terça-feira, 29 de abril de 2008

Céu pendente

(no Porto Santo)
"O Céu era uma inchada barriga de burro, pendendo ameaçadora a escassos palmos das cabeças."

in O velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda

domingo, 27 de abril de 2008

Lullaby de domingo

Bom, o lifelogger tem sido difícil e não me permite deixar a lullaby no formato habitual. De qualquer modo, aqui fica, desta vez via you tube:
"(...) just another children's story", magistralmente c@ntada* por Andrew Bird.
*Não sou adepta da utilização do @ mas, neste caso, impôs-se.

sábado, 26 de abril de 2008

Da vergonha

Muito raramente uma mulher tem vergonha dos comentários machistas, ou admite que de alguma forma a incomodam. As mulheres, na sua maioria, só têm vergonha das mulheres: que usam saia curta, que fumam, que pintam as unhas, que levantam bandeiras e procuram reinvindicar para si - e para as outras - o mesmo que os homens têm. A maior parte das mulheres só tem vergonha das outras mulheres. Apressam-se a concordar, a sorrir e retribuir olhares cúmplices e ainda assim, quando o galo canta pela terceira vez, não choram de arrependimento. As mulheres raramente choram por si: choram pelos seus filhos, pelos seus homens, mas quase nunca choram pelas outras, o que equivale a que raramente chorem por elas mesmas.
As mulheres continuam a apressar-se a concordar com os homens, mesmo quando esses as chamam de burras. Sorriem e engolem o orgulho, porque é de macho dizê-lo e é de fêmea acatar com os dizeres do macho.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dia da guerra

(Mário Cesariny)

Quem entra em sala de aulas sabe que, a determinada altura, os alunos insistem em saber quando lhe daremos feriado. É quase um ritual de boa disposição, a repetição da pergunta e o engendramento de uma resposta igual na substância, mas diferente na forma. Há um ano atrás, poucos dias antes do dia 25, anunciei aos meus alunos que não teriam aula de Filosofia na quarta-feira seguinte. À festa inicial sobrepôs-se a voz sábia de um deles: "Oh, não façam festa, que nesse dia é mesmo feriado." Perante a minha indagação sobre o motivo para termos um feriado a 25 de Abril, respondeu-me que "Era o dia da guerra".


A persistência da memória tem sido a nossa maior batalha. Numa organização social em que o instante é lei, em que o presente é tirano, a memória - ou a falta dela - é recebida, na maior parte das vezes, com um encolher de ombros enfadado. A deificação do momento tem-nos afastado cada vez mais dos escombros do que fomos, sem que nos apercebamos de que o esquecimento é perda, em última instância, de nós mesmos.
Aparentemente, acreditamos cada vez mais em nós, de uma forma sobranceira e pouco realista. Ou se calhar, acreditamos cada vez menos, já que nos assumimos cada vez mais sem memória. E como responder se já não recordamos a pergunta?

Tempo e espaço

25 de Abril, sempre. Mas não em todos os lugares.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sessão de puro masoquismo

A verdade é que uns e outros lá estiveram e ainda não passaram por cá a contar como foi. Vá lá, façam-me roer de inveja e quase cortar os pulsos. Como foi?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Para ti, querida amiga Woman

Sermos amigos É contar contigo É contares comigo Confiantemente É esperar por ti Sabendo que vens Evidentemente É esperares por mim Sabendo que eu chego Infalivelmente É guardar para ti É guardares para mim Naturalmente As coisas que vimos E as que sentimos Intimamente E que a ti direi Necessariamente É tomar para mim Rigorosamente Teu bem e teu mal É tomares para ti Meu mal e meu bem Meus e teus são nossos Verdadeiramente de Patrícia Joyce

domingo, 20 de abril de 2008

Heresias

Não é
o nome de
Deus
que não deve ser
evocado em vão.

Lullaby de Domingo

A minha condição nos próximos dias...
Obviamente de luto. Amanhã e terça.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Agradecimento

A ti, F.F. [por acreditares no que eu mesma duvido(ava) e por me fazeres acreditar]

quarta-feira, 16 de abril de 2008


a tinta das palavras suspende-se no tempo que não encontro para as depositar calmamente no monitor.
ficam a escorrer inertes no pensamento, perdidas algures num labirinto de memórias futuras, caídas pelas escadas da imensidão do vazio.
(I'm tired)

Help me

No âmbito da disciplina de Formação Cívica, subordinada à actividade: “descreve as características do teu amigo, identifica os seus defeitos e o que poderá melhorar com a tua ajuda”, surge, no meio de muitas outras mais, esta “pérola”:

Ela (amiga) é linda, simpática, atenciosa e divertida.

Não gosto quando ela se irrita, mas é normal…

Não a irritar é a minha ajuda para ela poder melhorar.

E quem me mandou dizer que aqueles trabalhos não deveriam ser identificados?! Agora não sei quem é o autor.

A minha pessoa, às vezes, irrita-me!

Valha-me, ó Amigo(a).

terça-feira, 15 de abril de 2008

Matam a palavra escrita


E, tristemente, passeiam por entre as letras e não as reconhecem, deambulam por jardins de palavras e não lhes apreciam o cheiro na escrita.
O tempo, o tempo, o medo da perda. De tempo.
E perdem-no não querendo perdê-lo, de cada vez que se abandonam em vocalizações guturais porque apenas não pousam os olhos nas curvas voluptuosas da palavra escrita. Dada.

Cinderela, versão gandulo

Há bué da tempo havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil,e que vivia com a xunga da madrasta e as melgas das filhas. Cinderela, Cinde prós amigos, parecia viver num xelindró, quase sem tempo para enviar uns mailes. Perante tal desatino só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta mandava-lhe bué de cortes. É então que a Cinde toma conhecimento da alta desbunda que ía acontecer. A garina curtiu a ideia mas as chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou verdadeiramente passadunte, mas depois de andar à toa durante algum tempo, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, e ela ficou uma granda febra. No entanto, só podia afiambrar-se de tal cena até ao bater das 12. A tipa mordeu o esquema e foi prá borga sempre a abrir. Ao entrar topou com um mano cheio de papel que era bom comó milho e que também a galou. Passou-se dos carretos! Desbundaram toda a noite até que, ao ouvir das 12, ela teve que bazar. O tipo ficou completamente abardinado e foi atrás, encontrando pelo caminho a bota da Cinde. No dia seguinte, com uma alta fezada, andou à procura de um chispe que entrasse na bota. Como um ganda postal que era, teve sorte e encontrou a brasa, para ganda desatino das fatelas! Estas tiveram um vaipe quando souberam que eles iam a modos que ajuntar-se. Mas mesmo assim, a garina e o chavalo foram bueréré de felizes!!!!"

domingo, 13 de abril de 2008

Há que tempos...

...não lavava a alma(??) com isto e não me mexia com tanto afinco.
(lullaby de Domingo)
Para além disso, verdadeiramente maravilhada com o casalito que insistiu em dançar isto como se de uma kizomba se tratasse (já agora, de registar que tudo o resto lhes soou a kizomba).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa. Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... (...) Num ímpeto difuso de quebranto, Tudo encetei e nada possuí... Hoje, de mim, só resta o desencanto Das coisas que beijei mas não vivi... Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Em Abril, águas mil!"

Decidi apagar o post naïf (pronto, o amigo Pêssego ensinou-me como se põe o trema!) por uma (ups) questão de respeito. Este tempo está a causar muitos estragos e aflições! Mesmo assim, vale a pena carregar no provérbio!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Pagadora de Promessas

Ora cá está ele, o gracioso programa:


Clicar na imagem para poder ler o programa sem recorrer a lupa.

Caro Funes, bem mais belo que as colunas do Desidério (não as vislumbrei ainda).

Where Is My Mind

Quem estiver nas redondezas - que é como quem diz, na Ilha* - convém estar atento ao que por aí vem, sob pena de perder a oportunidade de pensar algumas questões muito próximas de todos nós. Para já, o link do recém inaugurado blog; mais à frente, deixaremos por cá o gracioso programa do ciclo.
*Aos do lado de lá, há sempre a opção de apanhar um avião. Ou arriscar a vinda a nado.