sábado, 17 de maio de 2008

Aos 5 infames votantes da sondagem de Mr. Lekker

Estou em crer que não conseguirão degustar nada decente nos próximos tempos, tal o peso da consciência sobre a vossa digestão!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Também nós vamos a fumos

As declarações de Sócrates quanto à possibilidade de se chicotear em público quem, como ele, fuma nos espaços que ele próprio proibiu, faz-me lembrar o bebé na incubadora do Santana Lopes.

Ao cuidado do camarada Funes

Acabei de ler A Fenomenologia assinada por Lyotard. Suponho que fique mais satisfeito em saber que abandono a indecência dos franceses e abro agora a radiante obra de um inglês: lanço-me ao Stuart Mill em A Sujeição das Mulheres.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Porque dizem que anda por aí uma espécie de crise alimentar e tal

Fábula Menino gordo comprou um balão e assoprou assoprou com força o balão amarelo. Menino gordo assoprou assoprou assoprou o balão inchou inchou e rebentou! Meninos magros apanharam os restos e fizeram balõezinhos. José Craveirinha, Moçambique

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"


"O teu corpo composto - três quartos de água, mais um punhado de minerais terrestres. E essa grande chama em ti de que desconheces a natureza. E nos teus pulmões, sorvido e libertado sem cessar no teu tórax, o ar, esse belo estrangeiro, sem quem não podes viver." Marguerite Yourcenar

terça-feira, 13 de maio de 2008

Declaração pública de interesse

Ide votar na sondagem do nosso Mr. Lekker. É que prometeu cozinhar, pour moi, o prato vencedor - logo, a última opção está-vos proibida. Entendido?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Só porque me apetece...

Há muito tempo que quero criar um novo ditado popular. Parece-me a altura certa.
aaa
aaaa
Cada tolo com a sua mania, e os três pastorinhos na Cova da Iria.

sábado, 10 de maio de 2008

devoções

"O Sr. Funes escreve Direito por linhas tortas. " Ámen

A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"


"Vejo eu o que vejo? O que não estava ali se calhar estava. Ser e não ser não se excluíam mais." Hélène Cixous

O Paul do romance não passava de um porco (badalhoco)

Deixo aqui uma passagem do fascinante livro: O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda

“ Paul beijou-a ardorosamente enquanto o gondoleiro, cúmplice das aventuras do amigo, fingia olhar noutra direcção e a gôndola, equipada com macios coxins, deslizava tranquilamente pelos canais venezianos”.

Leu a passagem várias vezes em voz alta.

Que raios seriam as gôndolas?

Deslizavam por canais. Devia tratar-se de botes ou canoas, e quanto àquele Paul, era óbvio que não se tratava de um tipo decente, já que beijava “ardorosamente” a rapariga na presença de um amigo, e ainda para mais cúmplice.

Gostou do começo.

Pareceu-lhe acertado que o autor definisse os maus com clareza desde o princípio. Dessa maneira evitavam-se complicações e simpatias imerecidas.

E quanto a beijar, como é que ele dizia? “ardorosamente” como diabo seria isso?

(…)

Não. Os xuar não se beijavam.

Recordou-se também de que, em certa ocasião, vira um garimpeiro acasalando com uma jíbara, uma pobre mulher que deambulava por entre os colonos e os aventureiros implorando uma golada de aguardente. Quem tivesse vontade puxava-a de parte e possuía-a. A pobre mulher, embrutecida pelo álcool, não tinha consciência do que estavam a fazer com ela. Dessa vez, o aventureiro montou-a na areia e procurou-lhe a boca com a sua.

A mulher reagiu como uma besta. Tirou o homem de cima dela, arremessou-lhe um punhado de areia e desatou a vomitar com um nojo indissimulável.

Se beijar ardorosamente era isso, então o Paul do romance não passava de um porco.

(...)

Ditado

Concordo com o texto da magnífica Ana. E acrescento que a palavra dita tem uma violência -e erosão - mais acentuada que a palavra escrita. A brejeirice pronunciada é-me sempre mais desagradável que a escrita, como se o silêncio da leitura a consiga quase silenciar, como se a audição a tornasse insuportável.
Curiosamente, raramente interpreto a utilização de tal linguagem como um insulto a quem é dirigido. Insistentemente, soa-me como um auto-insulto, uma auto-depreciação disfarçada de violência contra Outrém. O que a torna mais traiçoeira: o efeito boomerang do insulto - lançado ao rosto do Outro, por um passe de mágica volta à face dos lábios que a proferiram, que despudoradamente a lançaram. Esta é a única utilidade que lhe vislumbro, que na verdade é uma utilidade perversa, recontada ao longo dos tempos: a criatura que devora o criador, quando este apenas contava instrumentalizá-la.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A doçura da provocação: da contra-série "La beauté est dans la rue"

"(...) quando nos encontramos diante das repetições mais mecânicas, mais estereotipadas, fora de nós e em nós, extraímos constantemente delas pequenas diferenças (...)." Deleuze

Subsídios Para Uma Conjugalidade Pacífica

Lenha para a fogueira do nobilíssimo Funes:
"Eu dou-te a palavra, e tu jogarás nela
e nela apostarás com determinação.
Seja a palavra “biltre”. Talvez penses num cesto, Açafate de ráfia, prenhe de flores e frutos. Talvez numa almofada num regaço onde as mãos ágeis manobrando as linhas as complicadas rendas vão tecendo. Talvez num insecto de élitros metálicos emergindo da terra empapada de chuva. Talvez num jogo lúdico, numa esfera de vidro, pequena, contra outra arremessada. Talvez... Mas não. Biltre é um homem vil, infame e ordinário. São assim as palavras." António Gedeão

terça-feira, 6 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Pérolas a porcos

O tempo parece infinito e a ambição inútil. Por cima de tudo paira a sensação de inutilidade de qualquer acção humana.
ddd
As Ondas, Virginia Wolff

Lullaby de Domingo

"Quando lhe falava, qualquer que fosse o tema do discurso, muitas vezes X... parecia olhar e escutar o que se passava em redor, vigiando qualquer coisa: detinha-me desencorajado; depois de um prolongado silêncio, X... dizia 'continua, estou a ouvir-te'; retomava então, tanto quanto possível, o fio de uma história em que já não acreditava."
Roland Barthes, Fragmentos de um Discurso Amoroso

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A beleza renascentista


( David - Miguel Ângelo)


"Novas" fragrâncias feministas

O Congresso Feminista, já antes abordado por cá e com direito a cartaz logo ali ao lado, tem o condão de propagar a sua fragrância para outras paragens. Ao ponto de atravessar o Atlântico e, oficialmente, também chegar até nós. Assim, aqui fica - e ali ao lado também - o endereço do blog da equipa cá da Ilha, com direito a divulgação do que por cá se fizer. Não poderia deixar de assinalar o seu nascimento...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Morre de uma vez e não chateies

"Acabo de reler Werther, não sem irritação. Esquecera-me que ele demorara tanto tempo a morrer. Nunca mais acaba e chega-se a querer empurrá-lo pelos ombros. Ao fim de quatro ou cinco vezes, quando se esperava o seu último suspiro, segue-se ainda um outro e mais um outro(...) as partidas buriladas exasperam-me."
André Gide, citado por Roland Barthes em Fragmentos de um Discurso Amoroso
Ainda não li Werther, mas desconfio que tenderei a simpatizar com a afirmação de Gide. (ao contrário de Barthes, que a considera uma tolice. Sempre tive queda para as tolices.)

Viagens...

Antes seja afastado do que já alcancei que o seja daquilo para que vou. A posse é um declínio. Antes um pássaro a voar que dois na mão. Dois pássaros na mão são o que já não falta. Um pássaro a voar: é ir com os olhos a voar com ele; ir sobre os montes, sobre os rios, sobre os mares; dar a volta ao mundo e continuar; é ter um motivo de viver — é não ter chegado ainda.
Branquinho da Fonseca
Nota: depois de ter lido O Barão, quero conhecer melhor a obra deste ilustre escritor. Uma revelação para mim. Uma excelente descoberta.

In the mood for...

Rever esta magnífica. O inferno está sempre nos empata-génios.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Céu pendente

(no Porto Santo)
"O Céu era uma inchada barriga de burro, pendendo ameaçadora a escassos palmos das cabeças."

in O velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda

domingo, 27 de abril de 2008

Lullaby de domingo

Bom, o lifelogger tem sido difícil e não me permite deixar a lullaby no formato habitual. De qualquer modo, aqui fica, desta vez via you tube:
"(...) just another children's story", magistralmente c@ntada* por Andrew Bird.
*Não sou adepta da utilização do @ mas, neste caso, impôs-se.

sábado, 26 de abril de 2008

Da vergonha

Muito raramente uma mulher tem vergonha dos comentários machistas, ou admite que de alguma forma a incomodam. As mulheres, na sua maioria, só têm vergonha das mulheres: que usam saia curta, que fumam, que pintam as unhas, que levantam bandeiras e procuram reinvindicar para si - e para as outras - o mesmo que os homens têm. A maior parte das mulheres só tem vergonha das outras mulheres. Apressam-se a concordar, a sorrir e retribuir olhares cúmplices e ainda assim, quando o galo canta pela terceira vez, não choram de arrependimento. As mulheres raramente choram por si: choram pelos seus filhos, pelos seus homens, mas quase nunca choram pelas outras, o que equivale a que raramente chorem por elas mesmas.
As mulheres continuam a apressar-se a concordar com os homens, mesmo quando esses as chamam de burras. Sorriem e engolem o orgulho, porque é de macho dizê-lo e é de fêmea acatar com os dizeres do macho.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dia da guerra

(Mário Cesariny)

Quem entra em sala de aulas sabe que, a determinada altura, os alunos insistem em saber quando lhe daremos feriado. É quase um ritual de boa disposição, a repetição da pergunta e o engendramento de uma resposta igual na substância, mas diferente na forma. Há um ano atrás, poucos dias antes do dia 25, anunciei aos meus alunos que não teriam aula de Filosofia na quarta-feira seguinte. À festa inicial sobrepôs-se a voz sábia de um deles: "Oh, não façam festa, que nesse dia é mesmo feriado." Perante a minha indagação sobre o motivo para termos um feriado a 25 de Abril, respondeu-me que "Era o dia da guerra".


A persistência da memória tem sido a nossa maior batalha. Numa organização social em que o instante é lei, em que o presente é tirano, a memória - ou a falta dela - é recebida, na maior parte das vezes, com um encolher de ombros enfadado. A deificação do momento tem-nos afastado cada vez mais dos escombros do que fomos, sem que nos apercebamos de que o esquecimento é perda, em última instância, de nós mesmos.
Aparentemente, acreditamos cada vez mais em nós, de uma forma sobranceira e pouco realista. Ou se calhar, acreditamos cada vez menos, já que nos assumimos cada vez mais sem memória. E como responder se já não recordamos a pergunta?

Tempo e espaço

25 de Abril, sempre. Mas não em todos os lugares.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sessão de puro masoquismo

A verdade é que uns e outros lá estiveram e ainda não passaram por cá a contar como foi. Vá lá, façam-me roer de inveja e quase cortar os pulsos. Como foi?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Para ti, querida amiga Woman

Sermos amigos É contar contigo É contares comigo Confiantemente É esperar por ti Sabendo que vens Evidentemente É esperares por mim Sabendo que eu chego Infalivelmente É guardar para ti É guardares para mim Naturalmente As coisas que vimos E as que sentimos Intimamente E que a ti direi Necessariamente É tomar para mim Rigorosamente Teu bem e teu mal É tomares para ti Meu mal e meu bem Meus e teus são nossos Verdadeiramente de Patrícia Joyce

domingo, 20 de abril de 2008

Heresias

Não é
o nome de
Deus
que não deve ser
evocado em vão.

Lullaby de Domingo

A minha condição nos próximos dias...
Obviamente de luto. Amanhã e terça.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Agradecimento

A ti, F.F. [por acreditares no que eu mesma duvido(ava) e por me fazeres acreditar]

quarta-feira, 16 de abril de 2008


a tinta das palavras suspende-se no tempo que não encontro para as depositar calmamente no monitor.
ficam a escorrer inertes no pensamento, perdidas algures num labirinto de memórias futuras, caídas pelas escadas da imensidão do vazio.
(I'm tired)

Help me

No âmbito da disciplina de Formação Cívica, subordinada à actividade: “descreve as características do teu amigo, identifica os seus defeitos e o que poderá melhorar com a tua ajuda”, surge, no meio de muitas outras mais, esta “pérola”:

Ela (amiga) é linda, simpática, atenciosa e divertida.

Não gosto quando ela se irrita, mas é normal…

Não a irritar é a minha ajuda para ela poder melhorar.

E quem me mandou dizer que aqueles trabalhos não deveriam ser identificados?! Agora não sei quem é o autor.

A minha pessoa, às vezes, irrita-me!

Valha-me, ó Amigo(a).

terça-feira, 15 de abril de 2008

Matam a palavra escrita


E, tristemente, passeiam por entre as letras e não as reconhecem, deambulam por jardins de palavras e não lhes apreciam o cheiro na escrita.
O tempo, o tempo, o medo da perda. De tempo.
E perdem-no não querendo perdê-lo, de cada vez que se abandonam em vocalizações guturais porque apenas não pousam os olhos nas curvas voluptuosas da palavra escrita. Dada.

Cinderela, versão gandulo

Há bué da tempo havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil,e que vivia com a xunga da madrasta e as melgas das filhas. Cinderela, Cinde prós amigos, parecia viver num xelindró, quase sem tempo para enviar uns mailes. Perante tal desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta mandava-lhe bué de cortes. É então que a Cinde toma conhecimento da alta desbunda que ía acontecer. A garina curtiu a ideia mas as chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou verdadeiramente passadunte, mas depois de andar à toa durante algum tempo, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, e ela ficou uma granda febra. No entanto, só podia afiambrar-se de tal cena até ao bater das 12. A tipa mordeu o esquema e foi prá borga sempre a abrir. Ao entrar topou com um mano cheio de papel que era bom comó milho e que também a galou. Passou-se dos carretos! Desbundaram toda a noite até que, ao ouvir das 12, ela teve que bazar. O tipo ficou completamente abardinado e foi atrás, encontrando pelo caminho a bota da Cinde. No dia seguinte, com uma alta fezada, andou à procura de um chispe que entrasse na bota. Como um ganda postal que era, teve sorte e encontrou a brasa, para ganda desatino das fatelas! Estas tiveram um vaipe quando souberam que eles iam a modos que ajuntar-se. Mas mesmo assim, a garina e o chavalo foram bueréré de felizes!!!!"

domingo, 13 de abril de 2008

Há que tempos...

...não lavava a alma(??) com isto e não me mexia com tanto afinco.
(lullaby de Domingo)
Para além disso, verdadeiramente maravilhada com o casalito que insistiu em dançar isto como se de uma kizomba se tratasse (já agora, de registar que tudo o resto lhes soou a kizomba).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa. Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... (...) Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Em Abril, águas mil!"

Decidi apagar o post naïf (pronto, o amigo Pêssego ensinou-me como se põe o trema!) por uma (ups) questão de respeito. Este tempo está a causar muitos estragos e aflições! Mesmo assim, vale a pena carregar no provérbio!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pagadora de Promessas

Ora cá está ele, o gracioso programa:


Clicar na imagem para poder ler o programa sem recorrer a lupa.

Caro Funes, bem mais belo que as colunas do Desidério (não as vislumbrei ainda).

Where Is My Mind

Quem estiver nas redondezas - que é como quem diz, na Ilha* - convém estar atento ao que por aí vem, sob pena de perder a oportunidade de pensar algumas questões muito próximas de todos nós. Para já, o link do recém inaugurado blog; mais à frente, deixaremos por cá o gracioso programa do ciclo.
*Aos do lado de lá, há sempre a opção de apanhar um avião. Ou arriscar a vinda a nado.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Paradoxos

Mulheres pequenas em sapatos demasiado altos. Falta anca (e perna) para tamanho sapato.

Um caso sério*

O que escreveria se tivesse talento e desenvoltura para tal. Concordo em absoluto. Apesar das últimas provocações, já saí em defesa do conspirador e agora até o recomendo. E tudo isto depois da afronta Tate's!
*Velhíssima rubrica cá do sítio, perdida algures nas brumas da memória. Perdi a conta de todos os casos sérios que já passaram por cá, por isso não sei o número correspondente a este.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Post-it*

Sócrates trai Sócrates ao evocar estados de alma.
*Em atraso

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Não revelo como passei neste exame

Pela manhã de ontem, uma autoridade (muito temida e respeitada) da escola entregou-me um documento com os seguintes dizeres:
Os docentes oriundos de Portugal Continental deverão ser submetidos a um exame para aferirem a sua competência linguística no que diz respeito aos nossos regionalismos. para o efeito, deverão preencher o texto que se segue, usando palavras do quadro à direita.
Depois de realizar devidamente o exame, o texto ficou assim:
"O senhor João estava na paragem à espera do horário, quando reparou que o seu relógio estava a dar bêbras. Viu o céu muito forrado e logo de seguida começou a lubrinar, por isso decidiu chamar uma abelha. Esta andava aos soquetes que até parecia que ia trambulhar devido aos caboucos que encontrava no caminho.
Quando chegou ao seu destino começou a cramar da sua sorte a um amigo que andava a passear o seu grade.
Já era tarde e, como gostava de ajativar as suas coisinhas, ainda tinha de passar pelo mercado para comparar o preço das pimpinelas, das bogangas, dos tabaibos, da vaginha e dos bisalhos.
Depois foi à padaria demitado comprar brindeiros.
O padeiro estava somenos, com os braços cheios de bábedas e uma cara muito enfiada.
Teve tempo de ir à venda comprar uma caixa de palhetes e um cajirão.
De regresso a casa, viu uma gasguita com uma gavela de erva à cabeça. Para carregar melhor, arranjou uma molhelha.
Bebeu uns copos e chegou a casa com uma bicuda.
Já em casa, a mulher deu-lhe umas taponas valentes, deixando-o negro de tanto pancume.
Por fim, para mais informações: hhp://www.umapetafechadanagaveta.pt"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Serial Killer

Hoje, em tom de brincadeira, disse a um jovem que, no sentido figurado ou conotativo, ele era um serial killer, pois matava a paciência de qualquer um com muita facilidade, sem dó nem piedade. Este ficou irritado e disse:
- Fique sabendo que, traduzindo à letra para português, serial killer significa "matador de cereais"!

sábado, 29 de março de 2008

Da permanência

Da separação: entre dois infinitos, a melancolia 2

Ao fundo das Monumentais, o rastro das passadas apressadas. Um trajado, apenas um, percorre os 125. Os restantes trajam os dias normais: a moça de mini-saia, a outra vestida de cor de rosa, a de óculos e malinha a tombar-lhe elegantemente no braço. As sapatilhas popularizaram-se e o largo corredor drapeado parece um prolongamento dos corredores do secundário. Engano-me. São os meus olhos que deixaram de vislumbrar gente crescida e atestam apenas miúdos com passadas largas de tanto quererem parecer gigantes. As escadas, as mesmas. Imponentes, cansativas, desgastantes, separam os miúdos das salas que os deverão tornar mais homenzinhos. E revejo-me a subi-las há tantos anos atrás, apressada, descompassada, despreocupadamente leve. Não usava sapatilhas, eu.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Saudade



Definição de saudade:


"Saudade é uma vizinha que, de vez em quando, vem bater à minha porta."


do aluno Luís Carlos, 9º 7

quinta-feira, 27 de março de 2008

Na bagagem, entre outros, um novo livro de respostas.

(imagem retirada daqui)

segunda-feira, 24 de março de 2008

Pérolas a porcos

Vivemos como sonhamos - sós...
jjj
O Coração das Trevas, Joseph Conrad

sexta-feira, 21 de março de 2008

à minha porta

Rua Torta
Lua Morta
Tua Porta
Cassiano Ricardo

quarta-feira, 19 de março de 2008

Do princípio demo-crático

Assim se faz política no Ministério da 5 de Outubro. Primeiro, escaparates que anunciam semiacordos inexistentes. Qualquer notícia de rodapé que desminta a anterior será sempre suave. Depois, depois... Depois, temos Isto. A política não se faz na rua, segundo a Ministra. tem toda a razão. É essencialmente jogo de bastidores, de aparências, de meias verdades e de (des)enganos propositados. Clap, clap!

Pérolas a porcos

Cada vez mais nos tornamos consumidores de simulações em vez de lidarmos directamente com a vida, actores que abandonaram o palco e desceram para a plateia.
dddd
Guia para os perplexos, Gilad Atzom

terça-feira, 18 de março de 2008

Mentecapto

"Larga, isso é música de pretos!" - disse o progenitor mentecapto à sua pequena cria que, bastante divertida, mexia nos CDs.

segunda-feira, 17 de março de 2008

To know or not to know

escreves? quero ler-te sei que escreves

Da separação: entre dois infinitos, a melancolia

Chega às mãos a marcar compassadamente o oceano da Ilha. As memórias são sempre ensopadas de lágrimas, por uma cegueira rasa de água. É o melhor ponto de vista, sussurra o Mestre. A chave encerra o local onde está pousado o embrulho, o local secreto onde o ontem cruza o hoje e deixa saudade. Abre a caixa e soçobra. Encerra-a novamente, por falta de tempo. Desembrulha-a agora, quase fora do tempo, quando quase se esgota e poderá eventualmente espraiar-se pelo compasso de espera dos dias por-vir.
"Ce que j'apelle la différance avec un a: interruption ininterrompue(...)". (J. Derrida)
Lê e encerra-se. Deixa-se interromper, sair do tempo, mortalmente ferida pela separação (desde sempre ferida), pelos dias que correm sem correr, pela desinterrupção dos dias normais. Suspende-se nas palavras lidas, ditas, sussurradas pelo filósofo, repetidas na Tradução também ela Obra.
"Mon seul désir reste de donner à lire l'interruption." (J. Derrida)
O único desejo é conseguir lê-La. Sabe que não é leitora à Sua altura.

Casos abandonados...

Por convicção (da polícia) de se tratarem de falsas denúncias: "She told me she did not believe she had been raped. She was just annoyed that (the alleged offender) had not stopped having sex with her when she said no." Cá para mim, eu também ficaria bastante annoyed... melhor, ficaria furibunda - a ponto de ficar traumatizada, mas desconfio que este detective soubesse o que isso é. Da minha parte, recomendo-lhe umas leituras sobre coping: "Coping (Serra, 1988) é o termo que se aplica às estratégias que o indivíduo utiliza para lidar com situações indutoras de stress (dano, ameaça ou desafio). A ameaça envolve uma antecipação de algo que pode vir a acontecer; os esforços de coping centram-se, pois, no futuro, de forma a que o indivíduo consiga manter o seu estatuto ou neutralize os aspectos maléficos da situação. No caso das situações de dano, as tentativas de coping são dirigidas ao presente, em termos de tolerância ou de reinterpretação do mal sucedido. No caso das situações de desafio, o indivíduo sente que as exigências podem ser alcançadas ou ultrapassadas; neste caso, pode ocorrer uma distorção da realidade ou uma forma de auto-engano, não sendo qualquer delas adequada." Em todo o caso, fica a questão: o facto de acreditarmos torna mesmo os factos reais? Será que só por eu acreditar que ganho bem, passarei efectivamente a ser bem remunerada?

domingo, 16 de março de 2008

Lullaby de Domingo ou Longo Suspiro Endereçado a Oh (My Private) Lord

"It must feel nice To leave no trace (no trace at all)"
Verdadeiro dilema, a escolha desta lullaby. Há exactamente oito dias que lhe ouço o novíssimo Dig, Lazarus, Dig. Aqui fica Moonland.

sábado, 15 de março de 2008

DilemaS


Consta que falo demasiado bem para quem anda à procura de emprego;
Ouço que tenho que controlar a (minha) forte presença (e peço logo à sombra que anda a meu lado que desapareça);
Diz-se que tenho que controlar o (meu) snobismo (não consigo disfarçar a minha ascendência britânica - can't help it);
Aparentemente, parece que possuo uma empresa e não que procuro uma onde possa trabalhar.


Haverá algum lugar de accionista vago? E não, não me direccionem para a Bolsa de Valores, por favor, à qual já concorri e explicaram-me... do alto do seu snobismo.... que não possuo o perfil indicado.

Boas férias!

No que se refere à paideia das crianças e dos jovens e à educação do povo, é de sublinhar, por um lado, a sua dimensão lúdica e, por outro, a sua realização como aplicação concreta e literal da antiga metáfora de que o mundo é um livro. A Sapiência fez adornar as muralhas externas e internas dos sete círculos com pinturas que representam todas as ciências: a Geologia, a Botânica, a Biologia, a Geografia, as Artes Mecânias, a História, a Religião e a Astrologia. E é assim, lendo o que está escrito ou pintado nos muros, que se aprende, pois, como diz Campanella, "há professores que explicam estas pinturas e habituam as crianças a aprender sem fadiga, quase que a modo de divertimento, todas as ciências, mas com método histórico." Os mestres são anciãos e o ensino feito na infância, a partir do primeiro ano, é um ensino integral e pluridisciplinar em que se cruza a teoria com a prática e em que a aprendizagem é um jogo permanente em todo o espaço: cidade e campo, oficinas e estádios, templos e escolas.
Também aqui muito teríamos a aprender, em tempos de especialização e profunda unidimensionalização do ensino, pois bem melhor é exercida a cidadania quando os cidadãos são cultos e com uma boa formação humanística, para além da respectiva especialização científica, do que quando são incultos, bárbaros e ignorantes (para já não falar dos políticos cuja ignorância, hoje, de tão ostentória, bem pode ser considerada um triste sinal dos nossos tempos...).
" As utopias do Renascimento" in Diálogo intercultural, Utopia e Mestiçagens em Tempos de Globalização, João Maria André , Ariadne Editora, Coimbra, 2oo5

* "ridendo, castigat mores"

Enquanto almoçávamos no bar da escola, um grupo de colegas e amigos iam dizendo piadas e anedotas. No decorrer daquela galhofa, alguém ia saindo para pôr a sua louça no balcão. Passado pouco tempo, regressava novamente à mesa com um guardanapo, ou com a sobremesa ou com um café. Depois de ter absorvido de forma silenciosa, impávida e serena tudo o que comia, bebia, ouvia e via, interrompe o incauto grupo divertido e diz: - Sabiam que agora os professores estão proibidos de dizer anedotas nas escolas? Fiquem sabendo que vem na Lei, foi a ministra que mandou decretar! Alguns já foram contactados pela polícia, e há quem diga que vão sofrer represálias. Isto desencadeou imensas reacções e problemas para quem queria engolir o que ainda tinha na boca. E ainda, não se dando por satisfeito, diz: - Agora é só uma piada, mas… nunca se sabe! Conclusão: isso não se faz!! Temos que estar preparados para digerir as novidades. Tudo de repente faz mal, muito mal.
* "A rir castigam-se os costumes"

Especialidades gastronómicas em tempo de jejum

Páscoa é sinónimo de saída da Ilha.Como tal e porque passaremos pela Invicta (Nefertiti e moi), solicitamos a Mr. Funes uma re-edição do jantar do passado mês de Fevereiro para a próxima 6.ª Feira (santa?), dia 21. Sugestões ou reclamações para a caixa de comentários ou para o mail.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Pérolas a porcos

Há estrelas mortas que ainda brilham porque a sua luz ficou aprisionada no tempo.
Como situar-me em face desta luz, que, em bom rigor, não existe?
hhhhh
Cosmópolis, Don DeLillo

quinta-feira, 13 de março de 2008

Post Scriptum de post scriptum

Medição de pulso: Não, o palavrão do post de baixo ainda não me passou. Prova-se assim que a autoconsciência não significa que se resolva a maleita.

Post Scriptum

A autocomiseração também.

De joelhos: Why (not) me, Lord?

Já quase apenas se distingue a ponta dos meus cabelos por entre a papelada com que tenho que me amanhar. Entretanto, toca o telefone e procuro-o freneticamente. Atendo-o após esforço hercúleo para afastar o peso da responsabilidade. Do outro lado ouço: "Só para te informar que estive no Tate's e lembrei-me de ti. Amanhã, calmamente, verei a exposição de Man Ray e companhia." Bufo e rogo alguns insultos mentais, nomeadamente em francês. A inveja é realmente muito feia.

Síndrome de mãe

Sempre que tento pôr a comida nos pratos, há sempre alguém que diz: - CUIDADO! Ela tem o síndrome de mãe!
Depois, vejo mãos em cima dos pratos e ouço: - Deixa, eu sirvo-me!
Fico sempre com a colher cheia de comida suspensa e com o coração partido. Fico muito triste. Não mereço isso! Filhos ingratos!!

terça-feira, 11 de março de 2008

O admirável mundo da bola

As equipas eram feitas à pressão e segundo o grau da amizade que tínhamos uns pelos outros. Eu, por exemplo, ficava sempre na equipa do meu irmão e das minhas primas. As balizas eram duas pedras paralelamente alinhadas e a distância entre elas era incerta, dependia sempre do número de jogadores e do critério de quem organizava o jogo, ou de um entendimento unânime. O campo era a rua alongada e pouco larga. Não existia meio campo. As linhas laterais eram os muros das casas. Estávamos equipados com aquilo que calhava: saias, chinelos, sapatilhas, calças, etc. As cores das camisolas eram ignoradas, nós reconhecíamos facilmente quem eram os “nossos”. Aliás, as cores eram muitas, só que se misturavam. Depois de criarmos as condições necessárias, iniciávamos então o jogo propriamente dito e com “tudo ao molho e fé” na pontaria. Os penaltys eram marcados conforme a sensibilidade do lesado; por norma, eram assinalados e, quando calhava, marcados assim: “já não brinco mais”; “levas um murro”; “vou dizer à minha mãe; “levas uma canelada” e de muitas mais maneiras que já não me lembro. Estes ditos e feitos eram sempre acompanhados por impropérios que não vale a pena referir. Enquanto jogávamos, havia sempre alguém mais (pseudo) entendido no assunto que relatava o jogo, e que resultava mais ou menos assim: Chalana passa a bola para o Pelé, Pelé perde a bola, e é o Eusébio, o Pantera, o Maior, o Admirável que tem a bola, finta Maradona, finta Cadete, finta Rui Águas, finta outro e mais outro e é… GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO! Nem todos os golos eram consensuais, as dúvidas e as polémicas podiam surgir a qualquer momento. Discutia-se então: “foi ou não foi com a mão”, “a bola passou ou não passou por trás da pedra”, “as pedras estavam ou não estavam no lugar inicial”. Enfim, eram sempre momentos de profundos e, por vezes, conflituosos debates. O jogo lá aí prosseguindo, mas com muitas baixas. Os jogadores iam desistindo à medida que as mães chamavam ou à medida que aquele jogo se tornava cada vez mais competitivo e selectivo. Por fim, só ficavam os “loucos da bola”. Restavam sempre pouco mais do que três ou quatro jogadores.

segunda-feira, 10 de março de 2008

007 - Sem licença

De manhã é complicado e aborrecido conjugar roupas. E se for às sete horas da manhã, é um verdadeiro quebra-cabeças. Acho que a farda seria uma solução para este meu problema. Hoje, antes de sair de casa, olhei para o espelho e vi um detective. Capa bege, cabelo apanhado e óculos escuros! Correu mesmo mal. Voltar a trocar de roupa? Fora do meu alcance, o tempo era nenhum. Lá fui eu mesmo assim e a pensar ou a consolar-me: “Só tu é que vês um detective e, já agora, a Pantera Cor-de-rosa, faça o favor! Esta imaginação é, por vezes, uma verdadeira tortura. Idiota, isso não interessa! E se pareces? Qual o problema? Esquece, ninguém se lembra de tal coisa.” O dia correu bem, até que, mesmo no momento em que dava por terminadas as minhas tarefas profissionais, ouvi um miúdo a dizer para o colega do lado: “ A Professora, hoje, parece um detective!”. Fiquei destroçada.

domingo, 9 de março de 2008

Há dias assim!


Não ter recebido mensagens e saudações no dia da mulher, foi uma conquista pessoal. A minha lição foi bem dada e assimilada por aqueles que me conhecem bem. Já agora, deixo aqui o tópicos da matéria, a saber:

- Ok, sou mulher e depois?;

- Parabéns?;

- O meu dia? Desculpa, mas não é. Hoje não estou mesmo nos meus dias!;

- É óbvio que sou mulher, mas ainda não te apercebeste disso? Credo!;

- Quando é o dia do homem?;

- Não gosto de flores cortadas e muito menos dentro de casa.


( de Miró)
Mais clara, concreta e concisa? Impossível, só mesmo se fosse um homem.

A brasileira e o homem pobre

Ando entretida a tentar perceber (!) como é que na era dos testes de sangue e de ADN, os nossos tribunais ou a respectiva jurisprudência se sai com mimos destes: "(...) ouvido o presidente da Junta de Freguesia como forma de ajuizar o comportamento de Luísa, vem o mesmo correar aos autos afirmações pouco abonatórias da seriedade e honestidade dessa no campo sexual. Seguramente se conclui não haver prova que o indigitado Pedro seja o pai do menor" (extracto de autos de um processo de averiguação oficiosa de paternidade) Mas ao ler os comentários do Luís Lavoura a um post da Fernanda Câncio sobre a novela que opõe uma família adoptiva a um pai biológico, suspeitei que este fosse um dos juízes dos quais tenho lido algumas pérolas:

"A Fernanda não tem em conta duas coisas: que este caso se passa com uma brasileira e com um homem relativamente pobre.

Quando a mulher vai ter com Baltazar e lhe diz que está grávida dele, Baltazar pensa, muitíssimo legitimamente, que boa parte das brasileiras que vivem em Portugal são mulheres engatatonas, que ganham parte das suas vidas em prostituição e artes similares. Talvez seja maior a fama do que o proveito das brasileiras, mas é a fama delas. Então Baltazar raciocina que a mulher deve ter tido relações sexuais com muitos outros além dele, e que, embora até seja possível que a menina seja sua filha, não há grande certeza nesse sentido. E então decide não a perfilhar. É uma solução razoável, em minha opinião. A Fernanda saberá que estudos realizados em países desenvolvidos mostram que 10% das crianças não são filhas biológicas de quem julgam que são. No caso das brasileiras residentes em Portugal, talvez a percentagem seja maior.

Ou seja, Baltazar não tem qualquer obrigação de perfilhar uma criança quando tem fundadas suspeitas de que a sua mãe não é uma mulher séria.

Resumindo: Baltazar nada fez de errado, tendo em conta que é pobre - não se pode dar ao luxo de andar a pagar testes de ADN a crianças que, com boa probabilidade, não são suas - e tendo em conta que a mulher com quem se envolvera é uma brasileira. Ou seja, mais ou menos, uma puta." Caramba, este senhor é um génio! Como é que tal nunca me tinha ocorrido? A nacionalidade da mãe, bem como as condições económicas do provável pai são os elementos cruciais para averiguar a paternidade de uma criança. Sendo que, se a nacionalidade da mãe é o elemento mais fidedigno para comprovar a sua (tão crucial nos tempos que correm) honestidade sexual.

Faço meu o título de Funes: Covarde!*

Sócrates (infeliz necessidade de evocar tal nome em vão) desapareceu do mapa, na tentativa de não arder na fogueira que ajudou a atear. Aliás, é sintomática a sua predilecção para o jogging. Uma espécie de treino de fôlego. Mas pensará (??) realmente que os 100 mil que tiveram a oportunidade de se manifestar nas ruas não o farão nas urnas? Mas julgará que o descontentamento se fica pelos 100 mil cidadãos que hoje saíram à rua? E onde pára o P.M. no dia em que 100 mil eleitores lhe manifestam o descontentamento? Enganei-me. A lullaby de hoje deveria ter sido o Requiem de Mozart. Pensando bem, ainda bem que não a escolhi. Bom demais para ilustrar (musicar) a covardia de Sócrates. *Subscrevo o post de Funes. Não apenas o título.

Lullaby de Domingo

O Dia Internacional da Mulher não se resume às comemorações bacocas e ao merchandising amoral que se criou. É a perversão do seu verdadeiro intuito, a acefalia generalizada por entre rosinhas e prendinhas e jantarinhos e sorriso condescendentes. E no entanto, as mentalidades continuam (quase) as mesmas:



Por forma a denunciar o estado morno das coisas, a alterar a vergonha em assumir uma feminilidade que revele maioridade: que se coloquem as questões em cima da mesa!


sábado, 8 de março de 2008

Resposta a Jorge C

Governo porreiro, pá!

Um governo cujo Primeiro-ministro teve problemas com os seus diplomas e não se sabe bem quando, onde e como os angariou. Um governo que se auto – elogia. Um governo cuja ministra de educação ignora que o arquipélago dos Açores é território português. Um governo que não vê o fosso abismal que está a haver entre ricos e pobres. Um governo que perde tempo a discutir projectos megalómanos, como foi o caso da OTA. Um governo que gosta de se projectar com cimeiras que ninguém percebe bem para que servem. Um governo que só quer saber de estatística e sondagens, e ignora os problemas que ele próprio cria. Um governo pouco sensível ao drama dos nossos idosos. Um governo que ignora a criminalidade crescente. Um governo que quer combater a desertificação de certas zonas do país fechando centros de saúde. Um governo que aumenta a carga laboral, aumenta impostos e, acima de tudo, aumenta o baixo poder de compra. Um governo que não cria perspectivas futuras nos jovens. Um governo que vive às custas de todos nós e que se sente lesado e indignado com as contestações. Porreiro, pá!

Da clandestinidade e da vergonha na cara

Há muito que alguns gostam de se intitular donos do 25 de Abril. Para engalaná-lo de cravos vermelhos nas passadeiras da mesma cor em que desfilam durante as comemorações de um dia que representa a memória de inúmeros mortos, de um lápis azul, de tortura e de presos políticos, do Tarrafal, da miséria, do analfabetismo, do machismo. Esquecer os clandestinos, tentar branquear o papel de alguns por antipatia ao partido de origem daqueles, é no mínimo, revelador do carácter (abjecto) de quem profere estas aberrações.
E terão efectuado o registo da patente?

Digno de ser recitado no Circo

"Confesso que tenho vergonha destes pseudoprofessores que trabalham pouco, ensinam menos, não aceitam avaliações e transformaram-se em soldados do Partido Comunista, para todo o serviço."
Bem sei que o facto de isto ser publicado no Correio da Manhã já é indício do real valor do artigo. Mas não posso deixar de registar que os meus alunos de 11.º ano seriam perfeitamente capazes de desmontar este texto de Emídio Rangel. Bom exercício para detecção de argumentação falaciosa.

Declaração de responsabilidades 2

Expectante quanto ao dia de amanhã (em rigor, já hoje, daqui a algumas horas). A consequência mais previsível é que Sócrates, na sua oportuna(ista) sageza, numa atitude absolutamente adequada com a época que se aproxima, lave as mãos e declare: crucifiquem-na. A diferença substancial é que nem a Ministra tem espírito messiânico, nem Sócrates é tão "ingénuo" quanto Pilatos. Muito provavelmente a saída de Maria de Lurdes Rodrigues acontecerá. No entanto, estou em crer que nada de substancial sofrerá alterações. Urge que se desmonte a máquina propagandística deste Executivo que tem conseguido fazer com que o líder se safe quase incólume. É necessário desmontar o discurso manipulativo de Sócrates*. * O que remete, aparentemente, para essa já clássica pergunta: "E tu sabes o que é um paradoxo?"

sexta-feira, 7 de março de 2008

Cogitações avulsas de uma esquerdina

Finalmente percebo de que "diálogo" falava a Ministra da Educação na entrevista de ontem: frisou que o Ministério o mantinha com os sindicatos, mas que a negociação estava fechada e repetiu até à exaustão que mantinha o "diálogo" com as Escolas. A ser verdade o que tem sido veiculado na Imprensa - de que a polícia tem visitado algumas Escolas a fim de averiguar quantos professores tencionam participar na manifestação de sábado - podemos perceber que tipo de "diálogo" defende este Ministério. E que intermediários pretende. Recomendação: consulte-se o dicionário. Sejamos mais rigorosas na utilização das palavras.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Vaca que anda no monte não tem boi certo


Quando achamos que o STJ já perdeu a capacidade de nos surpreender, eis que surge a Helena Machado para nos provar do contrário.

P.S: inicialmente, pensei que a brejeirice que está no título era um original de uma criatura chamada a testemunhar num caso de (a)filiação. Enganei-me, afinal é um provérbio.....

Picture by Phillip Halsman

"Autismos"

(...) Num sentido mais restrito, o autismo foi apontando por Bleuler como um dos sintomas fundamentais da esquizofrenia: o indivíduo sofre de introversão extrema, a realidade exterior perde cada vez mais significado e não lhe é possível relacionar-se com os outros. O doente sente-se diferente, isola-se, queixa-se de que ninguém reconhece as suas potencialidades e vive o quotidiano em busca de identidade.
Em busca de um sentido mais comum, peço ajuda ao Dicionário Houaiss: "Autismo - polarização privilegiada do mundo dos pensamentos, das representações e sentimentos pessoais, com perda, em maior ou menor grau, da relação com os dados e exigências do mundo circundante.
(...)
Não ignoro o mal-estar de muito docentes, facto que tenho denunciado, por escrito e oralmente, em múltiplos contextos onde intervenho: as escolas estão a ser transformadas em escritórios de papelada burocrática, com os professores a ter cada vez menos tempo para falarem com os alunos; a indispensável avaliação dos professores e o imprescindível estatuto do aluno foram transformados em mais fichas cheias de alíneas, com a agravante de porem professores uns contra os outros, com alguns a espreitar as aulas de colegas, num ambiente de desconfiança apressada que não terá bons reflexos no clima escolar. Sei, no entanto, que há professores, sobretudo aqueles que pertencem às direcções das escolas, a apoiar algumas medidas actuais e que se apressam em cumpri-las: têm todo o direito de pensar desse modo e de se reunir a propósito!
(...)
Temos sobretudo de denunciar o "autismo" de membros do Governo que todos os dias, nos querem fazer crer que tudo caminha para melhor, quando a realidade do quotidiano de muitas famílias mostra o contrário. A solução para esse " autismo" só pode ser uma: ouvir muitas opiniões, sobretudo daqueles que não têm acesso aos "media" nem às estruturas do Largo do Rato. E José Sócrates não precisaria de criticar professores que se manifestam se, lado a lado com os dirigentes do Ministério da Educação, se dispusesse a falar com professores de várias zonas do país, sem agenda prévia nem resumos dos acessores."
"Autismos", Daniel Sampaio - In Pública, 24-2-2008

terça-feira, 4 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

Tanta guerra, tanto engano...

No mar tanta tormenta e tanto dano, Tantas vezes a morte apercebida; Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta necessidade aborrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno? in Os Lusíadas (I, 106), Luís Vaz de Camões

domingo, 2 de março de 2008

Declaração de responsabilidades

Insisto na questão do Ministério e, no executivo e, em última instância, em Sócrates (um nome tão promissor e no entanto...). Que não se julgue que considero o estado de coisas da exclusiva responsabilidade da Ministra da Educação; esta é apenas o rosto de uma equipa, integrada numa política que se estende por quase todas as áreas. O ilustre Primeiro, que tenta passar incólume e de fininho, é pai das posturas autistas que assistimos desde que tivemos a infelicidade de o eleger e que se multiplicam como estilo de governação nos vários Ministérios.

Em terra de cego...

Leio autênticos tratados sobre a questão dos resultados no desempenho de um professor, que é uma questão com muita piada. Não sejamos ingénuos ao pensar que os resultados constituem uma visão limpa e esclarecida do modelo (des)educativo que temos. Compreendo que para quem está por fora os "resultados" constituam uma obsessão... ora, como em tudo, esta história das estatísticas tem muito que se lhe diga. Principalmente quando os mecanismos são concertados para que se obtenham os resultados desejados. São loucos os que julgam que este Ministério procura uma população mais esclarecida; são loucos os que julgam que este Ministério investe no verdadeiro conhecimento. Interessam os gráficos e estatísticas para Europeu (e Português distraído) ver. O resto é paisagem.

Senhoras e senhores, suas"excelências", os excelentes profissionais

Ando há que tempos a reunir coragem para me meter na pasta (do Ministério) da Educação, mas a verdade é que me sinto cansada mesmo antes de começar. Pior. São incontáveis as possibilidades de começo, pelo que me deixo ficar quietinha. Contudo, confesso que me divirto a ler o que se escreve por aí; alguns, que "não amam" a "educação", conheço-os de ginjeira. A entrada na escola deu-se do mesmo modo como em tudo o resto: à caça do cargozinho. Na maior parte das vezes a estratégia resulta. A esses, acredito que o modelo de avaliação somado à proposta de gestão de escolas seja suficientemente aliciante, dado o grau de possibilidades que lhes são disponibilizadas: é que não tenham dúvidas nenhumas, que a avaliação "rigorosa" que se apregoa apenas vai beneficiar os que raramente, ou mesmo nunca, colocam o seu real traseirinho numa sala de aula. E é vê-los inchar o peito e perorar sobre excelência.

Lullaby de Domingo

Uma lullaby bilingue, das minhas favoritas em relação ao que foi feito por estes senhores. Vi-os várias vezes ao vivo, mas nunca tive a sorte que a interpretassem.
"Nous sommes derangés Toujours par des mirages, Mais ça fait réver plus, Ça donne du courage!"

sábado, 1 de março de 2008

Vírus no sistema


Na sexta-feira, enquanto trabalhava, ouvia da televisão os senhores deputados e, desde logo, pensei que fossem vírus que estavam a contaminar e a deturpar o som, pois só diziam disparates! Uma falha no sistema pode muito bem acontecer nos dias que ocorrem.

Na falta de Educação

Não sou contra as avaliações de professores, contudo ficarei mais sossegada se esta for feita por um organismo devidamente preparado e exterior à escola onde me encontro a trabalhar. Sou a favor da imparcialidade na avaliação. Não estou minimamente preocupada que venham às minhas aulas, até sou a favor, aliás, eu já convidei encarregados de educação para o fazerem, mas “os Desejados Assistentes” e, supostamente, interessados ainda não apareceram (nem nos dias mais nebulosos). Sou a favor da escola inclusiva, mas responsável e progressiva também. O crescimento de qualquer ente passa, fundamentalmente, pela experiência, e esta deve ser positiva. Acho que seria uma óptima ideia que os pais fossem multados sempre que não viessem à escola buscar as notas dos filhos ou sempre que fossem convocados e não comparecessem. A ideia da multa também serviria para aqueles alunos que se portassem mal na escola e que faltassem às aulas sem quaisquer justificações (julgo que há escolas inglesas que já aplicam este tipo de multas!). Sou a favor do civismo, mesmo que este seja imposto. As leituras seriam pagas! Por cada livro lido receberiam uma pequena quantia de dinheiro (a ideia também não é original, li numa revista)! Sou a favor da leitura com um certo (a)preço. As Actas, processos, projectos, grelhas de avaliação, relatórios e mais não-sei-quê que exigem nas escolas, em suporte informático. O papel deveria ser vendido a peso d´ ouro! Sou a favor das novas tecnologias ao serviço da educação ambiental. Para se ser Ministro da Educação, eu sou a favor de alguém que tenha conhecimento da matéria ou que seja, no mínino, um professor titular.

The day I fall in love with Johnny Depp