segunda-feira, 18 de maio de 2009

"New"* blog on the block

O Feminismo está vivo e de boa saúde por terras lusas. Aqui fica mais um blog que orgulhosamente consta do nosso desenrolar de papiros: Elas Nas Notícias - e por cá.

* Para nós, que só agora o conhecemos.

Boa Semana

domingo, 17 de maio de 2009

Lullaby de Domingo





Juntar pezinhos de lã e descobertas da DPutamadre dá nisto: lullaby's engajadas.

sábado, 16 de maio de 2009

Difíceis Equilíbrios

Portugal ainda transpira heranças bafientas de um regime que ensinava que só havia uma maneira de uma menina se tornar uma boa mulher e que privilegiava também a masculinidade hegemónica (que ainda hoje perdura de resto). Soube de uma dessas histórias, tantas vezes repetidas, tantas vezes descobertas nos olhares e nos lamentos de homens e de mulheres, e sobretudo das mulheres que se tornaram boas mulheres, cuja a única e exclusiva dedicação foi à família e para a família. A sua única profissão eram os tachos e panelas que areavam com esmero e as fraldas de pano que lavavam nos tanques. Sim, essas mulheres ainda existem. Estão na casa dos 50 e muitos, 60 e 70. E, tal como agora se ouve o lamento das mais jovens que sentem ter perdido o crescimento dos filhos pela dedicação à carreira, entre as mais velhas, ouve-se o lamento da dedicação exclusiva à família. Estranhamente, nunca ouvi um homem lamentar ter perdido a infância do filho, aqueles primeiros anos de vida, o primeiro gatinhar, a primeira palavra....

"A minha mãe fazia parte daquele grupo de pessoas a quem não deixaram ter uma profissão, sabia francês e tocava piano e repetiu-me, até à hora da morte, «por favor, arranja uma profissão, faz qualquer coisa, não fiques submetida a uma família, a um homem, a crianças. Não te preocupes, se estiveres a ler estás a ler e não interrompas. Fazer a cama? Ninguém precisa de uma aula para fazer a cama. Quando precisares, desembrulhas-te e fazes»"
Diana Andringa

Também comecei a ver...

...mas mudei imediatamente de canal. Se há uns anos ainda me dava ao trabalho de ler MST (as crónicas), hoje simplesmente deixo-o passar ao largo. Não me interessa o que a sua sobranceria tem a dizer.
Em relação ao propalado amor de MST pelas touradas só o entenderei quando alguém lhe enfiar uma bandarilha no dorso e ouvi-lo a dizer que é bom e é bonito e que lhe atesta a raça. Até lá... olé.

E em jeito de adenda, este começo brutal do Rodrigo Guedes de Carvalho no Aqui e Agora; não vi. Ceridwen acabou de me enviar o link e ainda estou em choque.

Se Bem Me Lembro (título roubado)

Em função do desafio lançado pela Joana Lopes:

A televisão nunca foi coisa pacífica lá em casa. Um progenitor rigoroso apartava-me da maioria das séries de culto, dos filmes provocadores, das novelas apetitosas. A maior parte dos títulos evocados foram vistos aos solavancos, com episódios perdidos e contados oralmente no dia seguinte na escola, ou episódios interrompidos brutalmente porque descoberta, porque o meu Pai chegava a casa e tinha que correr para o quarto e fingir que fazia outra coisa qualquer. Muitos delas foram visionadas na pontinha do sofá, com o som muito baixo para poder ouvir a chave na fechadura, ou na rua pela janela que ficava em frente à televisão. Lembro-me que prometia que quando fosse grande veria todas as novelas brasileiras que pudesse. Agora posso e não as vejo, porque também me parece que eram outras as novelas e outro o travo. Aqui ficam as memórias: das mais antigas para as mais recentes:

1 - Sítio do Pica-pau Amarelo (dispensa apresentações);
2 - Ana dos Cabelos Ruivos (vi em desenho animado e em série com protagonistas de carne e osso);
3 - Eu, Cláudio (sempre tive predilecção por estas séries históricas. Anos depois comprei o livro e devorei-o).
4 - Macgyver - esta é das tais. Passava aos sábados, por hora do almoço, altura em que o meu Pai chegava a casa. Alguns episódios chegava mais cedo e lá perdia o fim. A meio do episódio geralmente tirava o som, para poder ficar mais atenta aos ruídos circundantes.
5 - Pantanal - a única que o meu Pai gostava efectivamente de ver e por isso eu própria vi muito poucos episódios. Mas achava que gostaria de ter visto muitos mais...
6 - Hercule Poirot - esta era consensual e nunca fez parte das interdições.
7 - Twin Peaks - nem pensar! Lembro-me que estava no 9.º ano e a maior parte dos episódios apenas via a primeira parte.
8 - Clarissa - série baseada na obra de Samuel Richardson, que procurei durante muito tempo, de tal forma fiquei impressionada com a série. Nunca encontrei.
9 - Orgulho e Preconceito - encontro imediato com Colin Firth e que dispensa mais explicações.
10 - Absolutamente Fabulosas - e eram/são. Fazia por não perder um episódio que fosse.
11 - Seinfeld - adorava. Não dormia até ver o episódio do dia.
12 - Ally Macbeal - que tenho tido o prazer de continuar recordar com a fox. Aquando do aparecimento da série em Portugal, na TVI (se não estou em erro), lembro-me de colocar o despertador para a poder ver no horário indecente em que era transmitida.
13 - A Muralha - Gostava de rever, se bem que alguns episódios eram absolutamente angustiantes.
14 - Will and Grace - adoro aquelas personagens idiotas.
15 - Roma - se perdesse um episódio, ficava (quase) doente.

16 - Sete Palmos de Terra - ainda hoje, considero-a a melhor série de sempre. Genial!


(depois, ainda me lembrei de Black Adder, de que também sou fã e que espero que venha a constar da minha parca dvdteca).

A partir daqui, continue quem quiser (a começar pel@s restantes escribas deste blog).

What?

"Amiguinho" apócrifo, a treta da proximidade tinha que ser pensada ao longo da legislatura e não somente agora, para a campanha. Ou V.ª exª. acha que os últimos quatro anos apagam-se magicamente da memória colectiva d@s portugues@s? Algum respeito pel@s eleitor@s. Haja vergonha!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um poste a sério



O melhor poste!

Observações: não aceito prémios. Obrigada.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Suspiro de alívio

Ela está de volta com O Novo Mundo. À tua, Isabela.

"Decorria o início da criação. apaixonados, Céu e Terra queriam fundir-se num só. Então, o Céu ordenou à Terra: «Estende-te e estender-me-ei depois sobre ti.» A Terra respondeu: «Caso me estenda primeiro, não me poderás cobrir por completo depois.» Mas o Céu não deu atenção aos avisos da sua amante e pediu-lhe de novo que se abrisse e distendesse.
A Terra assim fez e, como previra, o Céu não era suficientemente amplo para a cobrir por completo. A Terra optou então por se contrair de forma a poder ser abraçada pelo Céu. Enrugou-se de tal forma que daí nasceram os vales e as montanhas. Terra e Céu puderam finalmente abraçar-se e do calor húmido do seu abraço nasceram o Sol e a Lua."
A Origem do Sol e da Lua, Polinésia, Pada, in Rosa do Mundo

Sentimos a tua falta.

"Habilitações Necessárias Para Ser Ministro…"

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder… O poder não sai de uns certos grupos como a péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
(…)
Um homem é tanto mais célebre, tanto mais consagrado, quantas mais vezes tem sido ministro - isto é, quantas mais vezes tem mostrado a sua incapacidade nos negócios, sendo esbanjador da fazenda, ruína do País, etc.
Assim o Sr. Carlos Bento foi a primeira vez ministro da fazenda. Teve a sua demissão, e não foi naturalmente pelos serviços que estava fazendo à sua pátria, pelo engrandecimento que estava dando à receita pública, etc.. Se caiu foi porque naturalmente a opinião, a imprensa, os partidos coligados, poder moderador, o julgaram menos conveniente para a administrar a riqueza nacional. E o Sr. Carlos Bento saiu do poder com importância.
Por isto foi ministro da fazenda uma segunda vez. Mostrou de novo a sua incapacidade – pelo menos o julgou, por essa ocasião, o poder moderador, impondo-lhe a sua demissão. E a importância do Sr. Carlos cresceu!
Por consequência foi terceira vez ministro. Caiu; devemos portanto ainda supor que naturalmente deu provas de não ser competente para estar na direcção dos negócios. E a sua importância aumentou, prodigiosamente!
É novamente ministro: se tiver a fortuna de ser derrubado do poder, e convencido pela opinião de uma incapacidade absoluta, será elevado a um título, dar-lhe-ão embaixadas, entrará permanentemente no Almanaque da Gota…
Ora tudo isso faz pensar – que quanto mais um homem prova a sua incapacidade, tanto mais apto se torna para governar o seu país!
E, portanto, logicamente, o chefe do estado tem de proceder da maneira seguinte na apreciação dos homens:
O menino Eleutério fica reprovado no seu exame de Francês. O poder moderador deita-lhe logo um olho terno.
O menino Eleutério, continuando a sua bela carreira política, fica reprovado no exame de história. O poder moderador, alvoraçado, acena-lhe com um lenço branco.
O caloiro Eleutério, dando outro passo largo, fica reprovado no 1º ano da faculdade de Direito. O poder moderador exulta, e quer a todo o transe ter com ele umas falas sérias.
O bacharel Eleutério, avançando sempre, fica reprovado no concurso de delegado. O poder moderado não pode conter o júbilo, e fá-lo ministro da Justiça.
E a opinião aplaude!
De modo que, se um homem se pudesse apresentar ao chefe de Estado com os seguintes documentos:
Espírito de tal modo branco que nunca pode aprender a somar;
Reprovações sucessivas em todas as matérias de todos os cursos.
O chefe de Estado torná-lo-ia pela mão, e bradaria, sufocado em júbilo:
- Tu Marcellus eris! Tu serás, para todo sempre, Presidente do Conselho!


Eça de Queirós, As Farpas (1871)

Pezinhos de lã - o mundo mudou. Portugal também?

CONTRA AS VELHAS/NOVAS INQUISIÇÕES
PELO DIREITO A UMA VIDA COM DIREITOS
15 Maio | 19h | Largo S. Domingos
(junto ao Teatro Nacional D. Maria II)
Um conjunto de associações portuguesas, brasileiras e espanholas desenvolvem, no dia 15 de Maio, uma intervenção artística pelos direitos sexuais e reprodutivos.
Com o lema “Contras as Velhas/Novas Inquisições”, um grupo de actores e actrizes vão representar um auto de fé da inquisição, chamando a atenção para as semelhanças que as perseguições antigas têm com as condenações actuais.

Manifesto
Pois é! Umas vezes vêm de botas cardadas... outras com pezinhos de lã.
Batem com a mão no peito, fazem rezas, conferências, juntam assinaturas, lançam folhetos, dogmas, as suas certezas, as suas velhas teorias. Chegam a pôr bombas e a assassinar quem pratica o aborto de forma legal e segura.
Porque não toleram o direito à escolha, à liberdade e à auto-determinação, são contra o direito ao aborto;
Porque negam a pluralidade de modelos familiares e só querem uma família patriarcal;
Porque vivem mal com o(s) corpo(s), o(s) prazer(es), a(s) sexualidade(s).
Porque ainda recusam o direito à contracepção, ao preservativo, promovendo única e exclusivamente a abstinência.
Porque temem que os/as jovens usufruam do direito a uma Educação Sexual sem tabus; porque têm medo da liberdade e da vontade das pessoas sobre os seus corpos, movem campanhas contra o direito à informação sobre aspectos fundamentais da vida dos seres humanos.
O Mundo mudou... Portugal também.
...mas há quem queira olhar para a vida, para as mulheres e para a sociedade, como se estas tivessem parado no tempo. Velhos inquisidores ainda cá estão – hoje com vestes mais modernas, mas com pensamentos muito antigos. Os autos de fé que faziam, e onde expunham e castigavam as mulheres que não se comportavam segundo os cânones (mulher submissa, irmã obediente, filha virtuosa), são hoje poderosas campanhas em que se procura perseguir e culpabilizar a sociedade – apresentando bafientas teorias e dogmas como sendo os “valores” de que a sociedade carece.
As cidadãs e cidadãos, assim como colectivos e associações promotoras desta iniciativa, reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo aprofundamento e alargamento de direitos para todos e todas; reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo progresso das mulheres e dos homens que chegaram a este século assumindo o caminho feito como um dado adquirido de que não abrem mão. A vida é para ser vivida com felicidade, direitos, em plenitude e não como um calvário ou um sofrimento, regimentada por velhas regras que alguns grupos nos querem impor.
Porque não queremos mais homofobia nem transfobia neste país.
Porque recusamos qualquer forma de discriminação em função da orientação sexual e das identidades de género(s).
Porque não podemos aceitar que se estigmatizem as pessoas seropositivas.
Porque nos negamos a viver numa sociedade patriarcal em que as mulheres são menorizadas.
Lutaremos sempre por Direitos Civis e por Direitos Sexuais e Reprodutivos, para todos e todas, em plena igualdade. Exprimimos a nossa solidariedade com todas as pessoas que noutros países – e em particular o Estado Espanhol e Brasil - lutam pelo direito a interromper uma gravidez por decisão da mulher.
Os “novos” autos de fé e as perseguições são sempre momentos de retrocesso e de vergonha que deviam, há muito, fazer parte de um passado enterrado.
Associações Subscritoras
Associação Olho Vivo | Associação Positivo | Católicas pelo Direito de Decidir/Brasil | Clube Safo - Associação de Defesa dos Direitos das Lésbicas | Colectivo Feminista | Comuna – Teatro de Pesquisa | Karnart C.P.O.O.A. | GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA | Gatos que Ladram | Médicos Pela Escolha | Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais | NOSOTRAS NO NOS RESIGNAMOS | Panteras Rosa – Frente de Combate à LésBiGayTransFobia | poly_portugal | Ponto Bi | Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens | SERES.VIH.SIDA | SOLIM – Associação para a defesa dos direitos imigrantes | SOS Racismo | UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Correcção da informação avançada pelo post anterior

Afinal só vem almoçar, que o jantar já fica demasiado tarde. Deitas cedo e cedo erguer, blá blá blá blá blá blá crescer.

Olha quem vem para jantar

De braços abertos (dizem as más línguas) será recebido Sócrates na visita de evangelização. Já se sabe que a viagem serve para que a relíquia seja distribuída por cá - com toda a pompa e circunstância com que um ministro, ainda por cima primeiro, consegue conferir a uma negociata desta natureza.
Para além deste aspecto mais institucional da coisa, estou em crer que também haverá troca de impressões sobre democracia. Sendo os dois protagonistas desta estória especialistas na temática, muitas experiências terão para trocar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Do Meu ponto de vista

Continuo a ficar estupefacta perante a forma como muitas vezes pensamos e nos referimos ao(s) Outro(s) única e exclusivamente a partir da utilidade (económica, política, lúdica, etc, etc, etc,) que possam ter para nós e em função de nós. E para quando a percepção que somos Outro para outrém?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

I Wanna Be Loved By You

Qualquer semelhança com a atualidade...




não é pura coincidência.

"O sexo oposto"


(A Hortelã Pimenta tem folhas opostas)

Por curiosidade, Sr. Jorge, fui ver o significado do adjectivo "oposto", pois a expressão "sexo oposto" causa-me uma certa impressão.

Oposto adj. 1 colocado em frente a alguma coisa; que está defronte; fronteiro; 2 que é totalmente diferente; inverso; contrário; 3 contraditório; 4 que faz posição; antagónico; 5 Botânica diz-se das folhas e dos ramos inseridos dois a dois e em frente um do outro, no caule.
In Dicionário da Língua Portuguesa 2004, Porto Editora

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Já anteontem, acidentalmente (sublinhe-se o acidentalmente), o estore da sala esmagou uma jovem osga; hoje dei cabo de uma pobre abelhona (sublinhe-se o abelhona - talvez mesmo um zangão) que passou a noite no escritório e que só hoje de manhã descobri. Após algumas horas a andar (devia estar com algum problema nas asas pois não voava) às voltas decidi ajudá-a (a suicidar-se está visto). A pobre sofreu uma queda de um 3.º andar. Deve ter sido por isso que quando regressei a casa tinha um intenso cheiro a queimado. O arroz (quase tão preto quanto o meu cabelo já foi) colado ao tacho. E após o primeiro choque, achei que um tacho com arroz esturricado não era preço elevado para quem aviou (na mesma semana) um réptil e um insecto.