sábado, 28 de junho de 2008

Post(al): queridas amigas, Woman e Ceridwen,


Misha Gordon

" Mais fascinante ainda é a história de Lilith. A tradição judaica conta que Eva não foi a primeira mulher de Adão,mas que existiu Lilith. E esta quis ser igual ao homem: indignava-se, por exemplo, que a forçassem a fazer amor debaixo de Adão, uma posição que lhe parecia humilhante, e reclamava os mesmos direitos que o homem. Adão, aproveitando a sua maior força física, tentou obrigá-la a obedecer, mas então Lilith abandonou-o. Foi a primeira feminista da Criação, mas as suas moderadas reivindicações eram obviamente inadmissíveis para o deus patriarcal da época, que converteu Lilith num diabo mata-crianças e a condenou a sofrer a morte de cem dos seus filhos todos os dias, horrendo castigo que emblematiza perfeitamente o poder do macho sobre a fêmea. É talvez no mito de Lilith esteja subjacente a memória esquecida dessa possível transição entre um mundo antigo não sexista (com mulheres tão fortes e tão independentes como os homens) e a nova ordem masculina que se instaurou depois."

"Introdução - A vida invisível" in Histórias de Mulheres, Rosa Monteiro, Edições Asa, 2000

P.s.: que tudo corra bem. Se puderem, vejam a peça de teatro NEXT : ))


Voltamos dentro de momentos



Andamos muito ocupadas no Congresso Feminista
(WOAB e Ceridwen e mais 548 pessoas*)

*o título é uma promessa exclusiva das duas primeiras
 

Privilégios de Feminista

O que ouvimos hoje, recitado pela própria
Ana Luísa Amaral



Entrei em Londres
num café manhoso (não é só entre nós
que há cafés manhosos, os ingleses também,
e eles até tiveram mais coisas, agora
é só a Escócia e parte da Irlanda e aquelas
ilhotazitas, mas adiante)

Entrei em Londres
num café manhoso, pior ainda que um nosso bar
de praia (isto é só para quem não sabe
fazer uma pequena ideia do que eles por lá têm), era
mesmo muito manhoso,
não é que fosse mal intencionado, era manhoso
na nossa gíria, muito cheio de tapumes e de cozinha
suja. Muito rasca.

Claro que os meus preconceitos todos
de mulher me vieram ao de cima, porque o café
só tinha homens a comer bacon e ovos e tomate
(se fosse em Portugal era sandes de queijo),
mas pensei: Estou em Londres, estou
sozinha, quero lá saber dos homens, os ingleses
até nem se metem como os nossos,
e por aí fora…

E lá entrei no café manhoso, de árvore
de plástico ao canto.
Foi só depois de entrar que vi uma mulher
sentada a ler uma coisa qualquer. E senti-me
mais forte, não sei porquê, mas senti-me mais forte.
Era uma tribo de vinte e três homens e ela sozinha e
depois eu

Lá pedi o café, que não era nada mau
para café manhoso como aquele e o homem
que me serviu disse: There you are, love.
Apeteceu-me responder: I’m not your bloody love ou
Go to hell ou qualquer coisa assim, mas depois
pensei: Já lhes está tão entranhado
nas culturas e a intenção não era má, e também
vou-me embora daqui a pouco, tenho avião
quero lá saber

E paguei o café, que não era nada mau,
e fiquei um bocado assim a olhar à minha volta
a ver a tribo toda a comer ovos e presunto
e depois vi as horas e pensei que o táxi
estava a chegar e eu tinha que sair.
E me ia levantar, a mulher sorriu
como quem diz: That’s it

e olhou assim à sua volta para o presunto
e os ovos e os homens todos a comer
e eu sentia-me mais forte, não sei porquê,
mas senti-me mais forte
e pensei que afinal não interessa Londres ou nós,
que em toda a parte
as mesmas coisas são



domingo, 22 de junho de 2008

sábado, 21 de junho de 2008

"Caderno azul n.º 10"

Era um homem ruivo que não tinha olhos nem orelhas. Também não tinha cabelo, pelo que só convencionalmente se podia chamar ruivo. Não podia falar, porque não tinha boca. Também não tinha nariz. Nem sequer tinha mãos, nem pernas. Não tinha ventre, não tinha costas, não tinha coluna vertebral nem quaisquer entranhas. Não tinha nada! Por isso não se compreende de quem se trata. É melhor não falarmos mais nele. Darniil Harms (1905-1942)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Apostasias - o evangelho segundo ELA

Tinha corpo de prostituto quando se deitava em qualquer uma. Prostituía-se de cada vez que acreditava que o queriam para além da pele que outros também tinham, exactamente igual. A diferença estava em que os outros não a alugavam facilmente.
Convencera-se que aquela fina camada era só o que valia. E, apesar de não o dizer, apesar de tentar convencer a todos os outros que não era assim, a verdade é que a única coisa em que acreditava ter algum valor, era na sua pele. E nem esta era já sua - era pertença de qualquer uma em quem se deitava.
Uma pechincha, na verdade; de usar e deitar fora.

terça-feira, 17 de junho de 2008

É já amanhã!

Madeira na Rota do Congresso Feminista Conversas em torno do Feminino
Dia: 18 de Junho Hora: 19 horas Local: FNAC Madeira Convidadas: Lília Remesso - Presidente da Associação do Planeamento da Família Luísa Pessanha - Directora da Associação Protectora dos Pobres A Ilha na rota do Feminino: a uma semana do Congresso Feminista em Lisboa, as temáticas do feminino continuam a ser pensadas entre nós. Que questões nos são colocadas hoje, ao repensarmos as questões de Género? Que rasto deixa a Mulher madeirense na Ilha? Nesta segunda conversa, procuraremos tematizar a exclusão social da Mulher e alguns dos factores que para tal contribuem.
 

domingo, 15 de junho de 2008

Para ti, em particular...

Clã - "Sexto andar"

Lullaby de Domingo

Há muito que esta menina não passa por cá. Com líricas sempre mui interessantes.

sábado, 14 de junho de 2008

Sócrates e Hegel

Sócrates deixou-se biografar estrategicamente a um ano das eleições*. E a fim de dar um colorido pitoresco à coisa, faz afirmações surpreendentes. Fiquei surpreendida por ler que Sócrates, o novo, tentou ler Hegel, mas que o achou intragável. Que teve sentimentos de culpa por não o conseguir fazer. Que descansou quando leu que Popper (e vão dois) considera que Hegel não sabia o que queria dizer. Eu só acho que Sócrates tentou ler Hegel em Inglês. *Toda a informação constante deste post tem como fonte a Visão. Menos o último parágrafo.
 

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Da fome (e) da(s) vitória(s)


Reina o caos na segunda circular. A fila para abastecer na Repsol entope uma das saídas.
Na BP do Estádio de Alvalade o gasóleo deixou de correr das pistolas às primeiras horas da manhã. A meu lado, dezenas de carros de bandeira nacional hasteada antecipam uma vitória suada, que nos irá retirar do calor mórbido. "venham eles que os comemos vivos", ouve-se. Venham eles que nós damos conta do recado, ainda que não haja nada nas prateleiras dos supermercados. São quase 17 horas. Os minutos passam a correr e a prioridade é ter uma televisão para testemunhar, em directo, o futuro de um país. Leio na capa de uma revista: "famílias portuguesas já poupam na alimentação para pagar a casa". Ouço-os dizer à boca cheia que tudo farão para defender Portugal, que a defesa já não se faz com missões de paz ou de guerra, nem nas mesas de ministros com preocupações com a água ou com as fronteiras. A defesa de um país faz-se nas quatro linhas. Enquanto houver futebol há esperança, e quando da selecção sobrarem ecos, restam-nos os clubes nacionais, esses que movem a economia e nos põem a comida na mesa. Esses que nos defendem do desemprego e da ganância dos outros. Esses que são responsáveis pelas descobertas científicas que nos aliviam as doenças e a fome. A fome? Essa que se lixe, temos é fome de vitória, e nisso, a selecção, esse troféu que se apoia em 22 pernas, não nos desilude.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Entre as brumas da memória

O dia da raça não é de lamentar.
O lamento está em relação aos que o lamentaram. Não em relação a quem o proferiu.

A minha Pátria

Não é a (equipa da) Selecção Portuguesa.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Cogitações avulsas

Ao clicar no botão de envio da missiva, tomo consciência de que lhe escrevo há 8 anos, que não a vejo há dois e que ainda assim me sinto próxima. Curioso como o respeito, a genuína admiração e a timidez da amizade transcendem os dias e os anos, despindo-os de importância no momento da recepção de uma carta, de um postal, de um livro ou de um abraço. Degusto a saudade com os olhos, lentamente, como se de um mil folhas se tratasse.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Apreciadora de tomate(s) me confesso


Principalmente cortado(s) às rodelas, acompanhado(s) por queijo fresco e nozes. Bem regado(s) com azeite, vinagre balsâmico e uma pitada de sal grosso e oregãos.

terça-feira, 3 de junho de 2008

É já amanhã!

Madeira na Rota do Congresso Feminista: Conversas Em Torno do Feminino
Dia: 4 de Junho Hora: 19 Horas Local: FNAC Madeira Convidados: Daniela Maria Nelson Veríssimo
A Ilha na rota do Feminino: a menos de um mês do Congresso Feminista em Lisboa, as temáticas do Feminino chegam antecipadamente até nós. Que questões nos são colocadas hoje, ao repensarmos as questões de Género? Que rasto deixa a mulher madeirense na Ilha?

"Não se considere esta questão como antecipadamente decidida pelos factos e pelas opiniões existentes, mas sim aberta à discussão sobre os seus méritos, como questão de justiça e conveniência."
Stuart Mill
 
Porque é a conversar que a gente se entende, convidámo-lo(a) a comparecer na FNAC e a debater connosco as nossas relações a dois. 

Já dizia o outro que...


"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."

Oscar Wilde

Nota: fui buscar tudo ao google! Copy past, pois claro.

Saltos altos...


- É só o que tem na montra?
- Espere. Temos estes que acabaram de chegar... Veja como são giros!
- Sim. Tem bengalas a condizer?

Mandaria a SELECÇÃO NACIONAL...

ÀS URTIGAS!

domingo, 1 de junho de 2008

Pérolas a porcos

"Domingos longos, enfadonhos, inúteis e calmos. Quando era jovem, eram estes os dias que eu detestava. Agora ansiava por eles. Momentos prolongados, calma de morte. Tinha descoberto que necessitava deste dia, de existir simplesmente."
uuu
Os Nomes, Don DeLillo

Lullaby de Domingo

Hoje soube-me a tanto Portanto, Hoje soube-me a pouco...