário carregado de insónia. Tentei ouvir uma vez, esqueci todas as outras, mas de vez em quando passo pelo blog, a ler pelo menos as novidades. Muitas vezes, o Pêssego, previdente, mostra-me novidades musicais com as quais me entusiasmo e repete a fonte: Vidro Azul, Vidro Azul.
Hoje tentei adicionar o blog ao desenrolar de papiros, mas de alguma forma não é reconhecido. Assim, tem honras em grupo de links à parte ali ao lado e tentarei actualizar os podcasts semanalmente. É da forma que educo esta minha memória débil mental.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Etc.

"(...)
porque em toda a palavra está o silêncio dessa palavra
e cada silêncio fulgura no centro da ameaça
da sua palavra -
como um buraco dentro de um buraco no ouro dentro do ouro"

Herberto Helder

em noite de calor e como desculpa para adiar o início de mais uma rodada de trabalho.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Da minha parte é mesmo vermelho, obrigadinha

A leitura de João Cravinho é interessante, muito embora algumas considerações escapem totalmente ao meu entendimento. Por exemplo, o "efeito Sócrates" teria que ser esmiuçado para perceber que efeito (miraculoso?) é esse.
Cravinho é um optimista. Considera que é preciso "mudar, alterar, ajustar" para que nas legislativas o resultado não seja desastroso; a esta altura do campeonato, nem que o Partido Socialista fizesse o pino, eu (e tant@s outr@s) mudaria de ideias. Porque se Sócrates foi (é e será) autista, isso não iliba @s restantes de o terem permitido. Portanto, nem só de Sócrates foi feita esta legislatura e poucas foram as vozes dissonantes dentro do Partido. No que me diz respeito, o assunto está resolvido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

M Generation

Descobri-o no blog da Alice

Conversas da treta

"A escola deve assentar não no aluno imaginário, mas naquele que existe. Não é o ensino centrado no programa, mas no aluno, porque o programa é pouco útil se os alunos não aprenderem. Essa mudança de paradigma é muito importante: pôr os alunos a trabalhar sozinhos, a corrigir os seus trabalhos, enquanto os professores ajudam os que têm mais dificuldades."

Este é o discurso direccionado para a opinião pública. Porque depois, se/quando o programa não é cumprido, para além das justificações em tudo o que é reunião, estatísticas, grelhas, avaliações e quejandos deste género, a conversa é outra.
Quanto ao quadro idílico dos alunos a trabalhar sozinhos e a corrigir os seus trabalhos - vê-se por aqui quem assenta o seu paradigma em alunos imaginários.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Boa Semana


(dead Kennedys)

Alheamento

Na esplanada. As urnas a fechar. E eu e ele a constatarmos o passar dos anos. Os sonhos - tão longínquos quanto as nossas adolescências. Nenhum de nós festeja. Nada há a celebrar. O dia em que a família Vitória se absteve de ir votar. No Altis desmontam o palanque que serviria para cantar mais uns votos. A abstenção não os envergonha. Apenas os votos nos outros. Surgiu-me um breve sorriso nos lábios enquanto lia o rodapé. Mas quando ouvi a sr.ª PSD, não consegui evitar o asco.

domingo, 7 de junho de 2009

Hoje

Quis falar-te como nunca te falei,
antes de me calar para sempre.
Antes de o silêncio se impor como (um)a cortina de ferro que separa o mundo que foi do que é.
(azar ser dia santo)
Picture by Horst

Neutra, mas pouco (parte II)

Em contrapartida, e para não se se afastar do rival-mor, a líder do maior partido da oposição dirigiu-se ao país com um redondo e eloquente: "Boa noite a todOs". Já o senhor dos centristas, manteve o politicamente correcto: "portuguesas e portugueses".

Neutro, mas pouco

Sócrates cumprimentou OS senhorES jornalistas, parabenizou OS deputados eleitOS e informou OS portuguesES que não ficou muito satisfeito com a brincadeira. Eu, como portugueSA nada mais tenho a acrescentar sobre a personagem.
"I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul"

creep - radiohead


Creio que poucas músicas espelham com tal exactidão o desejo de perfeição (aparentemente) intrínseco ao Ser Humano. Na história da Humanidade proliferam os exemplos de celebridades e génios atormentad@s pela insuficiência do Ser. É nesta altura que me surge a questão acerca do círculo social destas pessoas. Não teriam el@s amig@s que @s amassem tal e qual como el@s eram/são? Será que est@s lhes atiravam com comparações desgostosas manifestando a vontade de que fossem outr@s que não el@s própri@s? E que diriam a um amig@ que vos dissesse "gostaria tanto que fosses mais parecid@ com o Frank ou com a Sally?"
"(...) porque a obsessão masculina de silenciar, esquecer ou denegrir a actuação feminina (também noutros contextos: Eduardo Lourenço, 1989) faz supor um enorme medo pela força feminina, que a todo o tempo parece ameaçar o seu pólo oposto, que a si próprio assim se auto-define no discurso. Sabemos pelo menos desde Foucault que não há poder sem resistência, e pelo menos desde Derrida que o equilíbrio textual entre os contrários está sempre à beira da subversão, é um equilíbrio eminentemente (e iminentemente) instável."

Teresa Beleza, In Mulheres, Crime, Direito ou a Perplexidade de Cassandra.

Lullaby de Domingo




Há algum tempo que ouço esta senhora. Se escolhi esta faixa, é porque tem uma colaboração de N.C.
Sempre há gente com muita sorte. Primeiro foi a outra para quem My Private Lord escreveu uma música. Com esta colabora assim, por dá cá a tua voz...

sábado, 6 de junho de 2009

A Onda





Para ver e reflectir

Os Monstros da Fé

Esta semana foi profícua em situações de agastamento (vide aprender por ouvir dizer). É o que acontece a quem se põe a jeito (e eu ponho-me). Pois entre outras, uma das pérolas que me ficou no ouvido da minha tarde de ontem foi a seguinte:
A questão da recusa da IVG é uma questão de sobrevivência social; País onde não nascem bebés, é País que necessita de receber imigrantes e é preciso travar a vinda (principalmente) dos muçulmanos para a Europa, com a sua religião bélica.
E quem mo afirmou, fechou a argumentação com um "eu sei, acredite, que tenho muitos mais anos que você." Eu, que precisava sair do local para um outro compromisso, e já estava fartinha de insistir no meu ponto de vista) considerei ser hábil da minha parte deixá-lo carregar a bicicleta (e a idade, já agora) todinha.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aprender por ouvir dizer

Em relação à violência doméstica, se se praticasse mais exercício físico, haveria menos agressividade latente em casa.
(a afirmação, de um Sr. Doutor de Medicina Desportiva - não posso jurar que as palavras escolhidas foram exactamente estas).

Em três tempos está resolvido o problema da violência doméstica. Em vez de apostarmos na educação para a prevenção, em linhas de aconselhamento, em acompanhamento psicológico às vítimas e aos/às agressores/agressoras, em casas de abrigo e em processos judiciais, a coisa resolve-se com uma inscrição no ginásio ou um simples saco de boxe distribuído porta a porta.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Evangelho Segundo Clarice

"Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. (...). Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. (...). Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. (em silêncio)* . E a tudo isso consideramos a vitória de cada dia."
in Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres

*Não porque tenha apetecido a Clarice, mas porque me apetece a mim.

Boa Semana