quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Paragem respiratória

Nick Cave & The Bad Seeds announce their European tour dates for 2008. The tour is their first since the sold out Abattoir Blues/ Lyre of Orpheus tour in 2004/2005. Tickets go on sale from 9am on Friday 1st February.

EUROPEAN TOUR DATES

Mon 21st April - Lisbon, Coliseum Tue 22nd April - Porto, Coliseum Em prantos desde terça, quando vi a data dos concertos em Portugal. Perdão, quando vi a data dos concertos para os Portuenses e Lisboetas. Não sei se me recomponho.

ARTE-NABA

Quando o T., criança de nove anos, perguntou se tínhamos gostado da exposição, fez-se silêncio. Nenhum dos três adultos respondeu. Ele tinha ido connosco e, provavelmente, achou estranho, porque não houve quaisquer trocas de impressões nem reparos acerca da exposição. Contudo, ele foi persistente e individualizou a pergunta. Apanhou-me e, forçosamente, tive que responder: - Pois, T., eu não gostei propriamente… Talvez porque não estou preparada para entender aquelas pinturas ou composições, nem sei bem. Devia estar mais informada ou preparada… Se calhar aquilo que vi é um novo género de arte. Há uma mensagem naquilo tudo, mas eu não consegui captá-la...
Lamento, mas sinceramente não consegui gostar. Uma arte nova… O T. divertidíssimo rematou: - Sim, tens razão! Assistimos a uma exposição de ARTE-NABA! A partir daquele momento, todos quebraram o silêncio, inclusive a amiga da artista. Por outras palavras, ninguém tinha gostado da exposição da Arte-Naba e fartámo-nos de fazer as leituras mais estapafúrdias sobre aqueles trabalhos. Nota: O T. conseguiu salvar o final da tarde. Um génio aquele rapazinho!

Cogitações avulsas de uma esquerdina 2

Agora que reflicto mais sobre esta questão do assento... acho que nem à esquerda. Do Pai. Detesto paternalismos*.
*Ainda por cima confortavelmente sentados.

Cogitações avulsas de uma esquerdina

Pois eu, como boa esquerdina que sou, posiciono-me algures mais à esquerda. Não sei bem onde, mas tenho alergia a direitas, encarreiramentos, polos da Lacoste ou da Sacoor. Abomino cabelinhos loirinhos a laurear cabecinhas pensadoiras dos meninos (e meninas também) que se dizem de partidos (que se dizem) de direita, que se medem pelas cunhas e contas bancárias que engordam com retórica barata. Detesto os "valores familiares" que enchem a boca destes mimados (e dos outros mais velhos também); considero execrável o tique de interferir na vida privada de cada um de nós e explicar-nos (como se fossemos crianças de quatro anos) com quem e como devemos comportarmo-nos sexualmente. Sou avessa às gravatas e aos sapatos excessivamente polidos, às vidas duplas, aos impolutos morais frente aos microfones; às contas bancárias secretas; às negociatas perpretadas graças a um qualquer buraco (negro) na lei. Detesto os sermões aos peixes e as apologias a esta cambada de hipócritas. Sempre me soou mal aquela história do "sentado à direita de Deus Pai todo poderoso". Porquê? Qual é o problema de ficar à esquerda?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Lullaby de Domingo

Sem referência, propositadamente. Qui est? "Touche pas ma planete It's not today Quel le ciel me tombera sur la tete"

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Bufogenia

Fotografia de Chema Madoz

Imbuída (deste ressurgimento) do espírito de delação, possuída por uma qualquer alma de funcionária da ASAE, ou de frequentadora de café onde é proibido sacar de cigarro sob pena da minha denúncia, de orelhuda de vão de escada à espera de apanhar algum comentário menos próprio sobre o chefe (and so on), acabei de denunciar Nefertiti no blog do nosso Mr. Lekker. A fim de que a menina perca a vergonha e chame a amarela pelo nome!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

estou a viver uma grande crise existencial!!


*Desconheço de todo o artista, mas gostei.

Na segunda-feira ri e quase me matei

Eis o causador de um quase sinistro automóvel. Pude comprovar quão difícil é a arte de rir desalmadamente ao mesmo tempo que se procura controlar a direcção de um veículo em uma rotunda.

N.B.-Este não é um blog necessariamente socialista.*
Note-se que também não é - e aqui não o é assumidamente - um blog adepto da social democracia madeirense. Portanto, estamos na dúvida se pertencemos efectivamente à (concepção de) Madeira que por aí circula: nova, velha ou até assim assim. A única certeza que temos é a seguinte: não pertencemos a máfias. Quer seja no 'bom' ou no 'mau' sentido.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Do que é que preciso? Que desapareça!

Após dia generosamente cansativo, a chave na porta a más horas prenuncia o que se seguirá: a recepção ficou a cargo da música do anúncio mais irritante do momento, aquela que soa a fãs dos The Cure que quiseram compor música a sério e saiu-lhes aquilo. Depois, o visionamento forçado da gelatina laranja flutuante, com todos aqueles idiotas sorridentes a segurá-la nas palminhas da mão. A tragédia de tudo isto reside no facto do lamentável episódio ter tendência a repetir-se, já que insistem na coisa ad nauseam . Do que é que preciso? Matem a lombriga laranja, silenciem a espécie de jingle e fico satisfeitinha. Mai'nada!* *Já agora, tratem também da 'saudinha' do centauro horribilis do outro anúncio.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Dentes, para que vos quero?


As insónias levam-me a fazer roteiros infindáveis: televisão, cozinha, revistas, livros, desenhos e aplicações de máscaras de limpeza à pele. A exaustão é sempre o resultado final.
Desta vez, para além do pesadelo que consegui obter quando desesperadamente insistia adormecer, acordei com profundas olheiras, ou melhor, com um aspecto de caixão à cova. Pouco falei durante a manhã (mas isso também é já um hábito meu!).

Entretanto, das leituras nocturnas que fui fazendo, quero partilhar e deixar este pequeno excerto:

“ Quem não tem dentes também não tem dor de dentes. E como disse o herói da conhecida peça Papo Furado, nunca houve um filósofo que pudesse aguentar com paciência uma dor de dentes. Além do mais, os dentes são também instrumentos de vingança, como diz o Deuteronômio: olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. Dentes são desprezados pelos ditadores. Lembra-se do que Hitler disse para Mussolini sobre um novo encontro com Franco? Prefiro arrancar quatro dentes. Você teme estar na situação do herói daquela peça Tudo legal se no fim ninguém se ferra – sem dentes, sem gosto, sem tudo.
Conselho: ponha os dentes novamente e morda. Se a dentada não for boa, dê murros e pontapés.”
"Corações Solitários" in Feliz Ano Novo (contos, 1975) Rubem Fonseca
Nota: o texto é a resposta a uma carta de um certo leitor que, desesperadamente, sofre porque a namorada, ao descobrir que ele tinha dentes postiços, deixou-o.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

"Ah, o vício das palavras.

Uma vez saídas da boca não podemos recolhê-las. E cuidado também com a palavra escrita, causa de incontáveis tragédias que se poderiam ter evitado com um mínimo de prudência."
Isabel Allende in Afrodite - Histórias, Receitas e Outros Afrodisíacos
Relembra o trecho lido há tantos anos. Sabe que as palavras abrem janelas cuidadosamente fechadas. Esforça-se por fechá-las rapidamente para poder voltar em/ao silêncio. O vício, o vício, repete incessante e mentalmente, rememorando antes estas do que as outras, originárias.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Lullaby de Domingo

"One step at a time And sooner or later you'll walk that line" I don't want to, I don't want to

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

há cada uma!


Um aluno do oitavo ano constatou o seguinte:

“A professora quando tira o casaco fica menos simpática!”


Não demonstrei interesse e até esbocei um sorriso, mas na realidade aquela afirmação deixou-me pensativa…

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Superbia, avaratia, luxuria*


Ostenta a sua figura como se tivesse a estampa de Apolo em vez da forma anafada que lhe cobre as entranhas. Exprime-se sempre com um esgar que tenta fazer passar por um sorriso - acredita que é o cerne da sedução - esse sorriso que durante anos fez as delícias do sexo oposto.

No topo do seu auto-retrato distorcido encontra a lista que encara como O troféu da sua vida. Nasceu para aquilo, gabava-se à boca cheia; apercebera-se do seu grande talento para a conquista enquanto gatinhava, situação que se recusou abandonar verdadeiramente ao longo da existência. Pedir, implorar era algo natural para o fim maior que era a sedução. E encontrava conforto nesta justificação. Para si, era a explicação plausível, aceitável para os seus miolos azedos. Por vezes tentava ser decente, mas considerava a empreitada algo difícil, quase impossível de concretizar. Espantava-se quando lhe apontavam que o sorriso não era genuíno.

Articulava meia dúzia de frases feitas com a convicção da sua eloquência. Nunca gaguejava, mas por vezes calava-se, em jeito de birra - não, birra nunca, isso era coisa de crianças, não para si, só os outros tinham birras. Este ser superior tinha momentos de circunspecção, de interior recolhimento para aguentar o vómito que lhe invadia a boca nos raros momentos de auto-iluminação. Quando se olhava no espelho via a figura perfeita. No corpo velho, enrugado e com as peles soltas que não cabiam no seu reflexo, só via a juventude há muito perdida. Dizia que a hesitação e incertitude da sintaxe reflectiam a erudição que não permitia respostas imediatas, sem um pensamento prévio acerca do assunto: "porque há temas e temas e só os incautos dizem as coisas sem pensar".

* quid pro quo: título de WOAB, ambas temos inclinação para outros idiomas.

A foto é de Philippe Halsman, 1951

Repentinamente, ao observá-lo, reparei como lhe surgia um sorriso a baloiçar-lhe nos lábios, ao identificar a ironia à qual a autora da frase que lia pretendia ter escapado: "também ela caiu nesta armadilha", disse quase para si próprio. As palavras pareciam pairar acima da cabeça dele de tal forma que consegui imaginar a cena que de seguida me descreveu. A situação era banal, a história igual a tantas outras, que se resumia em duas frases. Os personagens figuras invejáveis, com qualidades únicas, - mas protagonistas de uma história completamente vulgar. Consegui descobrir-lhe o nome: Isaura.

Foto de Jim Arnold

domingo, 13 de janeiro de 2008

Somos mais


A casa aumentou e ganhamos nova cor. Agora também temos no blog uma Flor.

(Fotografia de Man Ray)

Lullaby de Domingo

We're all basically alone

sábado, 12 de janeiro de 2008

Pérolas a porcos

"(...) Os fins felizes conseguem-se melhor mantendo as portas certas fechadas e indo dormir durantes os alvoroços."
jjjjj
A Odisseia de Penélope, Margaret Atwood

Repugnâncias


Olha-as maliciosamente.
Nojo. Náusea.
Os olhos pequeninos a brilhar, perdidos naquele corpo de bisonte, de quem esmaga com uma mão os quereres de outrém. É enorme, a criatura. Pulula pesadamente pelo espaço, muito mais estreito perante a presença daquele corpo excessivo coberto pelas calças justas e a t'shirt estilosa típica de frequentador de ginásio manhoso.
Nitidamente à caça, a besta. E elas, que lhe conhecem a mão leve para o peso nos outros, observam-lhe, estupefactas, a destreza e displicência nas aproximações. Horrorosamente despreocupado, sem consciência que lhe pese.
Incrivelmente, outras mulheres sorriem, como se lhe desconhecessem a incapacidade para ser verdadeiramente gente, o hábito de se esconder perante a omnipotência do aspecto, do peso físico, da vantagem insuflada. São poucos os que lhe censuram a cobardia e manifestam o desprezo por estar ali, daquela maneira, nitidamente à caça da próxima descompressora para as frustrações de cérebro pequenino, minúsculo; inexistente até.

Cartoon de Gerald Delcamp

Declaração de interesses

Uma das (muitas) razões porque gosto tanto de visitar o sítio dele.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A-s-s-e-x-u-a-d-a


Ora, desde quando uma feminista usa saltos ou deixa-se fotografar nua por um amante? Ainda por cima, por um amante?
Não senhora. Feminista que é feminista, como sabemos, não depila, não ama (elementos do sexo oposto, como é óbvio) e não despe.
As feministas querem-se informes. E assexuadas! Ouviram?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Petrificação momentânea - O Medo

Da polémica.
O medo da polémica, da assunção de que estamos perante questões sérias para as quais ainda não encontramos respostas ou posicionamentos. Ainda sobre o fio da navalha, mesmo que este pareça minimamente confortável. Ou não.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Monólogo colectivo

(Benjamin Vautier)

Excede largamente o estádio pré-operatório.
Ao invés de conversarmos, discursamos. De ouvidos bem fechados.

Crença verdadeira justificada

Dizem-me que sou mulher de fraco pulso.

Pérolas a porcos

"Dentro de cada um de nós há um conformista e um totalitário, e não é preciso muito mais do que o uniforme certo para que ele venha à tona."
eerer
Philip Zimbardo

domingo, 6 de janeiro de 2008

"Quando a dor no peito me oprime, corre o ombro, o braço esquerdo, surge nas costas, tumifica a carótida e dá-lhe um calor que não gosto; quando a respiração se acelera em busca duma lufada que a renasça, o medo da morte afinal se escancara (medo-mor, tamanha injustiça, torpeza infinita), aperto a mão da Irene, a sua mão débil e branca. Quero acordá-la. E digo : «não me deixes morrer, não deixes...» Penso para comigo, repito para me convencer: «esta pequena mão, âncora de carne em vida, estas amarras suas veias artérias palpitantes, este peso dum corpo e este calor, não me deixarão partir ainda...» E aperto-lhe a mão com força, e acabo às vezes por adormecer assim, quase confiante, agarrado à sua vida. Ah, são as mulheres que nos prendem à terra, a velha terra-mãe, eu sei, eu sei ! São elas que nos salvam do silêncio implacável, do esquecimento definitivo, elas que nos transportam ao futuro, à imortalidade na espécie (nem teremos outra) pelo fruto bendito do seu ventre (eu sei, eu sei...)"
In Comunidade, Luiz Pacheco

Cogitações avulsas

Ah, estes upgrades! De (quase) morrer a rir, a quantidade de bloguistas que se levam a sério. Gosto especialmente das bloguistas que insistem em confundir posicionamentos feministas com idas à esteticista (já parece a confusão daquele meu aluno que julgava que a Estética que eu estudava lhe resolveria o problema do acne) e que recorrem sistematicamente à linguagem pejada de calão, se calhar porque a esteticista que frequentam também a ela recorre. E quando alguém lhes chega ao pêlo (que já não têm, pelo menos a olho nú), ofendem-se e ganham graça a triplicar com as vociferações sobre a inteligência de quem exerce o mesmo direito: escrever o que lhe dá na real gana (com ou sem penugem).

Já que estamos nessa...


Permitido apenas nos locais assinalados.

Lullaby de primeiro domingo do resto do (novo) ano

Emprestamos o ouvido a Sérgio. Advertência: Everything, não é aconselhável clicares no play.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Once upon a time...

... houve uma área para fumadores no meu local de trabalho. Uma saleta manhosa com duas mesas redondas, cinzeiro ao meio e dois sofás a um canto. Um extractor de fumo decrépito e cortinas amarelas compunham o antro. Do outro lado, a sala mais ampla direccionada para os não fumadores. Também muito mais barulhenta e pouco suportável. As duas salas estavam separadas por uma estrutura envidraçada que permitia os olhares indiscretos de parte a parte.
Desde que regressamos ao trabalho, a sala maldita está diferente. O extractor escapuliou-se para alguma arrecadação bolorenta, os cinzeiros votados ao esquecimento na cozinha do bar. Mudou-se uma das mesas redondas para uma seriíssima mesa rectangular, nitidamente à espera de reuniões mais burocráticas. Enconstaram-se outras tantas à parede, individuais. À entrada, a risível inscrição: sala de trabalho.
Desde que se soube que esta sala estava condenada, que alguns dos frequentadores da outra margem manifestavam, de sorrizinho apertado, que a sala tinha os dias contados. Nestes primeiros dias, só se atrevem a lá entrar para mais uma vez manifestarem o quão felizes estão pela cessação da sua função primordial. Uns debochados, na verdade, que largam a piadola e desaparecem novamente para o outro lado, muito satisfeitos com o papel que acabaram de desempenhar. Sempre tive dificuldade em perceber: se o que incomoda é a partilha do fumo, então porquê tanta manifestação de satisfação mesquinha pela extinção do sítio que permitia, civilizadamente, a escolha?
Neste início de mês, fui das primeiras a frequentá-la, acho. Continua a ser a minha sala e obviamente não abdico do prazer de conseguir fugir ao burburinho ensurdecedor do outro lado. Os restantes permanecem no lado de lá, o lado que sempre foi "saudável" e continua por legendar. Que por lá fiquem e abençoados sejam. Pouco me importo que não se fume; desde que se mantenham na outra margem e deixem a minha em paz. Com legenda e tudo.

Fotografia de Henri Cartier-Bresson

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Preceitos apócrifos 2

Depois dos festejos do ano (novo), murmurou para quem não a quis ouvir : "Em verdade vos digo: é cada vez mais difícil alguém olhar para além da biqueira dos seus sapatos ou reconhecer outras vozes. Atravessamos o tempo do bicho-de-seda."

Trouxe-o (não resisti!)

O Meu Amante Dizem que o amor à primeira vista não existe. Até pode ser que não. Mas existe ao primeiro beijo!
Ia já alta a noite de S. João e eu tinha sido deixado sozinho em frente ao mar, de costas viradas para o Homem do Leme. Ele foi deixado ao meu lado. Tocámo-nos subtilmente diversas vezes, até que a ânsia de o beijar ultrapassasse o medo da exibição pública e da reprovação.
Foi há dez anos que o tornei meu amante. Durante todo este tempo têm-me dito que o devia deixar, que me faz mal, que fere o corpo de chagas irreparáveis. Ah! mas como me enche a alma de Graça!
Gosto de tocar no seu corpo com os meus dedos ligeiros, sentir o seu perfume entre o indicador e o médio, beijar o corpo quente e sentir o calor da sua cor!
Ah! o meu amante! Todos querem que o largue, que o deixe. Todos me querem privar da sua companhia. Insistem que ele só me faz mal. Uns invejam o prazer que sinto quando nos tocamos, quando nos pensamos e paramos para contemplar.
Contemplamo-nos. Outros deixam-se levar pelo preconceito. Agora olham para nós como se fossemos lixo - eu e o meu amante. Resta-nos apenas um lugar onde nos possamos sentar juntos nessa contemplação que nos prende e nos enche de prazer!

Talvez um buraco qualquer!

http://entredeusesediabos.blogspot.com/2008/01/o-meu-amante.html

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Podia ser uma das pérolas de Mr. Lekker, mas não é

"A barata é pura sedução. Cílios, cílios pestanejando que chamam."
Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H.

Também não será a maior comédia, a homilia do Patriarca*

Agora que já passou algum tempo e cumprimos os festejos e excessos típicos da época, teçamos também nós algumas considerações sobre a já célebre homilia de Natal do Cardeal Patriarca de Lisboa. Em rigor, a já célebre frase não será totalmente descabida. Apenas está incompleta; obviamente que para uma instituição como a Igreja, com uma história repleta de donativos, dízimos e indulgências, "as expressões de ateísmo, de todas as formas existênciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama". O problema está neste tique secular e recorrente para generalizar à Humanidade as necessidades, dogmas e dramas da Ecclesia. Assim, compreende-se que será realmente dramático para a instituição o afastamento, o esquecimento ou a negação desse Deus que a tem alimentado. Dificilmente é mais que isso. *O termo Patriarca também tem a sua piada, se atendermos à noção de "chefe de família" que maioritariamente orientou/a o rumo dessa Igreja maioritariamente habitada pelas mulheres.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Move On

Últimos cartuchos.

Para Euridice - uma lullaby extraordinária

«Pedaços»

Às vezes acontece-nos estarmos tão concentrados no nosso espaço, que ele se torna demasiado pequeno para nós. E acabamos por não dar espaço a mais ninguém. E o “nós” torna-se vazio, porque é simplesmente “eu”. Acontece que o espaço que ocupamos não é apenas nosso, é de todos aqueles que connosco privam e devemos dar-lhe o devido espaço, a devida importância e a devida atenção, sem esquecer de dar tudo isso também a nós próprios.

Por vezes encontro-me demasiado concentrada em mim mesma, de um egoísmo que me chega a repugnar (quando me desligo de mim e reflicto sobre isto). Tento então fazer um balanço do meu espaço e só lá estou eu, eu em pedaços, porque sem os outros sinto-me incompleta, “completamente incompleta”. E às vezes é difícil recuperar os outros, porque eles já encontraram o seu próprio espaço e aí sentimo-nos verdadeiramente sozinhos. Há que reaprender tudo de novo.

Eu quero que o meu espaço cresça comigo. E dentro desse espaço que os outros cresçam comigo, os que eu amo e os que eu amo menos, mas que também são importantes, porque fazem lá todo o sentido. É essa aprendizagem que espero realizar este ano.

A primeira coisa que perguntei hoje foi: «O que queres que eu mude em mim, que verdadeiramente te incomoda?». E ele respondeu-me: «Quero que sejas menos egoísta».

Vou tentar, prometo que vou tentar.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pérolas a porcos

"(...) Tristeza chupa a força da gente mais do que o pior dos vícios."
dewdewe
O Amor de Pedro por João, Tabajara Ruas
gggg
ggggg
ggggg
Joie de vivre é tudo quanto vos desejo para 2008

Explicação Lógica

A razão pela qual receias andar sozinha na rua é por teres sido uma rainha e (como tal) andavas acompanhada de escolta.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Sic transit gloria mundi

Presidência da União Europeia. Um gajo (porreiro pá) cacareja encómios à sua prestação. Mais uma vez somos os maiores. Os salvadores da Pátria, ou ainda melhor, da Europa. Quiçá do universo e mais além.
iihihihihi
Algarve. Passagem de ano. Algures (será Albufeira) vamos ter o maior fogo de artifício da Europa. Comenta-se que a próxima edição do livro do Guiness irá ser dividido em duas secções, ou cantos, à maneira daquele que, sendo vivo, certamente seria o maior poeta do mundo: 1.ª parte, Portugal. 2.ª Parte, Resto do Mundo. Depreende-se que a 1.ª parte será a maior e a única com algum interesse.
hihiohoi
Borralheira do Teixoso. Morre um moço, manietado de pernas e braços, asfixiado pelo seu próprio vómito. Tudo bons rapazes. São coisas que acontecem. Realmente, porreiro pá!

Teu dia, ó pátria, há-de chegar!

O ANO NOVO
Bem-vindo sejas, novo ano, e tragas
Melhorando teus dias mais propícios
À minha pobre, malfadada pátria
E a meus féis amigos,
Esse mal-agoirado que nos pregos
Afundou ontem do Oceano, Apolo
Não deu senão colheita de infortúnios,
Nem granou outras messes
Mais que o joio semeado por mãos tredas
Entre os sulcos de trigo. Não mondado
A tempo, foi crescendo, e em flor ainda
Afogou a esperança
Do triste povo que a tão maus caseiros
Tão inexpertos deu suas lavoiras,
Que assim desmazelados lhas perderam,
E quem sabe quanto tempo há-de durar-lhe
O gelo deste inverno em nossos campos,
Até que o derreta o sol, ora enevoado,
Da antiga liberdade?
Dorme a vegetação nessas sementes
Que à terra se lançaram. Mas eternas
As estações não são: teu dia, ó pátria,
Teu dia há-de chegar.
(1824)
Almeida Garrett

Can a woman trust in a straight guy to be her friend?

O paradigma da amizade entre homens e mulheres heterossexuais tem sofrido alguns reveses entre algumas mulheres. Não é porque um homem gay será mais sensível e compreenderá as mulheres melhor que um heterossexual, mas sim porque ela sabe que aquela amizade é completamente descomprometida e que, contrariamente aos seus outros amigos, ele não espera por uma oportunidade - nem que seja daqui a 20 anos, até que ela esteja descomprometida. Aliás, para ele, isso não importa, nem alguma vez importará.

Lullaby de Domingo

Porque a última deste ano, parece-me bem esta escolha. "Funny Time Of Year (...) Travelling with no destination Still hanging on to what may be."

sábado, 29 de dezembro de 2007

Imagens e sons que ficam


Respondendo ao desafio da minha amiga Woman, que não é difícil, pois não me considero de todo uma cinéfila e muito menos uma ouvinte fervorosa de algum género de música específico, ficam aqui os nomes dos filmes cuja sonoridade foi marcante e insuperável:

- Vertigo do incontestável mestre do suspense Alfred Hitchcock. A musicalidade deste filme releva assombrosamente um amor vertiginoso. Soberbo.

-Underground de Kusturica, pois claro. Sons bem vivos, garridos e sempre presentes numa história humanamente trágica. Simplesmente genial.

- Le Fabuleux Destine d´Amélie de Jean- Pierre Jeunet. Um destino bem melodioso e de poucas palavras. Gosto muito do músico Yann Tiersen.

- Paris Texas de Wim Wender. Um filme que há uns largos anos, no âmbito de uma disciplina, fui obrigada a ver, e dele ainda ficou aquele som de desalento existencial e áspero associado à imagem do deserto. Uma sensação de "muitos nadas".

- 2001: Odisseia no espaço de Kubrick. Em relação a este filme, é incontestável a conjugação da imagem com o som. Palavras para quê? Um clássico.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Previsões 2008 - Natal dos Hospitais

Se tudo correr bem, o próximo Natal dos Hospitais irá ser levado a cabo no interior de uma ambulância em trânsito desde um qualquer vilarejo, cada vez mais isolado, do Portugal "profundo". Ou, em alternativa, do hospital de Badajoz.
Com muitos caramelos, piñatas, tortilhas e, impreterivelmente, o João Baião aos saltos (ou de saltos, depende...).

Só porque me apetece

"Crónica de uma morte anunciada"*

Ainda assim, incrédula. Aos poucos, assassinam-se os ventos mais moderados. Tempos sombrios, os nossos. Apesar dos acordos, dos apertos de mão, das manifestações de poder e do cinismo disfarçado de diplomacia.
Afinal, as mulheres também se abatem pelo que representam.

*Título roubado a Gabriel Garcia Marquez.

Cinco bandas sonoras e mais algumas infracções

Desafio de fim de ano, do meu querido que gosta de tudo no seu devido lugar. Propõe-me que elenque cinco filmes com 5 bandas sonoras memoráveis. Aqui ficam as minhas:

1.ª - Obviamente, Der Himmel Über Berlin/Wings of Desire:
You know why! Memoráveis, The Carny e From Her To Eternity. E bom, pelo resto da banda sonora também...

2.ª - In The Mood For Love:
A minha obsessão de final de Verão, magistralmente conduzida por Michael Galasso. Um Nat King Cole que surge como novo aos meus ouvidos de tão bem que se adequa aos encontros e desencontros de Maggie Cheung e de Tony Leung.

2.ª (cont.) - No seguimento da anterior, 2046:
Casta Diva, ainda que considere a interpretação de Callas muito melhor que a que consta do filme, é um portento em qualquer filme. Desta vez, com as escolhas e composições de Shigeru Umebayashi, Wong Kar Way volta a encher-me as medidas.

3.ª - Necessariamente, Magnólia...
...perfumada pela mestria de Aimee Mann. Maravilhosa cena inicial, primorosamente rematada com "One".

4.ª - The Hours:
Philip Glass compõe o acompanhamento sonoro do universo de Virginia. Não existe uma única nota fora do lugar ao longo do filme.

5.ª - Mulholland Drive:
Pela interpretação de Rebecca Del Rio, com o pungente Llorando em pleno Club Silencio. Angelo Badalamenti sabe muito bem o que faz e Lynch também.

Post scriptum:
Fujo aos filmes e entrego-me às séries. Permitam-me então enviesadamente acrescentar, sem margem para dúvidas, Six Feet Under por Feeling Good interpretada pela maravilhosa Nina Simone e pela sequência final a cargo de Sia com Breathe Me (a nódoa está em tanto Coldplay, mas enfim).
Não poderia também deixar de referir a soberba banda sonora de Twin Peaks, a cargo de Angelo Badalamenti poderosamente auxiliado pela etérea Julee Cruise.

E pronto, cumprido o desafio (em excesso e atropelando as supostas regras), transmito-o aos seguintes: Provavelmente Talisca, Lueji, Bartleby, Luís e o pessoal cá da casa.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

25 de Dezembro: dia dos enganos.


Recebo um telefonema de um número que não consta na minha lista. Corro para a varanda porque a algazarra que se faz na cozinha não me deixa ouvir a voz do objecto.
E a conversa decorre da seguinte forma:
- Sou o Paulo. Lembras-te?
- O Paulo? Mas… espera… Paulo, claro o Paulo. Já sei!!! PAULO!
- Como te lembras se já nem tens o meu número?
- Claro que me lembro! Então, és o meu vizinho, o meu querido vizinho. Há quanto tempo! Nós passámos a infância todos juntos. Tu, eu, os nossos irmãos, as minhas primas, a Carla… Bons tempos aqueles. Tenho saudades. O teu número já o tive, mas, como tive que trocar de telemóvel, perdi-o.
- Como?
- Ó Paulo, se vieres aqui, passa cá em casa. Traz a Rosa.
- Mas a Rosa… Que Rosa? Posso ir?
- Claro que sim, mas que cerimónias são essas? Isso não é para nós! E, sim, traz a tua esposa!
Hoje não venhas porque estou em casa da Carla. Vim vê-la.
- Carla? Que Carla?
- Então Paulo? A Carla irmã do Z., filha da Sr.ª C. e do Sr. J., também nossa vizinha que foi para Lisboa estudar… e, depois, ficou por lá. Veio estes dias à terra.
- Ah, acho que sei quem é. Mas espera…
- E a Sr.ª Clarinda? Como é que ela está? Ainda não a vi.
- Quem é a Sr.ª Clarinda?
- É A TUA MÃE!
­- Eu não sou esse Paulo! Sou o Paulo de…
- Ok, Paulo. Desculpa, explicas depois. Que confusão! Telefona amanhã ou assim. Adeus.
(Detesto quando sou enganada!! )

domingo, 23 de dezembro de 2007

Lullaby de Domingo

Por cá (e com o cândido intuito de manter a tradição) o Natal é passado com N. C. Na verdade, tudo é pretexto para ouvir Oh, My (Private) Lord. Com uma nuance: a faixa não pertence a um álbum do mestre, mas a Oedipus Schmoedipus (1996) de Barry Adamson. A colaboração - que não é inédita, já que Adamson trabalhou com Cave em vários trabalhos - resulta uma maravilha.
Sim, sei que sou tendenciosa.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Um conto pascal... do jejum (grand finale)

Pratos na mesa, garfos e facas em riste. Ainda umas piadas aqui e ali, mas estava tudo suspenso quanto ao paladar. As primeiras dentadas em silêncio. Depois, o veredito.
A cozinha não poupou no tempo, mas poupou na cozedura. Nem mais uma salsicha esventrada ou uma posta a desfiar o rosário de queixas em condições. Os ingredientes semi-cozinhados. E no meio de um dos pratos, brilhante, retorcido, sufocado em azeite com sabor a bacalhau pré-cozinhado, um magnífico cabelo - esse sim, perfeitamente esturricado. A gota de cabelo que fez transbordar os pratos.
Aproxima-se uma vez mais o infeliz estalajadeiro, com o outro em jeito de banda sonora na continuação do seu triste reportório. Os pratos retornam à cozinha, o triste homem abana a cabeça. Desfaz-se em desculpas e descontas. A rematar, tenta oferecer digestivos. Para digerir o quê? Só se for mesmo a conta: 16 euros a cada comensal, quando a única coisa que se aproveitou foi mesmo o vinho e o pão - cerimónia pascal em tempos de natividade.
Gloria in excelsis. Saímos da espelunca disfarçada de restaurante decente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Intermezzo

(Caravaggio)

"Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim."
Clarice Lispector, A Hora da Estrela

Um conto de Natal... ou de como (NÃO) jantamos na Cervejaria Alemã

E esperam. Mas não será uma espera amena ou tranquila. O desejo por um sítio acolhedor e facilitador da conversa esboroa-se nos primeiros minutos, quando um azeiteiro vestido de t'shirt preta dois tamanhos abaixo do que a barriga pediria, inrrompe no microfone a berrar algo que se assemelha vagamente com algumas melodias mal amadas pelos intervenientes deste triste conto. O ar de engatatão da esquina provoca alguma náusea, principalmente quando se sabe que a criatura se faz acompanhar por um "desopilador" de engate que parece que é único na Região. Aliás, dizem as línguas (que não más), que a dita criatura faz questão de queimar uma data de óleo(??) à entrada e saída dos estabelecimentos, a fim de assinalar a movimentação de aspirante a marialva. Há que convir que o suplício seria prolongado, não fosse a boa disposição dos frequentadores da fatídica treze. A espera, triplicada auditivamente pelos urros de tal criatura, constituíu, durante boa parte da via sacra (mas afinal, não é natal?), caso flagrante de risota e de comentários imaginativos e plenos de malícia. Ora, a situação seria engraçada se o grupo de convivas não estivesse nisto há uma hora e o reportório de piadas sobre o infeliz galináceo não estivesse a perder fulgor. Perante nova reclamação pela demora, são finalmente informados que haviam sido confundidos, até aí, com elementos de decoração natalícia, já que o pedido efectuado há uma hora não havia dado entrada na cozinha; aparentemente, o chefe de sala, que havia efectuado o pedido inicial, não achou estranho que permanecessem apenas a pão e vinho. Perante as ameaças dos convivas, prometeu celeridade a partir daí. Finalmente, pelas 23 horas, chega à fatídica mesa, que entretanto já tinha mudado de número (era agora o número onze por medida desesperada de um dos convivas), o bacalhau, o polvo e as salchichas ditas alemãs encomendados há 1h 30min antes. Inicia-se a jantar, que já ninguém considera repasto. (continua)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um Conto de Natal... ou de como jantamos num palheiro

Naqueles dias, juntaram-se em redor da mesa, que o tempo não está para lareiras. A noite aprazível exigia uma despedida condigna, que obrigava Nefertiti a fazer o recenseamento natalício por terras de Viriato. Noite de despedidas. A troca decorreu agradável, por entre Nina's e Women's e fragrâncias profanas. A conversa, sobriamente mediada pela ginginha, teve que ser interrompida pelo início dos contactos com a estalagem que os acolheria para o santo manjar. Recusados por todos, ninguém quis receber aqueles viajantes que apenas solicitavam um local acolhedor e algo que comer; a situação repete-se e nem as vozes suplicantes demovem os corações empedernidos dos chefes de sala. Nem mais um lugar, dizem os estalajadeiros, enquanto os candidatos a comensais se afundam no sofá, entregues à miserabilidade da recusa. Até que, oh maravilha, uma alma gentil diz que sim, que tem mesa para cinco, que não lhes fecharão a porta ou recusar prato. Oh holy night. Now, all is calm, all is bright! Exaustos, ocupam a mesa prometida assinalada com o número treze. O pior já passou, julgam. E pedem. E esperam. E esperam e (re)pedem. E esperam. (Continua, mas agora não me apetece)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

The Day I fall in love with Sam Riley - ou terá sido por Anton Corbijn?

Words are worthless...

O Shiva bem que podia dar uma ajuda...

A minha oração: "Shiva, deus poderoso, pousa lá isso e vem ajudar-me. "

O Contrário do Mundo.

Entardecer pela noite escura.


Ou
Do que acontece à mulher que foi pássaro quando descobre o humor em ( lugares e) horas desajustadas.

domingo, 16 de dezembro de 2007

O Mundo ao Contrário

Entardecer pela manhã (vá, quase a meio do dia)

Ou
do que acontece à mulher que foi pássaro quando termina a papelada burocrática típica da época.

Concorrência - Not about love

Esta também não é uma canção de amor. Na voz da versátil Fiona Apple.
What is this posture I have to stare at That's what he said when I'm sittin' up straight Change the name of the game 'cause he lost And he knew he was wrong but he knew it too late But I'm not being fair 'Cause I chose to listen to that filthy mouth But I'd like to choose right Take all the things that I've said that he stole Put 'em in a sack Swing 'em over my shoulder Turn on my heels Step out of this sight Try to live in a lovelier light This is not about love 'Cause I am not in love In fact i cant stop falling out I miss that stupid ache

Lullaby de Domingo

Durante muito tempo ouvi-a, conferindo-lhe um outro sentido. Sabia fazer parte da primeira ópera sobre afro-americanos e, perante o que é dito, "li" que se referiria a uma mulher, escrava, que não poderá escapar ao seu senhor. Afinal, a escravatura é outra. É mulher. Negra. Puta. E responde perante um outro senhor, com outros grilhões. Mudam-se os tempos, mas não mudam as vontades.
Não é uma canção de amor...
"(...)
Don't let him handle me And drive me mad
(...) Don't let him take me Don't let him handle me With his hot hand (...) But when he calls I know I have to go (...) He's gonna handle me and hold me so
It's gonna be like dyin', Porgy, Deep inside me."
Música de George Gershwin Letra de Ira Gershwin
...e ninguém a diz como ela.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Mr Lekker

"Sensibilidade graciosa" (Tristan Tzara)

Teve a sua piada.* Eis o que restou da crónica: Eternamente Pouco importa o que penso Própria voz, carne viva, Imaginava como complicado E infinito orgulho Adiada, Lavrada Enfileirei de autor, As páginas de ossos. *Mas não tem ponta por onde se lhe pegue, a não ser a "arte" do corte. Restam os recortes, as palavras solitárias, sem o entendimento inicial.

"Infinitamente original" (Tristan Tzara)

"Poetar" aleatoriamente. O meu desejo inclina-se profundamente para uma crónica de VPV, como se o fio da tesoura rasgasse a pose e humor. A preguiça fala mais alto e não saio para comprar o Público. Enfim, terá que ser com Lobo Antunes. A ver vamos o que daqui resulta.

um olhar

" (...) Sou neblina, sou ave, / Estrela, Azul sem fim,/ Só porque, um dia, tu,/ (...)/ Por acaso, talvez, /Olhaste para mim."

Teixeira de Pascoaes
*como é visível, a imagem foi retirada da net.
(Benjamin Vautier)


"Je te reconnais signifie que je ne peux te connaître ni par la pensée ni par la chair. La puissance d'un négatif demeure entre nous. Je te reconnais va de pair avec: tu m'es irréductible, comme je le suis pour toi."
Luce Irigaray in J'aime à toi

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

uma descoberta

Desconhecia! Agora tenho mais um espaço para visitar. Ficam aqui as coodernadas:http://tiburciothesmartest.blogspot.com/

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Hoje...

Hoje magoaram o meu amor
e o meu amor entristeceu-se
Na face rolaram cristais
turvos de sangue e dor
Há dor que um beijo não cala
nem uma rosa perfuma
Há dor que só o tempo suaviza
no quebrar contínuo da vida
Hoje magoaram o meu amor
e a dor agravante virou ferida
O meu amor martirizado sofreu
e a sua alma emudeceu
Há dor que as lágrimas não aliviam
nem palavras confortam
Há dor que só o amor
faz palpitar o coração
e o coração ainda sofre de amor.
Lídio Araújo, Princípio (amor natus est)... E... fim! (dies irae)

O Pinheiro da Actualidade








Pediram-me ideias para a Árvore de Natal do bar dos alunos. Gostei. Ideias é mesmo comigo. Eis a descrição que fiz:

A estrutura (a mais simples possível) do pinheirinho que os meninos do curso de Carpintaria fizeram, será toda forrada com folhas de jornais. O efeito ficará engraçado porque enrolamos tiras de papel preenchido com letras e imagens (o melhor jornal para isso é o d´A Bola! É muito colorido e há sempre muito porque são óptimos para limpar os vidros lá de casa!). Depois passamos um pouco de verniz por toda a estrutura.
Faremos uma estrela forrada também com folhas de jornais ou de revistas (as folhas de revistas como a Maria, a Nova Gente e outras da chamada imprensa cor-de-rosa são as mais indicadas e sempre podemos dar aquele toque de... utilidade ao papel já desperdiçado), para depois pôr no cima do dito pinheiro que, por sua vez, ficará assente num vaso cheio de tiras de folhas da imprensa escrita.
De seguida, os alunos irão fazer uma pesquisa e uma recolha de imagens sobre os seguintes assuntos: guerras actuais; fome no mundo; catástrofes ecológicas; doenças; "obesidades"; "magrezas"; "normalidades e anormalidades"; moda; “primeiros, segundos e terceiros mundos”; sem-abrigo; cultura e culturas; tecnologias; pedofilia; etc.… Ou seja, assuntos da actualidade.
Por fim, o pinheiro irá ser decorado com as imagens e mensagens da referida e trabalhada actualidade sob forma de "postaizinhos".
O pinheiro irá ser original, quase que posso garantir.

Ficou feito, mas o resultado final foi deturpado, ou seja, os postais foram ilustrados com baboseiras do género: pais natais, sinos, anjinhos, meninos Jesuses, presépios, virgens Marias, bons natais, boas festas... o blá blá do costume! Não há volta a dar. Afinal de contas, Natal rima com Carnaval.

Yep! Confirma-se.

Sou mesmo uma feminista incorrigível. Concordo convictamente com este post da Isabela e destaco o seguinte excerto da caixa de comentários (também da Isabela, que tem mesmo jeito para isto):
"Que a liberdade sexual não seja servilismo a um sempiterno poder masculino, assente em nada, que não seja venda. Que aquilo a que chamam livre vontade seja uma vontade livremente esclarecida, e não a mera imitação de uma estética sexual castigadora para as mulheres (para os homens igualmente, porque os homens não percebem que isto é um fenómeno no qual eles também estão incluídos como vítimas - mas não é dos homens que estou agora a falar, portanto...), e que é, antes de mais, a realização das inconfessáveis fantasias masculinas, agora confessadas. Mas que se realizem as fantasias masculinas, porque não?, se essas forem também as fantasias femininas."

Passou-me a crise

Voltei a ser bolorenta e feministaIstaIstaIstaIsta. (nada de boazona, portanto)

3.ª Dúvida "existencialista"

Devo tentar transformar-me numa boazona? E isso dá muito trabalho? (se der, já não quero)

2.ª Dúvida "existencialista"

Refiro-me às outras gajas como boazonas ou não?
E refiro-me a grelos e batatas ou não?

1.ª Dúvida "existencialista"

...de feminista feminina ou feminina feminista:
Arre já conta?

Post it no frigorífico

Tenho que praguejar com mais regularidade e dissertar sobre quecas e cojones no sítio e mostrar as mamas e abusar nos decotes e dizer que os comia a todos para finalmente ser uma feminista desempoeirada do século XXI. Arre!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Re-post

(Em Parêntesis)

Agora reparo que a eles recorro, como se quisesse constantemente interromper o texto. E pergunto-me que posicionamento assumem na minha vida: será que fecho os parêntesis que nela vou abrindo?
(aqui)

Solidariedade natalícia: uma actualização




E a lista aumenta. Acrescente-se o Everything (desgostoso porque nem tudo está no devido lugar) na candidatura ao lugares disponíveis para o limbo do Natal.

(Ainda existem lugares disponíveis).
(Minha querida Lueji, a tua dicotomia não nos permite uma candidatura prioritária).



Ilustração retirada aqui

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Aquilo que qualquer gajo devia saber (e que eu vou tentar aprender...)

eufemismos

- Tem que permanecer no hospital. Penso que ele preferia morrer em casa, mas a minha avó já não pode cuidar dele... Depois, requer um tratamento mais especializado, ou seja, o cuidado dos enfermeiros. Também há o problema do transporte, ninguém lá em casa tem carro. Que situação… e eu estou longe. A minha avó, em momentos de desespero, diz que preferia visitá-lo ali ao lado, sabes naquele sítio. Custa-nos pronunciar o nome daquele sítio…- desabafava a amiga com os olhos lacrimosos. …….. - Espera, tu queres dizer cemitério? – perguntou ("vomitou") a criatura estúpida que também ouvia a conversa!!! Para, logo de seguida, sentir imensa vontade de desaparecer.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Solidariedade natalícia

Este blog, em solidariedade com Funes, RPS e (pasme-se) Nefertiti, propõe um abaixo assinado para que se crie uma zona livre de espírito (consumista) natalício. A bem da sanidade dos citados (acho que até ouvi a Nefertiti quase praguejar...).
Parecem notas pousadas em pautas musicais (é verdade que a esta faltam duas linhas). Partituras esvoaçantes, silenciosas, à espera de serem tocadas.

Gostar de gatos é coisa para gente grande 4

"Tigre, Tigre, brilho ardente,
Lá nas florestas da noite:
Que olho, que mão traçaria
Tua feroz simetria?
Em que infernos, em que céus
Arde o fogo dos teus olhos?
Que fole o pôde soprar?
Que mão tal fogo agarrar?
E que braço, & que arte,
Pôde o coração talhar-te?
E quando a bater se pôs,
Que pés terríveis? Que mãos?
Que martelo? E que malha?
E teu cér'bro em que fornalha?
Que bigorna, ou forças tais
Agarram garras fatais?
Quando as estrelas raiaram
E o céu de pranto inundaram:
Sorriu ele ao ver-te inteiro?
Quem te fez, fez o Cordeiro?
Tigre, Tigre, brilho ardente,
Lá nas florestas da noite:
Que olho, que mão traçaria
Tua feroz simetria?"

William Blake

Lullaby de Domingo

A lullaby desta semana não poderia ser outra. Desde ontem que me acompanha (em silêncio), desde que finalmente foi descodificado o poema que dela consta. Meses e meses de audição e nem fui eu a descobri-lo...

sábado, 8 de dezembro de 2007

Jet lag

Ainda pensei inventar qualquer desculpa. Mas a menina, como boa feminista que é, bem sabe que os homens são todos iguais. O que significa que nenhum deles possui a parte do cérebro referente à recordação de datas de aniversário.
fewfrwrwrw
OOh well, em todo o caso cá vai a prenda de aniversário com um pouco de jet lag!!!
fgffsdf
fdfd
Onde já vão os tempos de faculdade...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

hoje é um dia muito importante, Woman faz anos!

Waiting, Klimt

Se pudesse, oferecer-te-ia esta pintura.

Preceitos apócrifos

Naqueles dias, deambulou por entre multidões encegueiradas. E de olhos cerrados proferiu: "Em verdade vos digo. Aquele que nunca amou perde-se em e por si mesmo. O tempo de Narciso só agora começa." A multidão irrompeu em gargalhadas dementes e continuou a mirar(-se n)o espelho.

Gostar de gatos é coisa para gente grande 3




Via correio electrónico

Pronto, o final é algo exagerado. Ainda assim, anda lá perto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Palavra de entendido

As baratas não se mastigam: chupam-se, como os rebuçados.

Só com Equimoses... ah... e culpa, claro...


"Um soco dado pelo réu, no rosto da autora não é fundamento de divórcio se não puder concluir-se que aquele tenha agido culposamente, e se, para além do mais, da agressão não tiverem resultado quaisquer equimoses."


E agora... tentem adivinhar que instituição é a autora desta frase.....sugestões na caixa de comentários, s.f.f.

Foto do sr. Joel Peter Witkin, à moda do "until death tear us apart"

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

património popular

Câmara de Lobos (Madeira): Minha filha é espierta, espierta. Vai à vaca, pranta semilhas e ainda trata do buzico(bebé).
Ou
O grade (cão) azoigou (morreu) e foi atupido (enterrado) numa manta de tararifas (abóboras oriundas de Tenerife).

Um corte nunca é inocente...

... pensa, com o cabelo a pingar lamento. "Deixa-me respirar por muito, muito tempo, o odor dos teus cabelos (...)"
relembra, enquando estes desfiam vertiginosamente perante a invasão implacável da tesoura. E rememora a cabeleira dessa outra mulher, farta, cabelos feitos de corda; fios longos, brancos, a perder de vista, que passeiam languidamente por entre os ombros e terminam nos seios, cobrindo-os apudoradamente.
Um corte nunca é inocente, repete, enquanto os fios a deixam para trás a olhar fixamente o espelho que lhe devolve o olhar. Há anos que não os deixa dobrar a linha do pescoço, castigando-os impiedosamente. Não resiste à rebeldia, à vontade de se espraiarem livremente. E corta-os, num impulso arrebatado. Quando a mão os sustem e a guilhotina os divide, sente a satisfação de sentir uma parte de si quedar-se no chão. Estilhaços rapidamente varridos. Sai mais escorreita, ciente da renúncia às recordações.

(Fotografia de Man Ray)

Imitações

É impressão minha, ou este ficou muito parecido com este?

domingo, 2 de dezembro de 2007

... para gente grande

Os chineses vêem as horas nos olhos dos gatos. Um dia, um missionário passeando por um subúrbio de Nanquim, apercebeu-se que se tinha esquecido do relógio, e perguntou a uma criança que horas eram. O garoto do Império Celeste hesistou primeiro; depois, mudando de parecer, respondeu: "Eu já lhe digo". Pouco depois reapareceu trazendo nos braços um gato muito gordo, e fitando-o no alvo dos olhos afirmou sem hesitar: "Ainda não é meio-dia". O que era verdade. Por mim, se me debruço sobre a linda Féline, a tão bem baptizada, que é ao mesmo tempo a honra do seu sexo, o orgulho do meu coração e o perfume do meu espírito, quer seja de noite, quer seja de dia, em plena luz ou na sombra opaca, no fundo dos seus olhos adoráveis eu vejo sempre distintamente as horas, sempre a mesma hora, uma hora vasta, solene e grande como o espaço, sem divisão em minutos ou segundos (...). Se qualquer imbecil me viesse perturbar enquanto o meu olhar repousa sobre esse delicioso mostrador, se qualquer génio malévolo e intolerante, qualquer demónio me viesse perguntar: " O que estás olhando com tanto interesse? Acaso lá vês as horas, mortal ocioso?, eu responderia sem hesitar: "Sim, vejo as horas. Agora é a Eternidade!" "Relógio", Charles Baudelaire

Lullaby de Domingo

I laugh a lot But that's just a plot Um dos álbuns que roda muito por cá.

Pérolas a porcos

"Je fuis des yeaux distraits que me voyant toujours ne me voyant jamais".
dsfeasfsfesewretreferweew
Bérénice, Racine

sábado, 1 de dezembro de 2007

Gostar de gatos é coisa para gente grande*


"Enquanto bebé, esta gata nunca dormiu em cima da cama. Esperava que eu estivesse deitada, depois andava por cima de mim, considerando as possibilidades. Metia-se no fundo da cama, junto aos meus pés, ou ficava no meu ombro, ou esgueirava-se para debaixo da almofada. Se eu me mexia muito, mudava arrogantemente de lugar, mostrando a sua contrariedade. Quando eu fazia a cama, gostava de ficar dentro dela; e ficava, visível como uma pequena bossa, muito feliz, durante horas, entre dois cobertores. Se eu fazia festas na bossa, ronronava e miava. Mas só saía dali quando precisava.
A bossa mexia-se pela cama, hesitava na beira. Às vezes ouvia-se um mio frenético quando ela escorregava para o chão. Com a dignidade perturbada, lambia-se rapidamente, dardejando os olhos amarelos para os espectadores, que cometeriam um erro se rissem. Depois, consciente de cada um dos seus pêlos, colocava-se em qualquer outro centro de cena."
Doris Lessing, Gatos e Mais Gatos

Gostar de gatos é coisa para gente grande
*Bom, grande não será o termo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Subsídios para uma ausência prolongada*

Cultivar a arte de deslizar para o momento da suspensão. Desaprender o acto de respirar. Encerrar(-me) hoje, recomeçar amanhã. * Cogitações avulsas sobre nada.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Venus as a boy

Sair de cena sabe bem. Fiquei em casa. Soube tão bem este dia. Revigorante.