domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Os óculos de Sócrates - Um País como o Nosso

O título não engana. Falo-vos do Primeiro Ministro do meu descontentamento (não da maioria, já que o reelegeram). 
Pois o ilustre senhor foi hoje (ontem) ao Parlamento anunciar que a precariedade laboral de gente qualificada é realmente um problema que temos, mas que este problema é comum a muitos países (até aqui bocejo ao volante e pondero mudar de estação). Mas a criatura acrescenta (com uma veemência que me fez pensar no trabalho das empregadas de limpeza quando limparem a sala e tiverem que desencastrar todos os perdigotos lançados pela convicção deste Primeiro Ministro indignado com os seus oponentes) que o problema do desemprego de pessoas qualificadas só existe em países que atingiram um grau de desenvolvimento muito elevado. Como o nosso. Desligo o motor e saio do carro envaidecida por pertencer a essa aventura maravilhosa de viver num País desenvolvido em que os problemas se devem a excesso de gente qualificada. Ao entrar em casa, a vaidade atinge uma percentagem absurda ao deparar-me com o título da Visão desta semana. Ao que parece, a Alemanha, que como bem sabemos é um país que ainda não atingiu o grau de desenvolvimento superior ao qual pertencemos, anda à procura de gente qualificada fora de portas. O Reino Unido a mesma coisa. De uma assentada resolvem-se dois problemas: o pessoal que infelizmente está desempregado porque em Portugal somos um país com um grande desenvolvimento já pode vislumbrar uma luz ao fundo do túnel. E quanto a nós, os empregados que restam no País desenvolvidíssimo (mas em crise), já não precisamos de nos preocupar com a influência da Alemanha na UE (parece que o Sócrates foi chamado à secretária da Angela Merkl, não se sabe se para apanhar reguadas ou elogios). Que medo estúpidozinho este de um país que nem está suficientemente à frente para desempregar gente qualificada. Puff!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Boa Semana

Se isto é um humano

No restaurante onde almoço algumas vezes durante a semana, as mesas estão sempre cheias. Uma enorme televisão sintoniza ora o National Geografic (quando os clientes são maioritariamente turistas), ora a TVI, quando os comensais são da Região. Na sexta-feira, decorria o programa da manhã, conduzido pelo Manuel Luís Goucha que usa um penteado parecido ao que alguns dos meus alunos ostentam (mas sem a gravata e o fato de fino corte) e a outra colega que, sendo muito fotogénica, tem uma voz de bradar aos céus. O programa passa para uma longa reportagem em que o título de rodapé anunciava que aquela senhora a quem filmavam a miserável casa, havia sido violada pelo próprio neto. A televisão não emite som, apenas as imagens. As divisões improvisadas do espaço em que a mulher vivia, as mãos enrugadas pela idade e pelo trabalho, a expressão resignada de uma mulher que trabalhou a vida inteira.Traja de preto, não sei se por morte do marido, se por morte da sua velhice descansada. 
Reparo nos comensais, que momentaneamente se detêm sobre o que passa na televisão: as imagens e o rodapé. Uns comentam, incrédulos, que aquela velha foi violada pelo neto. Estes que comentam a desgraça da "velha" são na verdade de uma idade muito aproximada à da "velha". Apenas não trajam tão modestamente e estão sentados num restaurante, que parece ser coisa em que aquela mulher muito raramente colocou pés - se é que os colocou. Outros, mal percebem o teor da reportagem riem (é ridículo um homem novo querer meter-se com aquela mulher) e rapidamente desligam do assunto.
Em nenhum momento percebi horror pelo que aquela mulher havia passado, ou empatia pela sua vida miserável. É apenas uma velha violada pelo neto. E que raio de neto aquele, que se deita com uma mulher assim.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lullaby de Domingo



Ainda sobre as ideologias à solta, que esta gente é perigosa...


Sim, Sr.ª Ministra

Obviamente, a Sr.ª Ministra de nada sabia. Obviamente a posição será revista. Mas não tivesse a rede Ex-Aequo trazido o assunto aos jornais e o rótulo de campanha ideológica interferiria com a divulgação destes cartazes. Sobre as agressões sucessivas sofridas por alunos/as cuja orientação sexual é diferente da maioria. Para algumas escolas, as interpretações vão mais longe: são cartazes promotores da homossexualidade. Imagine-se o que mais não vai por aquelas cabecinhas...


O oficial, a divorciada, a erudição do legislador e a sabedoria do deputado




O legislador viu e pensou que se
 a mulher foi a ré na acção do divórcio e mostrou que não possuía a honorabilidade e as qualidades morais necessárias para constituir família não está indicado, que possa casar com um oficial do exército. 
Há agora o caso da mulher honrada, da mulher que teve uma conduta irrepreensível, mas que pediu o divórcio contra o marido, e então o legislador pensou: esta mulher é impecável no seu passado, mas não teve a resignação necessária não soube suportar as vicissitudes e tormentas do lar, isto é, não soube manter-se; embora com sacrifício.



Eu vejo sorrisos, mas devo dizer a V. Ex.as que há mulheres que sabem proceder de maneira a evitar o divórcio, embora tenham às vezes motivos para o pedir quase todos os dias. Neste caso o legislador pode pensar que se a mulher não teve resignação para aturar o primeiro marido é de supor que igualmente o não tenha com relação ao segundo, e é por isso que não distingue um caso do outro e é talvez esta a razão por que vem tal disposição no decreto. No entanto, nesta parte, ainda aceitaria que se fizesse uma modificação no sentido de um oficial poder casar com uma mulher divorciada quando não tenha sido condenada na acção de divórcio.                

                                                                                                              Tamara Lempicka
http://debates.parlamento.pt/page.aspx?cid=r2.dan



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Apoplexia*


Um aluno generoso dá-me a conhecer a notícia do ano (mas desde quanto, Senhor, há esta novidade e eu nada sabia? Eu que até lhe recebo as newsletter e diabo a quatro?)
My Private Lord e os desbragados Grinderman estarão no Optimus Alive. E eu, que até tenho TMN e Vodafone, espero poder lá estar. 

*Ainda não foi desta, mas nada garanto quanto a 8 de Julho. Se conseguir lá estar, claro está.


(muitoooooooo) Boa Semanaaaaaaaaaaaaa!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Odete ou Odile

1.º Ato


Amante da palavra confessa, sou surpreendida com Cisne Negro de Darren Aronofsky. Não conheço nenhum dos seus filmes e já aqui confessei a minha quase insensibilidade para a realização. Apreendo-a num todo, como se fosse a malha invisível daquilo que realmente me interessa: o argumento e os diálogos. Mas este é um filme extremamente visual, num registo em que as palavras apenas suportam a mimética, real protagonista da película. E a música, a relembrar-nos o óbvio acerca  da genialidade de Tchaikovsky. 


2.º Ato

Este é um filme suportado inteiramente pela forma como é filmado e pelos desempenho dos seus protagonistas, com Natalie Portman à cabeça. A cena inicial é absolutamente premonitória de como nos colaremos a Nina, como respiraremos com ela (e quase por ela), como também nós sentiremos o colete de forças que a sufoca. Tal como a protagonista, a dissociação é de tal ordem que não conseguimos destrinçar a realidade do assustadoramente onírico.   
O filme é absolutamente claustrofóbico.  Desde o momento em que Nina é tocada pelo seu Rothbart (na figura de Thomas Leroy, o encenador e mentor e que também podia ser Mefistófeles)  até ao momento em que cede lugar a Odile, filha das exigências de Thomas Leroy, sustemos a respiração para suportar a espiral da dolorosa e demente transformação, juntamente com a protagonista. E no final, finalmente respiramos. Ou não.

3.º Ato

Odete ou Odile, ou também Eva ou Lilith, a dualidade de papéis que é exigido a esta mulher, à mulher, a todas as mulheres. Metade Eva, metade Lilith, no fio da navalha, nem demasiado Lilith, nem demasiado Eva, um pouco Odete e qualquer coisa de Odile.



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Maiores de 18

As salas de cinema deviam ser, na sua maioria, interditas a adolescentes. Com as crianças não há problema. Por norma ficam quietas e as intervenções são esporádicas. Impossíveis são as criaturas que quando entram num espaço desta natureza miraculosamente esquecem a comunicação por sms que por norma utilizam e desatam a conversar (um eufemismo, na verdade é mais um monólogo coletivo). Sessões para adolescentes. E nas restantes salas, acesso vedado a criaturas que ainda se riem desalmadamente com alguma cena que lhes pareça, vagamente, uma cena de sexo. E que não sabem quando parar para pensar que a restante sala pagou bilhete para o filme e não para as suas palhaçadas.

Argumentos da Classe Médica

- Acha que os médicos conhecem melhor os pacientes do que os farmacêuticos?
- Claro.
- Porquê?
- Porque um tem o curso de medicina e outro tem o curso de farmácia.

Disclaimer: (este post é independente das propostas governamentais para os genéricos vs. vetos presidenciais)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Lullaby de Domingo


Novo álbum em Março, com um primeiro videoclip que é um mimo. Por enquanto, como lullaby desta semana um clássico. Sem palavras, que hoje é um domingo especialmente cansado.


Palavra da Semana

Só para seleccionad@s.... ;-)