sábado, 2 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Não será necessário o acordo do trabalhador em questão
Que fique registada a minha profunda tristeza por aconselhar tal remuneração a um homem chamado Sócrates. Já não se fazem Sócrates como antigamente.
"Todas as cartas de amor são ridículas"*
*Álvaro de Campos
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Transmission 2
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Contextualização de uma releitura
"O País precisa voltar à escola"
Acefalias diplomadas
Helen Keller é uma das minhas campainhas. Inscrevi-me, há uns tempos, numa formação sobre Neuropsicologia e como a formadora inicialmente prevista adoeceu enviaram, em substituição, uma outra, esta especialista em Necessidades Educativas Especiais. Obviamente, desconfiei da troca - até porque o meu historial de formações não é dos melhores. Sou especialmente dotada na escolha das piores coisinhas que por aí andam (não é à toa que estou inscrita para fazer uma com D.M. em Setembro - é agora que o Funes aplaude mentalmente e julga que serei finalmente doutrinada como deve ser). Mas fui. A senhora, com grau de mestre e doutoramento na faculdade "estrongeira"de esfrega o certificado que fica sempre bem, já tinha uma certa idade e anunciou-se como sendo uma entendida em crianças invisuais. Até aqui a coisa não parecia excessivamente má, até que a criatura, entusiasmada por uma plateia que certamente lhe pareceria certamente de idiotas (ah e tal, eles na ilha, eu na Capital) enceta uma formação com resmas de papelada que (in)felizmente recalquei num qualquer caixote do lixo, salpicada por pérolas de preconceito(pensei, generosamente, ao início) e acefalia (sendo que esta última conclusão não precisou de muito tempo).
Na verborreia que a senhora derramava, pérolas houve que sobressaíram do seu discurso; a senhora considerou que bebés filhos de fumadores sofrem imenso com o vício dos pais, já que nascem todos mais pequeninos (o que se verifica) mas também com cara de macaquinhos - surpresa total na sala com esta informação que obviamente (não) foi desde logo fundamentada com quadros estatísticos exaustivamente apresentados, seguidos de relatórios médicos com a descrição precisa das características dos tais macaquinhos.
A senhora também permitiu-se a exortar às possíveis parideiras da sala: de que era preciso começarmos a parir (sim, neste caso utilizo as palavras odiadas), já que o País está a ser dominado pelos negros: em cada 10 crianças nascidas na Maternidade Alfredo da Costa, 9 são negras. É preciso, portanto, ganhar a corrida de emprenhamento, para não nos tornarmos num País entregue aos pretos.
As necessidades educativas especiais, obviamente, moravam ali.
terça-feira, 29 de julho de 2008
"(...) o sentimento de um pensamento que partiu. (...). E não é possível ir para trás."*
Pode a retina mais que o tímpano?
Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.
domingo, 27 de julho de 2008
À atenção da Su e do Gonçalo
A propósito de uma conversa ao longo do jantar
Saramago é, para mim, uma melancolia. Gostava genuinamente de o conseguir ler, mas há algo em mim que o interdita. Tanto quanto já pude ouvir sobre os seus livros, há alguns conceitos que considero geniais. Simplesmente, não consigo ler-lhe as entrelinhas. Pela forma como espraia esses conceitos pelo texto, Saramago é-me ilegível.
O mesmo já não acontece com Miguel Sousa Tavares. Como já tive a oportunidade de explicar anteriormente, as minhas razões para a recusa da leitura de MST são absolutamente irracionais: o homem irrita-me solenemente. Nem precisa abrir a boca. A postura corporal e os trejeitos de lábios são suficientes para me provocarem náuseas. O vaidosão da opinião contaminou completamente a minha visão sobre a sua escrita, pelo que nem consigo pegar num dos títulos dele para folhear em plena livraria. Desleitura antes da leitura, portanto.
Por outro lado, também tenho as minhas paixões assolapadas. Clarice Lispector é uma delas. Foi-me apresentada numa algo distante aula de Filosofia Contemporânea (quiz endereçado a Sancho: quem terá sido?). Ninguém como ela para me atingir com as palavras. Irónico que eu, que não consigo ler quase nada em português do brasil, eleja uma brasileira como uma das escritoras da minha eleição. A outra é, evidentemente, Virgínia Woolf (o nome deste blog assim o denuncia).
A escapar a esta catalogação, está Patricia Dunker. Dela, apenas li um pequeno livro, A Sombra de Foucault, que devorei. Difícil de encontrar nas livrarias, tenho o meu completamente rasurado, com as páginas a despenarem do manuseamento. Na verdade, a minha adoração por este pequeno livro é algo ridícula: não está maravilhosamente escrito. Mas tem passagens sublimes e essas bastam-me.
E quem nunca conseguiram ler, apesar de inglórios esforços?
Lullaby de Domingo
Scout Niblett é um vício. Se inicialmente algumas das suas composições soaram-me demasiado cruas, a verdade é que cada vez mais me apetece ouvi-la. E mesmo quando interpreta velhas melodias, a senhora é sublime. A lullaby que vos deixo - e é uma canção de lamento - é interpretada em parceria com Bonnie Prince Billy (a ele chegaremos não tardam muitos domingos).
sábado, 26 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Confissões de uma menina mal comportada*
Diário das princesas em geral
Ela era intensamente sensível. Era imensamente encantadora. Era profundamente dedicada. Ela dominava todas as difíceis artes da vida familiar. (...) - resumindo, ela era tão condescendente que nunca tinha tido uma ideia ou um desejo próprio - em vez disso preferia concordar sempre com as ideias e desejos dos outros.
Acima de tudo - nem era preciso dizer - era pura. A pureza era considerada a sua maior beleza - o pudor das faces era a sua maior qualidade.
E quando vim a escrever, encontrei-me com ela logo nas primeiras palavras. A sombra das suas asas caiu sobre a página; (...) quando peguei na caneta para escrever sobre aquele romance do homem famoso, ela deslizou por trás de mim e sussurrou «Minha querida, és uma rapariga. Estás a escrever sobre um livro que foi escrito por um homem. Sê bondosa, sê terna, elogia, ilude, (...). Nunca deixes ninguém supor que tu tens vontade própria."
terça-feira, 22 de julho de 2008
Fotodiário de duas princesas
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Ai que tempo
sábado, 19 de julho de 2008
Pérolas a porcos
E jamais o dominarás.
Vive-o, respira-o.
E dorme nele como no seio de uma floresta.
Vergílio Ferreira, Pensar
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Interregno - lullaby extraordinária
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Não vou a tempo para o ver e ouvir, CARAGO!
Castração das liberdades
Mais uma vez, a minha recusa visceral de loas à menoridade mental. E não, os valores que temos não são os melhores, mas nunca retroceder ao ponto da perda total de identidade, de deixar que nos agrilhoem o pensamento.
"Antes o poço da morte, que tal sorte" (Já cantava o Sérgio Godinho)
Galgar montanhas

Foi a primeira vez que fiz uma caminhada com um grupo em que praticamente não conhecia ninguém. A diferença não é tão grande assim. A maior parte permaneceu desconhecida, mas forneceu o conforto de não me saber sozinha. Flor estava comigo e Flor bastou para me que sentisse acompanhada no meio de tantos rostos sem rasto.
Isto de estar a caminho no meio de nada provavelmente revela a minha faceta mais masoquista. Caminhar incertamente, com um objectivo algo ridículo - atingir o ponto x e voltar - sob um sol abrasador com descidas acentuadas que na volta se tornam subidas (e vice-versa) é saudavelmente doloroso.
Lá em cima, a meio do percurso, quando decidi que não quer
ia chegar ao cume do Pico, que queria ficar ali - sem os cinquenta rostos sem rasto - permiti-me a deitar-me sobre a erva (não confundir com relva), colocar os phones e conjugar os cheiros com os sons.Já tinha esquecido quão dolorosamente reconfortante é estar no meio de nada, o peso de saber que ainda restam uns bons quilómetros para andar. O cheiro da terra em mim, as calças sujas, a camisola a roçar na erva e os cabelos baços da poeira dos pés em andamento sobre o solo nú. Alma de cabra, diz-me Flor - este espírito de andar para sítio nenhum, esta apetência por veredas e levadas, por doer-nos as pernas e os pés.
Havemos de voltar.
As fotografias são da responsabilidade do organizador da caminhada.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Subsídios para uma história do amor humano

segunda-feira, 14 de julho de 2008
À atenção dos promotores de espectáculos na RAM
domingo, 13 de julho de 2008
Lullaby de Domingo
Show must go on
Serviço Público
sábado, 12 de julho de 2008
Convocatória
terça-feira, 8 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Actualizações
domingo, 6 de julho de 2008
Lullaby de Domingo
sábado, 5 de julho de 2008
"Ver era um crer vacilante. Tudo era talvez. " Hélène Cixous
A discussão começou com a Ana, com a sua escrita agressiva e muitas vezes maniqueísta. Gosto do que escreve, da forma como o faz, muito embora por vezes o meu instinto inicial repudie o que escreve. O meu apreço pela sua escrita é proporcional ao desprezo que tem manifestado pelas feministas. Por mim, portanto.
A discussão que lançou com este post, evocando o santo nome do Congresso em vão, despoletou uma grande variedade de respostas por esses blogues fora. Não os linko, porque perdi-lhes, na maior parte dos casos, o rasto.
Mas a questão do véu (e afins) e da excisão feminina é uma questão feminina/ista. E a acusação da Ana parece-me injusta. Pelo menos no que diz respeito à concepção de feminismo que milito.
Recuso-me a afirmar, taxativamente que as mulheres não podem usar o véu. Esse é um direito que lhes assiste, enquanto cidadãs dotadas de livre arbítrio. Mas é aqui que reside o cerne da questão: uma cultura que não promova uma escolha consciente e esclarecida não está, efectivamente, a permitir que a mulher assuma essa decisão conscientemente. Logo, na minha óptica, não há padrão cultural ou preceito religioso que o valha que justifique uma violentação tão grave à liberdade do outro, que neste caso é a mulher (nem agenda política, ou interesse económico - e sobre isto escreverei um dia).
No que diz respeito à excisão, a única que tolero é a que corte definitivamente com estes costumes milenares. Sem piedade, com a agravante de que o ritual não acontece na infância do mesmo. Dura há demasiado tempo.
O exemplo que a Luna apresenta não me suscita dúvida; não me incomoda que uma mulher minimamente dotada de liberdade escolha velar-se. Escolheu - espera-se que - conscientemente. Tal como as religiosas cristãs a determinada altura escolhem pelo uso do véu. Mas a uma mulher que nunca teve oportunidade de vivenciar a possibilidade de escolha endereço o meu pensamento, a minha fé fervorosa de que lhe é amputado um direito fundamental que a mim me foi ofertado: o direito de (quase) livre escolha.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Com a mão no poema
Exercícios de paciência e auto-controle
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Mas Ana
Da desconstrução

Reina o estereótipo e o preconceito, neste reino de que vos falo. O mesmo que ainda hoje fala dos soutiens que nunca foram queimados nas nossas praças e que ignoram as agressões que sofreram algumas das nossas mulheres, porque se atreveram a desafiar os senhores das poltronas. Porque as houve. Porque ainda as há. Exactamente porque incomodam e abalam algumas das estruturas mais emperdenidas e ferrugentas que exortam ao deixa estar que estamos muito bem e tempos melhores chegarão naturalmente, preferencialmente distantes do nosso.
Porque incomodamos e abalamos - e fomos mais de 500, e somos muitas/os mais - e porque pacifica e cordialmente propusemo-nos a pensar as questões de todas e de todos nós. Que nos importamos e nos empenhamos e ignoramos os/as senhores/as da verdade e do discurso descansadinho de que até aqui estamos muito bem. Não estamos. E apenas quem se contenta com o seu umbiguinho satisfeitinho é que julga que estamos no fim da linha. Ou melhor, que o futuro só por si resolverá o problema sem que levantemos um dedo - ou um pensamento.É preciso que, pacientemente, partamos pedra. E o Congresso Feminista 2008 foi um bom exemplo disso.
Somos porvir - um porvir que não acredita no destino. O futuro somos nós, que o desenhamos a partir do aqui e agora.
Amnésica

quarta-feira, 2 de julho de 2008
Lullaby fora d'horas
sábado, 28 de junho de 2008
Post(al): queridas amigas, Woman e Ceridwen,
"Introdução - A vida invisível" in Histórias de Mulheres, Rosa Monteiro, Edições Asa, 2000
P.s.: que tudo corra bem. Se puderem, vejam a peça de teatro NEXT : ))
Voltamos dentro de momentos

(WOAB e Ceridwen e mais 548 pessoas*)
*o título é uma promessa exclusiva das duas primeiras
Privilégios de Feminista
Ana Luísa Amaral
Entrei em Londres
num café manhoso (não é só entre nós
que há cafés manhosos, os ingleses também,
e eles até tiveram mais coisas, agora
é só a Escócia e parte da Irlanda e aquelas
ilhotazitas, mas adiante)
Entrei em Londres
num café manhoso, pior ainda que um nosso bar
de praia (isto é só para quem não sabe
fazer uma pequena ideia do que eles por lá têm), era
mesmo muito manhoso,
não é que fosse mal intencionado, era manhoso
na nossa gíria, muito cheio de tapumes e de cozinha
suja. Muito rasca.
Claro que os meus preconceitos todos
de mulher me vieram ao de cima, porque o café
só tinha homens a comer bacon e ovos e tomate
(se fosse em Portugal era sandes de queijo),
mas pensei: Estou em Londres, estou
sozinha, quero lá saber dos homens, os ingleses
até nem se metem como os nossos,
e por aí fora…
E lá entrei no café manhoso, de árvore
de plástico ao canto.
Foi só depois de entrar que vi uma mulher
sentada a ler uma coisa qualquer. E senti-me
mais forte, não sei porquê, mas senti-me mais forte.
Era uma tribo de vinte e três homens e ela sozinha e
depois eu
Lá pedi o café, que não era nada mau
para café manhoso como aquele e o homem
que me serviu disse: There you are, love.
Apeteceu-me responder: I’m not your bloody love ou
Go to hell ou qualquer coisa assim, mas depois
pensei: Já lhes está tão entranhado
nas culturas e a intenção não era má, e também
vou-me embora daqui a pouco, tenho avião
quero lá saber
E paguei o café, que não era nada mau,
e fiquei um bocado assim a olhar à minha volta
a ver a tribo toda a comer ovos e presunto
e depois vi as horas e pensei que o táxi
estava a chegar e eu tinha que sair.
E me ia levantar, a mulher sorriu
como quem diz: That’s it
e olhou assim à sua volta para o presunto
e os ovos e os homens todos a comer
e eu sentia-me mais forte, não sei porquê,
mas senti-me mais forte
e pensei que afinal não interessa Londres ou nós,
que em toda a parte
as mesmas coisas são
domingo, 22 de junho de 2008
Lullaby de Domingo
sábado, 21 de junho de 2008
"Caderno azul n.º 10"
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Apostasias - o evangelho segundo ELA
Convencera-se que aquela fina camada era só o que valia. E, apesar de não o dizer, apesar de tentar convencer a todos os outros que não era assim, a verdade é que a única coisa em que acreditava ter algum valor, era na sua pele. E nem esta era já sua - era pertença de qualquer uma em quem se deitava.
Uma pechincha, na verdade; de usar e deitar fora.
terça-feira, 17 de junho de 2008
É já amanhã!
domingo, 15 de junho de 2008
Para ti, em particular...
Lullaby de Domingo
sábado, 14 de junho de 2008
Sócrates e Hegel
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Da fome (e) da(s) vitória(s)

Na BP do Estádio de Alvalade o gasóleo deixou de correr das pistolas às primeiras horas da manhã. A meu lado, dezenas de carros de bandeira nacional hasteada antecipam uma vitória suada, que nos irá retirar do calor mórbido. "venham eles que os comemos vivos", ouve-se. Venham eles que nós damos conta do recado, ainda que não haja nada nas prateleiras dos supermercados. São quase 17 horas. Os minutos passam a correr e a prioridade é ter uma televisão para testemunhar, em directo, o futuro de um país. Leio na capa de uma revista: "famílias portuguesas já poupam na alimentação para pagar a casa". Ouço-os dizer à boca cheia que tudo farão para defender Portugal, que a defesa já não se faz com missões de paz ou de guerra, nem nas mesas de ministros com preocupações com a água ou com as fronteiras. A defesa de um país faz-se nas quatro linhas. Enquanto houver futebol há esperança, e quando da selecção sobrarem ecos, restam-nos os clubes nacionais, esses que movem a economia e nos põem a comida na mesa. Esses que nos defendem do desemprego e da ganância dos outros. Esses que são responsáveis pelas descobertas científicas que nos aliviam as doenças e a fome. A fome? Essa que se lixe, temos é fome de vitória, e nisso, a selecção, esse troféu que se apoia em 22 pernas, não nos desilude.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Entre as brumas da memória
A minha Pátria
domingo, 8 de junho de 2008
Lullaby de Domingo
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Cogitações avulsas
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Apreciadora de tomate(s) me confesso

Principalmente cortado(s) às rodelas, acompanhado(s) por queijo fresco e nozes. Bem regado(s) com azeite, vinagre balsâmico e uma pitada de sal grosso e oregãos.
terça-feira, 3 de junho de 2008
É já amanhã!
Já dizia o outro que...

"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."
Oscar Wilde
Nota: fui buscar tudo ao google! Copy past, pois claro.Saltos altos...

- É só o que tem na montra?
- Espere. Temos estes que acabaram de chegar... Veja como são giros!
- Sim. Tem bengalas a condizer?
Mandaria a SELECÇÃO NACIONAL...
domingo, 1 de junho de 2008
Pérolas a porcos
Lullaby de Domingo
sábado, 31 de maio de 2008
A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue" - Fin
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Post pseudo-funiano(??)
terça-feira, 27 de maio de 2008
Pérolas a porcos
sábado, 24 de maio de 2008
Lullaby de Domingo
A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"

Emmanuel Levinas
sexta-feira, 23 de maio de 2008
(Almost) Closed Door

Encerro o meu dia de trabalho. A três horas e meia de iniciar a próxima tarefa. mas o excelente que recebi e os dois cafés das últimas horas tiraram-me o sono. Vem aí outro dia de olheiras e a porta está entre- a-b-e-r-t-a.
Instalação de Jessica Feldman
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Clap, clap, clap
terça-feira, 20 de maio de 2008
Este País não é para velhos de espírito (se calhar, até é)
"Emissário de Um Rei Desconhecido"
domingo, 18 de maio de 2008
A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"
"(...) e vós, Senhor meu Deus! concedei-me a graça de produzir alguns belos versos que me provem a mim mesmo que não sou o último dos homens, que não sou inferior àqueles que desprezo." BaudelaireLullaby de Domingo
sábado, 17 de maio de 2008
A minha verdadeira devoção
Nada garante que tu existes
Não acredito que tu existas
Só necessito que tu existas
de David Mourão-Ferreira
A Sócrates o que é de Sócrates (o novo)
Aos 5 infames votantes da sondagem de Mr. Lekker
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Também nós vamos a fumos
Ao cuidado do camarada Funes
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Porque dizem que anda por aí uma espécie de crise alimentar e tal
quarta-feira, 14 de maio de 2008
A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"
terça-feira, 13 de maio de 2008
Declaração pública de interesse
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Só porque me apetece...
domingo, 11 de maio de 2008
Lullaby de Domingo
sábado, 10 de maio de 2008
devoções
A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"

"Vejo eu o que vejo? O que não estava ali se calhar estava. Ser e não ser não se excluíam mais." Hélène Cixous
O Paul do romance não passava de um porco (badalhoco)
Deixo aqui uma passagem do fascinante livro: O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda
“ Paul beijou-a ardorosamente enquanto o gondoleiro, cúmplice das aventuras do amigo, fingia olhar noutra direcção e a gôndola, equipada com macios coxins, deslizava tranquilamente pelos canais venezianos”.
Leu a passagem várias vezes em voz alta.
Que raios seriam as gôndolas?
Deslizavam por canais. Devia tratar-se de botes ou canoas, e quanto àquele Paul, era óbvio que não se tratava de um tipo decente, já que beijava “ardorosamente” a rapariga na presença de um amigo, e ainda para mais cúmplice.
Gostou do começo.
Pareceu-lhe acertado que o autor definisse os maus com clareza desde o princípio. Dessa maneira evitavam-se complicações e simpatias imerecidas.
E quanto a beijar, como é que ele dizia? “ardorosamente” como diabo seria isso?
(…)
Não. Os xuar não se beijavam.
Recordou-se também de que, em certa ocasião, vira um garimpeiro acasalando com uma jíbara, uma pobre mulher que deambulava por entre os colonos e os aventureiros implorando uma golada de aguardente. Quem tivesse vontade puxava-a de parte e possuía-a. A pobre mulher, embrutecida pelo álcool, não tinha consciência do que estavam a fazer com ela. Dessa vez, o aventureiro montou-a na areia e procurou-lhe a boca com a sua.
A mulher reagiu como uma besta. Tirou o homem de cima dela, arremessou-lhe um punhado de areia e desatou a vomitar com um nojo indissimulável.
Se beijar ardorosamente era isso, então o Paul do romance não passava de um porco.
(...)













